Veja os temas que marcaram a campanha eleitoral ao Governo do AM | G1
Ao longo de 45 dias, os candidatos discutiram e apresentaram propostas voltadas à mudanças na legislação para garantir a exploração mineral no estado, além de projetos voltados à educação e saúde.
Candidatos ao Governo do Amazonas em 2026. — Foto: Reprodução/DivulgaCand
A campanha para o Governo do Amazonas chegou à reta final com uma disputa marcada por propostas para enfrentar problemas históricos do estado, como a dificuldade de transporte entre os municípios, a dependência da navegação pelos rios, a precariedade de serviços públicos no interior e a necessidade de criar novas alternativas para a economia.
Ao longo de 45 dias, os candidatos também levaram para os debates e atos de campanha temas que atingem diretamente a população, como saúde, educação, segurança pública, além de problemas ambientais como queimadas, fumaça de incêndios que afetam a qualidade do ar, cheias e secas. Mudanças na legislação para permitir a exploração mineral no estado também estiveram no centro das discussões.
Sete candidatos disputam o Governo do Amazonas nas eleições deste ano: Omar Aziz ( PSD ), Professora Maria do Carmo ( PL ), Roberto Cidade (União), Cabo Daciolo (Mobiliza), David Almeida ( Avante ), Gilberto Vasconcelos (PSTU) e Isael Munduruku (Federação PSOL/ Rede ).
O g1 realizou um levantamento a partir de entrevistas, debates, atos de campanha e publicações dos candidatos nas redes sociais para fazer um balanço dos temas que dominaram a disputa.
A economia ganhou espaço na campanha, principalmente nas discussões sobre a dependência do Amazonas a Zona Franca de Manaus e a busca por novas atividades que possam gerar emprego e renda. A exploração mineral foi um dos pontos que mais provocaram discussões, com propostas de mudanças na legislação para ampliar a atividade no estado, incluindo a exploração de terras raras.
A geração de emprego apareceu em propostas como programas de primeiro emprego, estágio remunerado e iniciativas relacionadas à reciclagem. As discussões econômicas também foram acompanhadas por críticas entre os adversários sobre medidas adotadas em gestões anteriores, empreendimentos privados e decisões tomadas ao longo da trajetória política dos candidatos.
Outro problema que atravessou a campanha foi a dificuldade de chegar ao interior do Amazonas. A realidade de um estado onde muitos municípios dependem quase exclusivamente do transporte fluvial levou a BR-319, que liga o Amazonas a Rondônia, para o centro das discussões sobre infraestrutura.
Nesse tema, todos os candidatos que participaram de debates e sabatinas defenderam que a estrada precisa ser pavimentada, com divergências sobre como se dará o processo.
Os candidatos também apresentaram propostas para ampliar a estrutura aeroportuária e melhorar o transporte pelos rios. As dificuldades enfrentadas durante os períodos de cheia e seca reforçaram esse debate.
A dragagem de rios e outras medidas para reduzir o isolamento das cidades apareceram como alternativas apresentadas pelos candidatos para lidar com os efeitos dos extremos climáticos.
Isolamento, atoleiros e os desafios de quem ainda depende da BR-319 — Foto: Reprodução/Rede Amazônica
Na saúde, um dos principais pontos de discussão foi o tempo de espera enfrentado por pacientes que precisam de atendimento pela rede pública. A fila do Sistema de Regulação Nacional (SisReg) foi citada durante a campanha e chegou a ser chamada por candidatos de “fila da morte”.
As propostas para a área incluíram construção e reforma de hospitais e maternidades, ampliação do atendimento no interior e valorização dos profissionais da saúde. O debate também colocou em evidência a dificuldade de levar serviços especializados para municípios distantes de Manaus.
A educação seguiu caminho parecido. Os candidatos defenderam a ampliação de escolas de tempo integral, melhorias na estrutura das unidades e valorização dos trabalhadores da área. O atendimento a pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) também apareceu nas propostas, com a defesa de equipes especializadas e capacitação de profissionais.
O desempenho dos estudantes amazonenses foi usado como argumento nas críticas feitas durante a campanha. Segundo o Ranking de Competitividade dos Estados 2025, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), o Amazonas teve a menor média de notas do Enem entre os 27 estados , com 505,3 pontos. O dado é referente ao desempenho dos estudantes no exame de 2024.
A segurança pública foi outro tema constante nos discursos. O combate ao tráfico de drogas, ao crime organizado e ao garimpo ilegal apareceu associado a propostas de aumento do efetivo, valorização dos profissionais e ampliação do uso de tecnologia pelas forças de segurança.
Os rios também entraram nessa discussão. Os candidatos defenderam diferentes medidas para reforçar a fiscalização e o policiamento em áreas consideradas estratégicas, incluindo a ampliação de bases de segurança em pontos da malha fluvial do estado.
A fumaça que atingiu Manaus e outras cidades do Amazonas durante o período eleitoral colocou as questões ambientais no centro da campanha. O debate passou por queimadas, desmatamento, fiscalização, garimpo ilegal e mudanças climáticas.
A discussão também se voltou para o desafio de conciliar a preservação da floresta com a criação de novas atividades econômicas. Nesse ponto, os candidatos apresentaram propostas diferentes sobre exploração de recursos naturais, fiscalização ambiental e desenvolvimento sustentável.
Fumaça na Zona Sul de Manaus. — Foto: Rede Amazônica
Com o avanço da campanha, as propostas passaram a dividir espaço com críticas e ataques entre os candidatos. O movimento ficou mais intenso nas duas semanas que antecederam o primeiro turno, quando ações de governos anteriores, decisões das administrações estadual e municipal e posicionamentos políticos dos adversários passaram a ocupar parte significativa dos discursos.
Além dos temas que dominaram os debates, cultura, turismo, saneamento e habitação também apareceram ao longo da campanha, mas com menos frequência.
No conjunto, a disputa pelo Governo do Amazonas foi marcada pela tentativa dos candidatos de apresentar respostas para problemas que ultrapassam Manaus e atingem principalmente quem vive no interior: a dificuldade de deslocamento, o acesso a serviços de saúde e educação, a segurança nos rios e comunidades, os efeitos das cheias e secas e a busca por alternativas econômicas para reduzir a dependência de poucos setores.
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