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Pesquisadores iniciam sondagem para mapear área com terras raras em RR | G1

As perfurações vão coletar amostras em diferentes profundidades para identificar a concentração dos elementos químicos no Complexo Barreira, em Caracaraí.

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Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima ( UFRR ) iniciaram os trabalhos de sondagem no Complexo Barreira, em Caracaraí , no Sul de Roraima, para mapear o tamanho da área com presença de minérios e quantificar a concentração de terras raras . Os dados vão ajudar a determinar se o local pode ser classificado como jazida .

Entenda: Jazida é uma área geológica que contém um depósito natural de elementos minerais ou fósseis com valor econômico.

A primeira campanha de sondagem começou na quinta-feira (8). A etapa consiste em perfurar o solo em diferentes profundidades para retirar amostras de rochas e argilas do subsolo, que serão analisadas pelos pesquisadores.

A região é estudada desde 2025 por pesquisadores da UFRR, que identificaram rochas e argilas com alta concentração de terras raras , elementos essenciais para o setor de tecnologia. A Universidade de São Paulo ( USP ) também pesquisa o material . Entenda mais abaixo .

🔎 Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos usados na fabricação de baterias, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Apesar do nome, elas não são necessariamente escassas , mas são difíceis de separar e processar porque têm propriedades químicas muito parecidas .

Complexo Barreira, em Roraima, inicia processo de sondagem para mapeamento de terras raras. — Foto: Luiz de Matos/Rede Amazônica

A sondagem é feita com uma máquina equipada com uma broca oca, que perfura o solo e retira cilindros de terra e rocha, chamados de testemunhos de sondagem . A partir da técnica é possível identificar em quais profundidades os elementos ocorrem e como eles estão distribuídos no subsolo.

Antes, as análises eram feitas com amostras retiradas de trincheiras abertas em diferentes pontos do Complexo Barreira, com profundidades de até 15 metros. Agora, a sondagem permite coletar amostras desde poucos centímetros abaixo do solo até profundidades superiores a 100 metros .

Segundo o pesquisador da UFRR Carlos Eduardo Lucas Vieira, doutor em geociências que atua na pesquisa desde o ano passado, o trabalho em campo permite mapear as camadas do subsolo.

"Nós vamos com uma perfuratriz, vamos fazer furos no terreno e recuperar um cilindro de amostras. Pode ser [amostra] de solo, pode ser de rocha. A partir dessas amostras, nós temos condições de montar depois um perfil do solo e [saber] a cada profundidade que a gente conseguiu alcançar, o que tem de material geológico", explicou Carlos Eduardo.

Máquina usada durante processo de sondagem no Complexo Barreira, no Sul de Roraima. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

A quantificação é necessária para determinar se a área pode ser classificada como jazida. Para isso, os pesquisadores precisam comprovar o volume de material e a concentração dele.

"Esse passo é fundamental [...] porque, na geologia, para algo poder ser chamado de jazida, precisamos ter esse tipo de quantificação. Se não tiver essa quantificação, a gente não consegue dizer se é uma [jazida] ou não", destacou Carlos.

Após a coleta no campo, parte do material é examinada no próprio local e outra parte segue para o laboratório. A equipe avalia características físicas como a textura, o tamanho dos grãos do solo e a presença de matéria orgânica.

Caso os testemunhos cheguem úmidos ao laboratório, eles passam por estufas de secagem antes das análises. O trabalho pode durar até cerca de três meses , dependendo da quantidade de amostras coletadas.

Trincheira na pesquisa de terras raras no interior de Roraima. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR/Arquivo

A geóloga Luíza Thomé, responsável técnica pelo processo, explica que as análises em laboratório permitem identificar os minerais com mais precisão.

"A análise no laboratório é um processo mais rápido, mas a gente também fica verificando os minerais na lupa e fazendo lâmina [...] quando fazemos a laminação desse material, levamos para o microscópio para fazer a mesma descrição, só que mais detalhada, identificando de fato os minerais", afirmou.

Geólogas Gisela Petri e Luiza Thomé (da esquerda para a direita), que atua nas pesquisas da UFRR no Complexo Barreira. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

Para identificar características que não podem ser vistas a olho nu, as duas pesquisadoras utilizam dois métodos de análise em laboratório. A microscopia eletrônica de varredura, que ajuda a identificar os elementos químicos presentes nas amostras, e a difração de Raios X, que permite analisar a estrutura dos minerais.

"O que não conseguimos ver [a olho nu], colocamos em equipamentos de análise. A partir do hábito cristalino, junto com a análise química, conseguimos confirmar qual mineral é", explicou a geóloga Gisela Petri, mestranda da UFRR que pesquisa elementos terras raras na região.

Os pesquisadores vão registrar os resultados em relatórios técnicos para cada perfuração no terreno. As informações serão reunidas em um banco de dados, que permitirá comparar os resultados de amostras coletadas a quilômetros de distância e criar um modelo 3D da área.

Com o mapa, os pesquisadores poderão estimar o volume de material mineral presente na área e avaliar o potencial para exploração econômica no estado.

Professor da USP Henrique Eisi Toma analisa terras raras em Roraima. — Foto: Tiago Côrtes/g1 RR/Arquivo

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) também estudam amostras de argila coletadas no Complexo Barreira. A equipe desenvolveu em laboratório uma técnica inovadora para separar as terras raras presentes no solo da regi

Na USP, os cientistas usaram nanotecnologia para separar os elementos presentes nas argilas. Após o sucesso da técnica no laboratório, o objetivo é implementar o método em campo, onde fica o Complexo Barreira.

O processo utiliza nanopartículas magnéticas preparadas para se ligar especificamente a determinado elemento presente em uma solução. Elas funcionam como “capturadores”. Depois que o elemento se prende às partículas, um ímã é usado para retirá-las da mistura . Em seguida, as nanopartículas são colocadas em um meio com acidez controlada, que libera a terra rara separada .

Sem nanotecnologia, o processo para identificar as terras raras seria submetido a um tratamento químico, que dissolve o mineral em ácidos. Esse método gera vapores e resíduos poluentes nocivos. O processo exigiria lidar com materiais radioativos, com necessidade do uso de roupas e reatores especiais devido aos riscos à saúde dos trabalhadores. Porém, a técnica da USP, deve tornar isso mais seguro .

A amostra para análise de terras raras são retiradas de trincheiras em setembro de 2026. — Foto: Tiago Côrtes/ g1RR/Arquivo

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Saturday, October 10, 2026

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