Justiça mantém preso policial civil suspeito de forjar apreensão ao 'plantar' droga; dois agentes seguem foragidos | G1
Rafael Egg Macedo passou por audiência de custódia nesta terça-feira (15). Corregedoria aponta indícios de que agentes forjaram apreensão de maconha durante cumprimento de mandado na Pampulha.
A Justiça manteve preso, nesta terça-feira (15), o policial civil Rafael Egg Macedo, suspeito de forjar uma apreensão ao "plantar" um tablete de maconha em uma casa durante uma operação na Região da Pampulha, em Belo Horizonte .
Rafael passou por audiência de custódia nesta manhã. Ele e os investigadores Rodrigo Otávio Andrade e Ana Luiza Guimarães Carvalho tiveram a prisão preventiva decretada nesta segunda-feira (14). Os outros dois policiais seguem foragidos. A defesa de Rafael e de Rodrigo negam a participação deles no crime.
A decisão que determinou as prisões aponta a suspeita de que os agentes tenham usado a atuação no combate ao tráfico de drogas para introduzir entorpecentes na residência, praticar violência contra os abordados e produzir registros oficiais que não corresponderiam ao que aconteceu durante a operação.
O documento também cita a "gravidade concreta" do suposto uso da função policial para a prática e o encobrimento dos crimes.
Imagens dos policiais civis Ana Luiza Guimarães Carvalho, Rafael Egg Macedo e Rodrigo Otávio Andrade — Foto: Reprodução/TV Globo
Vídeos levantaram suspeita sobre apreensão
O caso aconteceu em 7 de agosto, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa de uma policial civil, na Região da Pampulha. A operação foi realizada por agentes do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc).
O filho dela, Matheus Bruno Fernandes, levou os policiais até um quarto, onde uma pistola foi encontrada dentro de uma gaveta. Ele afirmou aos agentes que mantinha a arma porque havia sido ameaçado.
A família não contesta a apreensão da arma, mas afirma que um tablete de maconha encontrado posteriormente no mesmo quarto foi colocado no local pelos próprios policiais.
A operação foi filmada pelos agentes. Nas imagens, a sapateira onde a droga seria encontrada aparece durante uma primeira vistoria sem que seja possível observar o pacote entre os calçados.
Depois, policiais retornam ao quarto e anunciam que encontraram a maconha. Matheus e o pai contestam imediatamente a apreensão e dizem que o pacote não estava no local.
As gravações passaram a fazer parte da investigação da Corregedoria da Polícia Civil.
Documento da Corregedoria aponta possíveis irregularidades no cumprimento do mandado, como a localização do tablete de maconha sem a confirmação de testemunhas e o acondicionamento da droga em uma sacola plástica.
A apuração também aponta indícios de participação dos três policiais investigados em crimes como tráfico de drogas, denunciação caluniosa, cárcere privado, falsidade ideológica e associação criminosa.
Rodrigo Otávio Andrade , chefe da equipe, teria coordenado a abordagem sem identificação prévia ou mandado de prisão e privado Matheus e o pai, Bruno Gleidson Fernandes, de liberdade;
Ana Luiza Guimarães Carvalho teria pedido que Rafael retornasse sozinho ao quarto, sem a presença de testemunhas;
Rafael Egg Macedo teria entrado na residência com um "aparente volume irregular" na perna esquerda da calça e, posteriormente, anunciado sozinho a localização da droga.
Matheus Bruno Fernandes e o pai, Bruno Gleidson Fernandes, continuam presos desde a operação.
Durante as buscas, foram apreendidos uma pistola 9 mm com kit rajada, 42 munições, rádios comunicadores e um tablete de maconha de 740,43 gramas.
Segundo a defesa, os dois são investigados por tráfico de drogas. Matheus também é investigado por posse ilegal de arma de fogo.
A defesa afirma que não questiona a apreensão da arma, mas contesta a origem da maconha encontrada no quarto.
A defesa de Rafael Egg Macedo nega a prática das condutas ilegais atribuídas ao policial e afirma que eventuais acusações precisam ser comprovadas.
A defesa de Rodrigo Otávio Andrade também nega a participação dele nos crimes investigados. A reportagem tenta contato com a defesa de Ana Luiza Guimarães Carvalho.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública não informou o paradeiro de Rodrigo e Ana Luiza, considerados foragidos.
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