Skip to content
Gigantum.net
Society

Alesp vai analisar conduta de deputado do PL que usou em balada carro com placa oficial que não consta no registro | G1

Parlamentar foi detido após se envolver em confusão causada supostamente por ele importunar mulheres em um bar do Itaim Bibi. Ele foi liberado logo depois. Um tiro foi disparado da arma do deputado e atingiu de raspão o apresentador da TV Globo Fred Bruno, do Globo Esporte de SP.

· 1,861 words

A Assembleia Legislativa do estado de São Paulo (Alesp) afirmou que o Conselho de Ética vai analisar uma denúncia contra o deputado Marcelo Aguiar (PL). Ele usou um carro com uma placa oficial da Casa, mas que não consta na lista de veículos cadastrados em seu gabinete.

O conselho foi acionado nesta segunda-feira (19) pelas deputadas estaduais Ediane Maria e Monica Seixas, ambas do PSOL. "Caberá agora ao conselho analisar a denúncia apresentada pelas parlamentares e seus desdobramentos", afirma o comunicado.

Marcelo Aguiar se envolveu numa confusão causada supostamente por ele estar assediando mulheres em uma balada. A arma do deputado disparou dentro do bar. O disparo atingiu de raspão o apresentador da TV Globo, Fred Bruno , do Globo Esporte de SP, que estava no local. Ele narrou em vídeo que ouviu o tiro e logo sentiu uma ardência muito forte no pé (veja aqui) .

Ele foi levado para a delegacia amparado por policiais, pois mal conseguia ficar de pé e liberado logo depois (veja vídeo acima) . O flagrante não foi formalizado em razão da imunidade parlamentar. Ele também não passou por exame de embriaguez.

Em nota, o gabinete do parlamentar afirmou que Aguiar estava “sob efeito de medicamentos fortes, que provocaram uma reação adversa, e acabou se envolvendo em uma discussão” no bar Santo, no Itaim Bibi, Zona Sul de São Paulo.

“A assessoria do deputado Marcelo Aguiar informa que, sobre o episódio ocorrido na noite do último domingo, o parlamentar estava sob efeito de medicamentos fortes, que provocaram uma reação adversa, e acabou se envolvendo em uma discussão”, afirmou.

“Em nenhum momento o deputado foi preso. Ele apenas prestou esclarecimentos na delegacia e foi liberado em seguida. Neste momento, o deputado está em casa e passará por consulta médica. Reitera que confia na Justiça e tem a convicção de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos no momento oportuno”, declarou a nota.

A principal hipótese da Polícia Civil é a de que o disparo tenha sido acidental, quando Marcelo caiu no chão após discutir com homens que foram tirar satisfação por ele estar importunando mulheres. Mas no registro da PM consta a informação de que o deputado atirou propositalmente, ao tentar se defender (saiba mais abaixo) .

O deputado estadual Marcelo Aguiar (PL) é amparado por policiais militares após confusão em casa noturna do Itaim Bibi, em São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo e Alesp

'Bêbado' e 'xavecando' mulheres, diz testemunha

Uma das testemunhas contou ao g1 que estava ao lado do deputado pouco antes da confusão e afirmou que viu o parlamentar "absurdamente bêbado", "xavecando", "pegando na mão", "encostando" e "tentando pegar no cabelo" de ao menos duas clientes que estavam curtindo a balada no camarote (veja no vídeo acima o que ela falou) .

"Ele [Marcelo] estava do meu lado, literalmente, mas muito, muito, muito, muito bêbado, e estava segurando uma taça de vinho. O que me chamou a atenção porque a taça de vinho estava balançando e deixando cair vinho. Acabou caindo vinho em mim", disse a testemunha, que não conhecia o parlamentar e aceitou falar com a equipe de reportagem sem se identificar.

Segundo ela, o parlamentar abordava mulheres que não demonstravam interesse nas investidas. Marcelo tem 53 anos, é casado e tem dois filhos. Sua família não estava no local, segundo policiais.

