MPF investiga DSEI Yanomami por irregularidades em tratamento para 'bicho-de-pé' | G1
Investigação ocorre após vistoria presencial identificar problemas no estoque e na distribuição de remeédios para o tratamento do parasita no distrito sanitário local.
Mão de criança yanomami com tungíase. Foto tirada em janeiro de 2022 na comunidade Yaritobi, parte do território yanomami — Foto: Arquivo pessoal/Carla C F Rodrigues
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou, nesta quinta-feira (3), uma i nvestigação para apurar irregularidades na gestão de medicamentos usados no tratamento da tungíase , doença conhecida como bicho-de-pé , na Terra Indígena Yanomami , em Roraima.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que "não há medicamentos com validade vencida disponíveis para uso no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, conforme verificação realizada nesta quinta-feira (3)".
A investigação iniciou após uma inspeção na sede do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami. A ação verifica se a compra, o armazenamento, a rotulagem, o registro e a distribuição dos medicamentos seguem as normas.
O MPF também vai apurar suspeitas de uso de remédios com prazo de validade vencido , falhas no registro dos produtos nos sistemas oficiais de controle, se o abastecimento de medicamentos e a assistência prestada aos indígenas são suficientes.
O Dsei-YY é um órgão do Ministério da Saúde e responsável pela saúde dos povos do território Yanomami.
A portaria sobre a instigação é assinada pelo procurador da república Alisson Marugal e foi publicada no diário oficial do MPF.
A doença é causada por uma pulga fêmea , que gosta de ambientes secos e solos arenosos, e se alimenta do sangue de humanos e de animais.
O parasita entra na pele por qualquer parte do corpo que está em contato com o chão - principalmente pés, mãos e nádegas - causando, como primeiros sinais, irritação e coceira.
Uma vez dentro do corpo, o parasita, se não for retirado a tempo, coloca seus ovos na pele, e a i nfecção se alastra . As lesões causadas pela tungíase podem ser únicas ou bastante numerosas, dependendo da infestação do solo.
A Terra Yanomami é o maior território indígena do Brasil, com quase 10 milhões de hectares entre Roraima, Amazonas e parte da Venezuela. Garimpeiros atuam na região desde, ao menos, a década de 1970.
Até dezembro de 2025, o garimpo ilegal destruiu 5.564 hectares da Terra Yanomami, segundo o levantamento. A maior parte da destruição ocorreu antes de 2023, ano em que o governo federal decretou situação de emergência .
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