Justiça revoga prisão preventiva de Gabriel Spalone, preso em Guarulhos por suspeita de extorsão | G1
Decisão aponta dúvida sobre o caráter indevido da vantagem econômica exigida em disputa comercial envolvendo investimentos em criptoativos; empresário deverá usar tornozeleira eletrônica e cumprir medidas cautelares.
Gabriel Spalone é empresário e influenciador digital e foi preso novamente em São Paulo. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
A Justiça revogou a prisão preventiva do empresário e influencer Gabriel Spalone Alves, que está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, na Grande São Paulo , alvo de uma operação policial em 2025 contra um esquema suspeito de desviar R$ 146 milhões por meio do PIX .
A decisão é do juiz Fabio Martins Marsiglio, que determinou a adoção de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de contato com os denunciantes e seus familiares e a restrição de aproximação a menos de 500 metros deles.
Gabriel é acusado de extorsão, crime previsto no artigo 158 do Código Penal. Na decisão, o magistrado considerou que documentos apresentados pela defesa trouxeram novos elementos ao caso e apontaram uma possível controvérsia comercial entre os envolvidos sobre valores relacionados a investimentos em criptoativos.
Procurado, o advogado Eduardo Maurício, que representa Gabriel Spalone, afirmou que o processo tramita em segredo de Justiça, mas confirmou a revogação da prisão preventiva.
Em nota, o advogado classificou a decisão como assertiva e em conformidade com a lei. Segundo ele, a medida seria uma prova da inocência do empresário, que, de acordo com a defesa, nunca praticou crime de extorsão.
O advogado também afirmou que o caso decorre de uma manobra de terceiros que, segundo ele, se apresentaram como vítimas para evitar o pagamento de valores que seriam devidos legalmente ao empresário.
A defesa sustenta que o caso envolve um desacerto comercial entre as empresas Life Coin e CargoBR. Conforme a decisão judicial, Gabriel apresentou um boletim de ocorrência registrado em 11 de junho de 2026, antes da notícia-crime apresentada pelos denunciantes, em 20 de agosto de 2026.
O documento foi considerado pelo magistrado com conversas entre o empresário e o advogado Bruno Bonametti de Miranda, que representa os denunciantes e foi defensor de Gabriel anteriormente, além de relatórios técnicos apresentados ao processo.
A Justiça, porém, não declarou a inocência do empresário nem encerrou a ação penal. A decisão trata da necessidade de manutenção da prisão preventiva e afirma que a discussão sobre a existência do crime será examinada durante a instrução processual.
Spalone teve a prisão preventiva decretada em 9 de outubro e foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Osasco , na Grande São Paulo.
Ele foi preso sob a suspeita de extorquir e ameaçar dois empresários dizendo que era integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). O mandado de prisão temporária de cinco dias foi realizado por policiais civis da 1ª Delegacia Antissequestro, do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope).
Para a defesa do influenciador, "a conversão da prisão temporária em preventiva em apenas 2 dias desde a prisão demonstra a ilegalidade e a perseguição que o empresário e influencer vem sofrendo, tanto por parte da polícia e do Ministério Público".
"A defesa irá requerer a revogação da prisão preventiva e, se for o caso, impetrar habeas corpus, pois nunca existiu ameaça, extorsão e vínculo com o PCC, e ficará provada a sua inocência na instrução processual", afirmou o advogado Eduardo Maurício.
Spalone é acusado de ameaçar Marcio Eduardo Nozari e Marcel Rosica Anconi, sócios da empresa Cargobr Transportes Ltda., em meio a uma disputa envolvendo uma dívida milionária.
Segundo a acusação, após ser solto no âmbito da investigação sobre o suposto desvio de R$ 146 milhões, o influenciador passou a cobrar dos empresários uma quantia que alegava ter a receber.
Os empresários, por sua vez, alegam ter compensado a dívida com valores relacionados a outro negócio envolvendo Márcio e Spalone, que teria resultado em prejuízo financeiro.. A divergência sobre essa compensação teria motivado as cobranças.
Ainda de acordo com a denúncia, Spalone passou a ameaçar os dois empresários e o advogado deles, identificado como Bruno. O influenciador teria afirmado ser integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e ameaçado sequestrar familiares dos três caso não recebesse o dinheiro exigido.
Diante das denúncias, a Justiça de Osasco autorizou a prisão temporária do influenciador, que passou por audiência de custódia nesta sexta-feira (9). De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo, a audi foi apenas para verificar se houve alguma irregularidade no cumprimento dessa prisão. Não foram identificadas irregularidades e ele segue preso."
Ele responde processo criminal por furto qualificado e associação criminosa , justamente pelo esquema ilegal dos R$ 146 milhões investigados pela polícia de São Paulo.
🔴Difusão Vermelha, também conhecida como "lista vermelha" é um mecanismo internacional para o compartilhamento de informações de foragidos internacionais. Atualmente, a organização possui 19 bancos de dados à disposição das polícias do mundo, entre eles, de impressões digitais, perfis de DNA, documentos falsificados e obras de arte, por exemplo.
De acordo com a Polícia Federal, a prisão foi feita com apoio da Polícia Civil de São Paulo e das autoridades da Argentina, Panamá, Paraguai e Estados Unidos.
Após viajar a Dubai, ele foi detido no Panamá, mas acabou liberado por não estar na lista da Interpol. Horas depois, ele foi incluído no alerta vermelho da organização internacional, o que o fez ser preso em Buenos Aires. Depois disso, ele foi extraditado para o Brasil.
Em 2025, a Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo fez uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão e prisão temporária contra Gabriel Spalone, mas o influenciador não foi encontrado.
Ele é suspeito de participação em um esquema que desviou R$ 146 milhões via PIX de um banco e de empresas vítimas das transferências ilegais. Outras duas pessoas foram presas. Guilherme Sateles Coelho e Jesse Mariano da Silva teriam se beneficiado em quase R$ 75 milhões do esquema.
Os investigadores dizem que o esquema envolvia empresas criadas por Gabriel Spalone, que ofereciam serviços financeiros digitais, como transações de câmbio, criptomoedas e pagamentos.
Elas não tinham autorização do Banco Central para operar transferências diretas via PIX. Então, usavam o sistema de bancos ou empresas financeiras que têm autorização para realizar a operação. Esta intermediação é o chamado o PIX indireto, que é ilegal desde janeiro, quando o Banco Central endureceu regras para fintechs, como as de Gabriel.
Segundo a polícia, em fevereiro deste ano, as empresas dele realizaram em menos de 5 horas mais de 600 transferências ilegais por PIX indireto, de 10 contas de um único banco, totalizando R$ 146 milhões. O banco conseguiu identificar a fraude e recuperar R$ 100 milhões.
Policiais cumprem mandados de busca e apreensão de carros e entram em imóveis de investigados no esquema de fraude com o PIX em São Paulo — Foto: Reprodução/Divulgação
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