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Após sofrer racismo, empreendedor cria plataforma de turismo que fatura R$ 4 milhões por ano | G1

Plataforma reúne mais de 800 fornecedores de passeios, hospedagens e experiências culturais em 145 cidades. Ideia surgiu após fundador sofrer discriminação durante viagens e hoje tem operação internacional.

· 662 words

Uma caminhada pelo centro histórico de Florianópolis , Santa Catarina, revela uma cidade que vai além dos cartões-postais.

Durante o percurso, a guia de turismo e turismóloga Bia Pimentel apresenta aos visitantes histórias e personagens negros que ajudaram a construir a capital catarinense , mas que muitas vezes ficaram fora dos roteiros tradicionais.

A experiência faz parte de um mercado em expansão: o afroturismo . O segmento reúne iniciativas que valorizam a história, a cultura e a ancestralidade negra por meio de passeios, hospedagens, eventos e experiências culturais.

No caso da caminhada conduzida por Bia, o passeio custa R$ 130 por pessoa e pode ser reservado por uma plataforma que conecta turistas a empreendedores do setor em todo o Brasil.

A ideia surgiu há dez anos, depois que o empresário Carlos Humberto enfrentou situações de discriminação durante viagens e até mesmo dentro do próprio imóvel, que alugava para turistas.

Plataforma de afroturismo conecta viajantes à cultura negra e fatura R$ 4 milhões por ano — Foto: Reprodução/PEGN

Em uma das experiências, ele conta que um casal se recusou a se hospedar no local ao descobrir que o anfitrião era negro.

"Eu entendi ali não como uma dor, mas como uma oportunidade de olhar para o mercado do turismo de uma maneira a revisitar a experiência de oferta e de qualificação", afirma.

A partir dessa percepção, Carlos reuniu sócios e criou uma plataforma voltada à promoção de experiências ligadas à cultura negra . O projeto cresceu e hoje reúne mais de 800 fornecedores cadastrados, com atividades em 145 cidades e alcance internacional .

"O afroturismo é o mercado econômico dentro do turismo, desenvolvido por e com a população negra, mas que não é exclusivo para a população negra. Pelo contrário: são empreendedores negros que desenvolvem negócios de turismo, e é um mercado que se abre a qualquer pessoa", diz o fundador.

O modelo funciona como um marketplace . Guias, produtores culturais, hospedagens e operadores turísticos anunciam seus serviços na plataforma, enquanto a empresa realiza a curadoria das experiências e recebe uma comissão sobre as vendas.

Segundo Haroldo Nascimento, diretor comercial e de marketing, a seleção dos parceiros é uma das etapas mais importantes do negócio.

"A curadoria é a parte mais importante hoje do nosso negócio. A gente olha para a qualidade do anúncio, para o roteiro e também para o guia que está fazendo essa experiência", explica.

O trabalho trouxe resultados financeiros expressivos. Atualmente, a empresa fatura cerca de R$ 4 milhões por ano, mantém uma equipe de 30 pessoas e acaba de abrir seu primeiro escritório fora do Brasil, em Portugal . A operação atende viajantes em 18 países.

Além dos números, os fundadores destacam o impacto social da iniciativa. A proposta é ampliar o acesso a histórias que muitas vezes foram invisibilizadas e, ao mesmo tempo, gerar renda para profissionais que atuam na preservação e divulgação desse patrimônio cultural.

Em Florianópolis, Bia afirma que a plataforma ajudou a ampliar o alcance do seu trabalho. "Através dessa plataforma a gente conseguiu centralizar os nossos tours, diversificar as opções de produtos e serviços e ampliar principalmente o público-alvo", diz.

Para Carlos, o objetivo vai além do turismo. "Mais que o resgate, a ideia é abrir esse conhecimento ao mundo. Um conhecimento que muitas vezes foi invisibilizado, foi camuflado e ficou restrito somente a pessoas negras."

A engrenagem do negócio é simples: a história vira roteiro, o roteiro entra na plataforma e a plataforma conecta o público a quem preserva e conta essas narrativas.

O resultado é um ecossistema que movimenta guias, artesãos, músicos, cozinheiros e pequenos empreendedores em diferentes regiões do país, transformando ancestralidade em oportunidade econômica.

“Viajar sem medo é o exercício de uma liberdade, de você poder se sentir seguro para experimentar, vivenciar experiências que vão te transformar, que vão te trazer inspirações", finaliza Carlos Humberto.

📍 Endereço: Av Angélica, 2925, 9 andar, Consolação, São Paulo /SP

📧 E-mail : carloshumberto@diaspora.black

📍 Endereço: Praça XV de Novembro, 227, Centro, Florianópolis/SC

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Friday, October 16, 2026

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