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Sunday, September 27, 2026

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Sorri Bauru: 50 anos transformando vidas como a de Vitória | G1

Criada em 1976 para a reabilitação de pessoas com deficiência, a instituição evoluiu para um complexo de saúde e inclusão que transforma trajetórias no interior de SP.

· 831 words

Quantas histórias cabem em 50 anos? Entre as milhares de trajetórias que se cruzam com o meio século da Sorri em Bauru (SP) está a de Vitória Cândido.

Há um ano, ela tratava as sequelas de uma tentativa de feminicídio na instituição; hoje, recomeçou a vida trabalhando na lanchonete do próprio local.

Ao completar 50 anos de fundação, no dia 25 de setembro, a entidade celebra sua consolidação como um dos principais polos de reabilitação, inclusão profissional e assistência à saúde no interior paulista.

Há um ano, a rotina de Vitória na Sorri era de intensas sessões de fisioterapia e fonoaudiologia. Fragilizada física e emocionalmente, a jovem buscava no local uma chance de reconstrução. Hoje, a rotina dela continua na instituição, mas do outro lado do balcão: superou a fase de reabilitação e foi contratada para trabalhar no local.

"Para mim é uma honra, porque eu estou trabalhando hoje com os profissionais que cuidaram de mim", afirmaVitória.

Após uma tentativa de feminicídio, Vitória Cândido foi paciente da Sorri Bauru e hoje é funcionária — Foto: TV TEM/Reprodução

O ponto de partida dessa rede de acolhimento começou em 1976, quando Bauru tinha apenas 155 mil habitantes, frente aos mais de 390 mil atuais, segundo dados do IBGE.

Na época, o pesquisador norte-americano Thomas Frist, de 31 anos, pós-graduado em Saúde Pública pela Universidade de Yale, chegou ao município a convite da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para estudar o programa de combate à hanseníase. Da percepção de que era preciso ir além do tratamento médico e promover a reintegração social dos pacientes, nasceu a Sorri.

Thomas Frist fundados da Sorri Bauru — Foto: TV TEM/Reprodução

"Tenho muito orgulho de ter fundado a Sorri, mas são as outras pessoas que melhoraram muito os serviços e a expandiram", afirmou Thomas.

Com dois anos de existência, a instituição firmou parceria com a Secretaria de Promoção Social — atual Secretaria Municipal de Assistência Social — para estruturar as ações de amparo à sociedade.

A sede própria foi construída em 1981, em um terreno doado conjuntamente pela prefeitura e pela antiga Fundação Educacional de Bauru (hoje Unesp).

Sorri Bauru completa 50 anos — Foto: TV TEM/Reprodução

Nas cinco décadas seguintes, o trabalho se expandiu para múltiplas frentes. Em 2007, a instituição inaugurou a Oficina Ortopédica para a confecção própria de próteses, órteses e palmilhas sob medida. Renato Busnardo, coordenador de tecnologia assistiva, explicou à TV TEM que hoje as peças são produzidas em 3D.

"Hoje nós fazemos as próteses sob medida em 3D. Realizamos o escaneamento do coto, que é lançado para um software no qual fazemos toda a confecção, como se fosse na época do gesso. Depois de feitas essas correções, encaminhamos esse equipamento para um setor de fabricação, onde são confeccionados os encaixes, e depois fazemos as provas e a entrega dos equipamentos", explicou.

É nesse espaço que a história da Sorri se cruza com a de Agno Carlos, que frequenta a instituição desde 2005. Ele começou o atendimento na oficina ortopédica por precisar de uma órtese para melhorar a função do pé direito, em decorrência de uma má-formação de nascença.

Após um período de alta, em 2020, Agno precisou retomar o atendimento ao ter o pé amputado em um acidente de trabalho. Hoje, ele utiliza uma prótese desenvolvida na própria oficina ortopédica e recuperou a autonomia. Agno relatou que, no momento da amputação, enfrentou episódios de depressão, e todo o acolhimento recebido na instituição lhe deu forças para se recuperar e atuar hoje como voluntário.

Agno Carlos foi paciente e hoje atua como voluntário na Sorri Bauru — Foto: TV TEM/Reprodução

"No começo, a fase de adaptação após a amputação foi um pouco difícil. Mas a partir do momento em que vim para a Sorri fazer fisioterapia, tive aquela alegria participando dos projetos socioculturais. A alegria voltou, a depressão foi embora. Como voluntário, a gente observa outros usuários passando pelo mesmo processo que eu, um processo de recuperação e superação", compartilhou Agno.

Mais recentemente, a Sorri assumiu a gestão do primeiro Centro TEA do interior paulista, passou a administrar Unidades de Saúde da Família (USF) no município e projeta o lançamento de uma "Cidade Sensorial", voltada à estimulação e ao desenvolvimento de pessoas no espectro autista.

Luis Fernando Maximino Bento hoje é diretor executivo da Sorri Bauru — Foto: TV TEM/Reprodução

O diretor-executivo da Sorri, Luis Fernando Maximino Bento, explicou que o maior objetivo de toda a equipe é preservar a missão da instituição e cuidar dos pacientes com amor e acolhimento.

"O mais desafiador é as pessoas não perderem a essência da Sorri, a nossa missão. A Sorri olha muito para o lado humano. Então, qual é o seu objetivo de vida ou o da sua família? É a partir desse objetivo que é traçado o plano do usuário aqui dentro da Sorri", disse.

Funcionários e pacientes no início da Sorri Bauru — Foto: TV TEM/Reprodução

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