Tsunami azul: o tamanho da vitória democrata nos EUA | G1
Opositores de Donald Trump tomaram controle da Câmara e do Senado em vitória com ampla margem. Democratas conquistaram espaço em redutos republicanos.
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos , na terça-feira (3), já é marcada por números históricos. O partido ampliou a presença no Congresso, conquistou governos estaduais e avançou até em redutos tradicionalmente republicanos.
Os resultados redesenham o mapa político americano, com conquistas que não eram vistas há décadas. Também representam uma derrota importante para o presidente Donald Trump, que terá que lidar com uma oposição fortalecida nos próximos dois anos de mandato.
Da mudança no voto popular a recordes eleitorais em diferentes regiões do país, veja os números que ajudam a dimensionar o resultado das urnas.
Até a publicação desta reportagem, o placar da apuração estava da seguinte forma:
A vitória dos democratas nos Estados Unidos — Foto: Gui Sousa/Arte g1
Um dos sinais mais expressivos da mudança de cenário político está no voto popular para a Câmara. Com 89% dos votos apurados, os democratas somavam 59,6 milhões de votos, o equivalente a 54,98% do total. Os republicanos tinham 47,2 milhões, ou 43,56%.
O resultado representa uma virada em relação à eleição presidencial de 2024. Naquele ano, Trump recebeu 77,3 milhões de votos, ou 49,8% do total, enquanto Kamala Harris teve 75 milhões, equivalentes a 48,3%.
Na disputa presidencial, portanto, os republicanos terminaram 1,5 ponto percentual à frente. Agora, nas eleições para a Câmara, os democratas abriram uma vantagem de aproximadamente 11,4 pontos percentuais.
A comparação precisa levar em conta que as eleições de meio de mandato costumam ter participação menor do que as presidenciais. Ainda assim, o comparecimento também foi expressivo.
Mais de 62 milhões de americanos votaram antecipadamente, antes do dia 3 de novembro, segundo dados da Universidade da Flórida. O levantamento também indicava uma vantagem democrata entre os votos depositados antes do dia da eleição.
O candidato democrata ao Senado pelo Texas, nos Estados Unidos, James Talarico, durante campanha na cidade de Dallas, em 29 de outubro de 2026. — Foto: Mike Segar/ Reuters
As pesquisas já apontavam um cenário favorável aos democratas, mas a dimensão das vitórias foi além do esperado. O partido avançou em diferentes regiões do país e conquistou espaços em estados tradicionalmente republicanos.
No Texas, os democratas conquistaram duas vitórias históricas: elegeram o primeiro senador e a primeira governadora democrata pelo estado em mais de 30 anos.
No Kansas, outro reduto republicano, o partido elegeu um senador democrata pela primeira vez em 94 anos. Em 2024, Trump havia vencido o estado por mais de 16 pontos percentuais.
O avanço também aparece em um levantamento da Reuters. A agência analisou cerca de 2.200 condados com apuração avançada e constatou que os republicanos perderam participação nos votos em 99% deles, na comparação com o desempenho de Trump na eleição presidencial de 2024.
A derrota republicana também é histórica pela dimensão da mudança no Congresso. Pela primeira vez em 20 anos, um presidente republicano perdeu o controle das duas Casas em uma eleição de meio de mandato. A última vez havia sido em 2006, durante o governo de George W. Bush.
A perda de espaço no Legislativo representa um obstáculo para Trump nos dois últimos anos de mandato.
Com os democratas fortalecidos, o presidente terá de negociar com uma oposição que ganhou poder para influenciar a agenda do Congresso e fiscalizar o governo.
A insatisfação com os republicanos também apareceu nas disputas estaduais. Pela primeira vez em 16 anos, os democratas vão governar a maioria dos estados americanos.
O partido também conquistou nove dos dez estados mais populosos do país. A Flórida foi a única exceção: será governada por um republicano. Mesmo no estado, porém, a vitória republicana ficou abaixo do que as pesquisas projetavam.
Democratas de Nova York comemoram vitória nas midterms de 2026 — Foto: Jeenah Moon/Reuters
Uma pesquisa de boca de urna da Associated Press, realizada com cerca de 80 mil eleitores nos 50 estados, ajuda a explicar parte do resultado.
O levantamento apontou que os eleitores com menos de 30 anos tinham menos probabilidade de votar em candidatos republicanos à Câmara. Entre os jovens, também era maior a parcela dos que disseram ter votado para o Congresso como forma de demonstrar oposição ao presidente.
O mesmo movimento apareceu entre os eleitores hispânicos, que demonstraram menor apoio aos candidatos republicanos em comparação com o desempenho de Trump em 2024.
A pesquisa também mostrou que economia e democracia estavam entre as principais preocupações dos americanos.
O custo de vida e a corrupção no governo tiveram peso importante na decisão dos eleitores.
Além disso, muitos defenderam que o Congresso exerça um papel mais firme de fiscalização do presidente.
Apesar de os democratas terem uma pequena vantagem em temas como economia e corrupção, a pesquisa indicou que o partido ainda não é muito mais popular do que o republicano entre os americanos.
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