"Ele estava tentando pegar na mão de duas meninas. Aí ele tentava falar com uma menina, a menina não estava gostando e aí ela meio que pediu socorro para a mesa que ela estava", disse a testemunha. "Um dos amigos dela falou para ele parar de ficar importunando."

Deputado estadual Marcelo Aguiar (PL) é preso por disparo de arma de fogo em São Paulo. — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal/ TV Globo

Segundo a testemunha, uma amiga das mulheres que estavam sendo assediadas chegou a abraçar uma delas para evitar o toque do parlamentar. "Ele não parava de irritar as meninas."

O boletim da Polícia Militar obtido pela reportagem também registra que a ocorrência começou após o deputado ter "cantado" uma mulher que estava acompanhada de amigos. E que ele atirou em seguida.

Segundo o documento, dois amigos dela foram tirar satisfação com o parlamentar, que "se sentiu acuado e sacou uma arma de fogo e efetuou um disparo que não atingiu ninguém". Policiais registraram ainda que ele aparentava estar alcoolizado quando foi abordado.

Consultada pela equipe de reportagem para comentar o assunto, Fernanda Perregil, advogada e doutoranda em Direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, disse que poderia constar no registro policial que teria ocorrido crime de importunação sexual.

"O relato de que o indivíduo estaria 'xavecando' e segurando a mão de mulheres sem consentimento indica uma conduta que, a depender das circunstâncias, pode caracterizar assédio sexual ou importunação sexual, exigindo análise específica de cada hipótese", disse Fernanda.

A testemunha afirmou que percebeu que uma discussão iria começar quando dois ou três homens desceram para falar com o deputado.

"E aí desceram três caras ou dois caras isso eu não tenho certeza, mas desceram para falar com ele e na hora que foram falar com ele eu vi que ia dar uma confusão e me afastei."

Segundo ela, ninguém imaginava que o parlamentar estivesse armado. "Porque eu falei, meu, o cara está muito bêbado, mas jamais imaginei que ia estar armado."

A testemunha contou que viu o deputado cair e que o tiro ocorreu naquele momento. "E eu vi eles indo para cima, o cara caindo no chão, e ele caiu tipo literalmente de testa no chão, e enquanto ele caía veio o disparo. Minha amiga gritou: 'Corre, que foi tiro'."

Ela relatou ter visto que "chegaram dois caras mais fortes. Eu não sei se ele caiu de tensão ou bateram nele. Na hora que ele caiu no chão ocorreu o disparo".

Ela também afirmou que não foi possível identificar a origem do tiro no momento da confusão. E que acreditou inicialmente que alguém havia atirado no deputado. "A gente não sabia de onde partiu o tiro. Senti cheiro de pólvora. Achei que ele estivesse morto", falou.

"Eu fiquei em choque no local. Esse momento eu não olhei, só vi os caras indo para cima dele, ouvi o disparo e ele caído no chão", afirmou. "Eu olhei ele no chão, parecia morto, mas ele estava muito bêbado, por isso que estava caído. Eu imaginei que alguém tivesse atirado nele."

A pistola Glock calibre .380 do parlamentar foi apreendida para análise. Marcelo tem autorização para portar a arma. A investigação iria pedir que a arma fosse periciada para saber se o disparo foi acidental ou intencional.

Após o disparo, frequentadores tentaram deixar a casa noturna, mas encontraram dificuldades. "Não deixaram a gente sair da balada. A princípio eles queriam segurar porque, querendo ou não, a gente já tinha consumido", disse a testemunha.

Ela afirmou ainda que entrou em desespero. "Eu só queria sair dali."

Segundo ela, somente depois a saída foi liberada. "Quando eles abriram a porta para a gente sair, saíram umas 30 pessoas", disse. "Mas não foi legal pela casa também. Tivemos que implorar para sair de lá. Não liberavam a porta por causa da comanda. Uns caras ameaçaram quebrar tudo! E aí sim liberaram."

Testemunhas disseram ter ficado surpresas ao descobrir que havia uma arma dentro da balada. "Jamais iria imaginar que um cara iria entrar armado numa balada. Só sei que o cara estava com a arma dentro da balada e muito bêbado", falou a testemunha.

