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Sucuris acasalam enquanto atravessam a Transpantaneira em MT; vídeo | G1

Registro do 'bolo de serpentes' foi feito por guia que acompanhava turistas estrangeiros no Pantanal mato-grossense.

· 522 words

Três sucuris entrelaçadas durante o acasalamento surpreenderam turistas que passavam pela Transpantaneira, estrada que liga Poconé ao distrito de Porto Jofre, no Pantanal mato-grossense. O registro foi feito nas últimas semanas pelo guia de turismo peruano Lorenzo Cahuana, enquanto acompanhava um casal holandês e uma jovem australiana.

Nas imagens, uma das serpentes atravessa a estrada em direção às outras duas, que já estavam entrelaçadas, e se junta ao chamado “bolo de sucuris” (assista acima) .

Segundo Lorenzo, o grupo estava em um veículo quando avistou os animais. Embora encontrar bichos atravessando a Transpantaneira faça parte da rotina dos passeios, ele contou que nunca havia presenciado uma cena como essa , mesmo após anos trabalhando como guia, inclusive na Amazônia.

“É normal ver animais atravessando, por isso sempre vamos a 20, 30, no máximo 40 km/h. Quando vimos a sucuri, descemos devagar para observar. Uma delas acabou voltando para o mato e pensei que tinha perdido o registro, mas ela retornou à estrada e, para nossa surpresa, apareceu outra com quem estava acasalando”, relatou.

A princípio, Lorenzo pensou que estivesse diante de uma mãe com filhotes. Ao continuar observando, porém, percebeu o comportamento de acasalamento. A surpresa aumentou quando uma terceira sucuri saiu da mata e se juntou às outras duas.

“Foi uma experiência única, que nunca vou esquecer”, declarou.

Ao g1 , o biólogo Luiz Eduardo Saragiotto explicou que é comum as pessoas acharem que sucuris estão acompanhadas de filhotes, quando, geralmente se trata de uma fêmea acompanhada de machos.

"As sucuris fêmeas chegam a 6 a 7 metros de comprimento, enquanto os machos raramente passam de 2", afirmou.

Sucuris acasalam durante travessia na Transpantaneira em MT — Foto: Lorenzo Cahuana

A formação de grupos de serpentes entrelaçadas pode ocorrer durante o período reprodutivo. Em entrevista recente ao g1 , a bióloga Angélica Gomes da Silva explicou que as fêmeas liberam feromônios capazes de atrair vários machos.

Com mais de um animal disputando a oportunidade de copular com a mesma fêmea, podem se formar os chamados “bolos de serpentes” ou "bolo nupcial".

A bióloga também orientou que os animais não sejam incomodados, mesmo quando apresentam um possível comportamento reprodutivo. Além de provocar uma reação defensiva, a aproximação pode interferir no comportamento natural da espécie.

Ainda segundo Luiz Eduardo, as fêmeas podem gerar cerca de 30 a 40 filhotes com sêmen de diferentes machos . Outra curiosidade é que não há cuidado parental entre as cobras .

"Depois que uma sucuri pare os filhotes, ela vai embora, ninguém cuida deles. Geralmente, elas dão à luiz muitos filhotes para que algum possa chegar à fase adulta. Os únicos grupos que cuidam de filhotes são mamíferos e aves", explicou.

Ele afirmou ainda que o grande número de filhotes se deve ao fato de não haver esse cuidado. Como não há supervisão dos pais, nascem muitos filhotes para que haja a possibilidade de pelo menos um chegar à fase adulta.

Diferente do ser humano, considerado "o melhor cuidador de filhote da natureza", exemplificou. O humano dá à luz um único filhote, geralmente, porque o nível de cuidado é alto e a chance de sobrevivência é maior.

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Thursday, November 5, 2026

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