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Abstenção eleitoral em Uberlândia foge do padrão histórico | G1

Comportamento dos eleitores faltosos de Uberlândia entre o 1º e o 2º turno não segue o mesmo padrão. Em alguns pleitos, milhares de pessoas voltaram às urnas para a votação decisiva; confira o gráfico.

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Em Uberlândia, o 2º turno de 2022 teve menos faltosos que primeiro; uma inversão histórica — Foto: Fabiane de Paula/ SVM

O segundo turno nem sempre repete o comportamento observado na primeira votação. Em Uberlândia , as eleições gerais dos últimos 24 anos mostram que a participação do eleitorado oscilou entre uma etapa e outra , revelando momentos de maior mobilização política e períodos em que a abstenção cresceu justamente na decisão final. Veja o gráfico mais abaixo.

Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disponíveis a partir de 2002 e reunidos pelo g1 , permitem acompanhar como os eleitores uberlandenses se comportaram entre o primeiro e o segundo turno das eleições. A análise mostra que não existe uma tendência única: em alguns pleitos, a reta final da disputa estimulou a participação, enquanto em outros o número de faltosos aumentou.

Contudo, em 2022, existe uma i nversão no patamar dos índices de abstenções entre os turnos . Pela primeira vez na história, a segunda etapa de votação teve menos percentual de faltosos que o primeiro dia de votação em eleições gerais.

O comportamento chama atenção justamente por romper uma dinâmica observada em outros pleitos, quando o segundo turno não foi capaz de manter o mesmo nível de engajamento registrado no primeiro domingo de votação.

Apesar disso, em 2026, Uberlândia registrou o ápice histórico de ausentes no primeiro turno , com 20,46% do eleitorado que não compareceu às urnas.

A história da participação eleitoral não se encerra no primeiro domingo de votação. É possível identificar que a relação dos uberlandenses com o voto mudou ao longo das últimas seis eleições gerais e o segundo turno influenciou a participação popular na maior cidade do Triângulo Mineiro.

O gráfico mostra uma diferença contínua e proporcional entre os ausentes dos dois turnos em 2002 e 2006 . Entretanto, em 2010, o índice de faltosos foi muito maior no segundo dia de votação. Apesar disso, nos dois pleitos seguintes, a taxas de abstenções entre os dois turnos se aproximam. Já em 2022, a porcentagem de eleitores que não compareceram às urnas no segundo turno é bem menor diante do primeiro turno.

Abstenção pode ser um perigo à democracia, diz especialista

Apesar da redução da taxa de abstenção em Uberlândia no segundo turno de 2022 em relação ao primeiro, o índice de faltosos nas Eleições 2026, no último dia 4, ultrapassou os 20% . Em todo Brasil, 21,08% dos eleitores não compareceram para votação . No cenário nacional, são quase 33,5 milhões de eleitores .

Em agosto, a dois meses do primeiro turno das Eleições 2026, o g1 publicou uma série de reportagens sobre o perfil do eleitorado de Uberlândia com análises de especialistas sobre as mudanças. Um dos assuntos abordados foi sobre abstenções, votos nulos e brancos na cidade durante os últimos pleitos gerais.

A pesquisadora Alecilda Oliveira já alertava sobre o crescimento das abstenções.

"Esse dado mostra uma democracia participativa em erosão. É um processo que precisa ser observado com atenção."

Segundo ela, os números podem refletir um fenômeno mais amplo de descrença na política. "Existe um sentimento antipolítica que vem crescendo há anos. Isso ajuda a explicar por que parte das pessoas deixa de enxergar valor na participação eleitoral", afirmou Alecilda Oliveira.

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Wednesday, October 21, 2026

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