Ela afirmou: "Estou vendo as reportagens e eu acredito que houve muita irresponsabilidade de ele estar armado em uma balada e bêbado! Mas não acredito que ele tinha condições de sacar a arma, porque ele estava absurdamente bêbado".

Segundo o relatório da PM, o chefe da segurança informou que o deputado se identificou como parlamentar na entrada da casa noturna, não passou por revista e não informou que portava uma arma.

O deputado estadual Marcelo Aguiar (PL), de 53 anos, é um dos membros da chamada ‘bancada evangélica’ da Assembleia Legislativa do Estado de SP (Alesp). — Foto: Divulgação/Alesp

Em depoimento à Polícia Civil, Marcelo Aguiar disse que passou mal durante a permanência na balada e atribuiu o episódio aos medicamentos que havia ingerido. Ele não mencionou o consumo de bebida alcoólica.

"Que se recorda de ter se sentido mal em alguns momentos durante a sua estadia no estabelecimento, o que suspeita ser decorrente do uso de medicamentos que havia ingerido previamente", informa trecho do depoimento do deputado na delegacia.

O parlamentar afirmou ainda que ouviu o disparo. "Que, nessa ocasião, ouviu o estampido de um disparo de arma de fogo."

E declarou à polícia: "Que, caso tenha ocorrido algum disparo proveniente de sua arma, este se deu de maneira acidental".

O deputado estadual Marcelo Aguiar (PL) foi preso ao disparar arma de fogo dentro de uma balada e apresentar sinais de embriaguez. — Foto: Reprodução/TV Globo

Marcelo Aguiar (PL) é um dos membros da chamada 'bancada evangélica' da Assembleia Legislativa do Estado de SP (Alesp). Antes da confusão, ele havia participado do ato na Avenida Paulista, na região central, em prol da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência.

O carro que ele dirigia antes do disparo estava estacionado do lado de fora da balada com placas da Alesp. Como o veículo não está cadastrado como veículo oficial, ele não poderia estar com esse tipo de emplacamento .

Cantor sertanejo gospel, ele ganhou notoriedade na Igreja Renascer em Cristo, fazendo parte do ‘Renascer Praise’, grupo de música cristã ligado à igreja da Bispa Sonia Hernandes e do marido dela, Apóstolo Estevam Hernandes. Os maiores hits dele são “Me dá poder de filho” e “Eis-me aqui”.

Marcelo Aguiar foi eleito a primeira vez vereador da cidade de São Paulo em 2008, com 41.506 votos pelo partido PSC. Dois anos depois, em 2010, ele se tornou deputado federal com 98.842 votos, mas, nas eleições seguintes, não conseguiu retornar ao parlamento federal.

A casa noturna Santo informou que está colaborando com as investigações da polícia.

O deputado estadual Marcelo Aguiar (PL), de 53 anos, é um dos membros da chamada 'bancada evangélica' da Alesp — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Procurada pela reportagem, a assessoria do deputado informou:

"A assessoria do deputado Marcelo Aguiar informa que, sobre o episódio ocorrido na noite do último domingo, o parlamentar estava sob efeito de medicamentos fortes, que provocaram uma reação adversa, e acabou se envolvendo em uma discussão.

Em nenhum momento o deputado foi preso. Ele apenas prestou esclarecimentos na delegacia e foi liberado em seguida.

Neste momento, o deputado está em casa e passará por consulta médica. Reitera que confia na Justiça e tem a convicção de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos no momento oportuno."

A reportagem questionou a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo sobre a ausência de teste do bafômetro ou exame clínico para verificar eventual ingestão de álcool, sobre os relatos envolvendo abordagens a mulheres e sobre o uso de placas da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) mencionado em registros policiais. A pasta informou que apura os questionamentos para se posicionar.

Sobre a ausência do bafômetro, uma das testemunhas afirmou: "Não precisava nem. Era visível [que estava bêbado]."

Gathered from external sources. Rights to this text belong to whoever originally published it.

Tuesday, October 20, 2026

© 2026 Gigantum.net. Content gathered automatically from external sources; rights to each text belong to whoever originally published it.