MPRJ denuncia 22 por máfia das cantinas em presídios do RJ | G1
Segundo os promotores, a ‘organização criminosa controlou, por quase 10 anos, a exploração comercial das cantinas instaladas em unidades prisionais do RJ’.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) iniciou nesta terça-feira (1º) a 2ª fase da Operação Snack Time , contra a “máfia das cantinas” em presídios fluminenses . Entre os investigados estão um ex-subsecretário estadual que já foi preso e um policial penal.
Segundo o MPRJ, o grupo manipulava processos de licitação e chegou a arrematar 95% dos lotes em uma disputa. “O prejuízo causado pelo esquema aos cofres públicos é superior a R$ 25 milhões ”, afirmou o órgão.
Promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) saíram para cumprir mandados de busca e apreensão contra 22 alvos . Todos foram denunciados pelo Gaeco por organização criminosa e fraude em licitação , e a 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa aceitou a denúncia, tornando-os réus , e expediu os mandados.
As buscas são realizadas em endereços na capital e nos municípios de Mesquita e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
MPRJ apreende joias e dinheiro na Operação Snack Time — Foto: Divulgação/MPRJ
Segundo os promotores, a organização criminosa controlou, por quase 10 anos , as cantinas instaladas em unidades prisionais do RJ.
“As investigações revelaram que o grupo operou a ‘máfia das cantinas’ durante 9 anos, entre 2015 e 2024, por meio de manobras para eliminar a concorrência nas licitações para administrar os espaços”, afirmou o MPRJ.
“De acordo com a denúncia, diversas empresas aparentemente concorrentes nos certames eram, na verdade, submetidas a um mesmo centro decisório . O objetivo era aparentar competitividade e, ao mesmo tempo, impedir o ingresso de concorrentes externos no mercado de exploração comercial das cantinas de presídios estaduais”, explicou o órgão.
“A ação penal aponta que a organização criminosa era controlada pelos denunciados Anderson Sabino de Oliveira , Ronaldo Barbosa Souza (que é policial penal), Arildo Santana Filho , Sérgio Rômulo Ferreira do Nascimento , Leandro Rodrigues Mendonça e Alexandre Costa da Silva ”, afirmou o MPRJ.
Na casa de Ronaldo, o Gaeco apreendeu joias e dinheiro em espécie.
“Com poder decisório na organização criminosa, eles acertavam previamente a distribuição dos lotes de cantinas entre as empresas do grupo”, prosseguiu.
O Gaeco acrescentou haver “manobras para desclassificar eventuais vencedores que não integravam o esquema”.
“Para tanto, valiam-se de agentes públicos, como o então subsecretário de Gestão, Finanças e Planejamento, Rafael Rodrigues de Andrade — também denunciado — que, para favorecer o esquema, desclassificou sociedades empresárias que não participavam do cartel ”, detalhou.
Já a 1ª etapa da Operação Snack Time foi deflagrada em novembro de 2024 . O MPRJ cumpriu 4 mandados de busca e apreensão.
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