Um em cada cinco veículos e recuperados em Porto Velho é clonado | G1
Capital registrou 582 apreensões de carros e motos adulterados entre 2022 e 2025. Polícia alerta para subnotificação e revela que veículos são trocados por armas e drogas na fronteira.
De cada cinco veículos roubados ou furtados que são recuperados em Porto Velho , um é clonado. É o que mostram os dados registrados pela Polícia Militar (PM) entre 2022 e 2025: de 2.845 apreensões realizadas no período, 582 envolviam o crime de clonagem veicular (cerca de 20,5%).
As ocorrências são diversas e envolvem tanto carros quanto motocicletas. Em abril, a PM recuperou um carro roubado em Porto Velho após ele ser identificado como um veículo clonado . Já em maio, uma mulher foi presa por suspeita de receptação após ser flagrada conduzindo uma motocicleta clonada , também na capital. ambos os casos foram registrados pela Polícia Militar.
Apenas no ano de 2025, 154 veículos foram apreendidos por clonagem na capital. De acordo com a Polícia Militar (PM), o ano de 2023 apresentou o maior volume de apreensões, concentrando 39,3% do total do período analisado. Já 2024 foi o único a registrar retração, representando 14,1% dos casos.
Ao g1, o titular da Delegacia Especializada em Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA), delegado Alessandro Bernardino Morey, explicou que a chamada "clonagem" geralmente ocorre depois do furto ou roubo original.
Os criminosos adulteram placa, chassi, motor ou outras identificações para esconder a origem do carro ou da moto, facilitando a circulação, a venda ou o uso em outros crimes.
“A motivação de clonar o veículo é esconder que ele foi furtado ou roubado”, resume o delegado.
Segundo Morey, “clonagem” e “dublê” são jargões populares usados para facilitar a compreensão, mas, no Código Penal, a prática é classificada como "adulteração de sinais identificadores de veículo automotor". Por isso, os números registrados especificamente como clonagem não representam a totalidade dos casos, que podem ser bem maiores do que os dados oficiais indicam.
Isso ocorre porque uma ocorrência costuma ser registrada pelo seu "crime-fim". Se um veículo adulterado for usado para cometer um homicídio, por exemplo, o caso entra no sistema de segurança pública como homicídio, mascarando a adulteração prévia.
Veículo clonado é apreendido pela Polícia Militar e condutora é presa por receptação e adulteração veicular em maio de 2026 em Porto Velho — Foto: Reprodução/ Polícia Militar (PM)
O delegado relata que muitos veículos subtraídos — principalmente caminhonetes — são levados para a Bolívia. A região de Guajará-Mirim e Nova Mamoré é apontada como a principal rota de escoamento até a fronteira, onde os carros deixam de ser mercadoria para se tornarem moeda de troca.
"Quando eles atravessam esses veículos para a Bolívia, as caminhonetes principalmente, certamente é para trocar por drogas. Na Bolívia não tem nada para oferecer além disso. São drogas e armas para as organizações criminosas", explica.
Os criminosos utilizam esses veículos para financiar o crime organizado local e contam com técnicas de adulteração cada vez mais sofisticadas. Em alguns casos, as alterações são tão bem-feitas que somente a perícia consegue atestar a fraude.
No mercado interno, muitos dos veículos adulterados (especialmente motocicletas) são anunciados em plataformas online de vendas por valores muito abaixo da tabela. O delegado alerta que os compradores devem desconfiar de preços "milagrosos", exigindo ver o veículo pessoalmente e realizando uma vistoria cautelar antes de fechar qualquer negócio, para evitar responderem pelo crime de receptação.
Para evitar os furtos que dão início a todo esse ciclo criminoso, a orientação da polícia é clara:
Sempre conferir fisicamente (puxando a maçaneta) se o veículo realmente trancou, para evitar a ação de criminosos que usam bloqueadores de sinal;
Nunca deixar a chave reserva guardada no interior do carro (como dentro do manual do proprietário);
Evitar deixar motos estacionadas na frente de casa com a chave na ignição, mesmo que por poucos minutos;
Sempre que possível, investir na instalação de rastreadores e na contratação de um seguro veicular.
Veículos apreendidos pela Polícia Militar em RO — Foto: Reprodução/ Polícia Militar (PM)
Carros com mesma placa em dois estados levam polícia a recuperar veículo roubado em RO — Foto: Divulgação/PM
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