Foragido é capturado após jantar em restaurante de luxo com namorada | G1
Yago Araujo Silva Santos, de 27 anos, é apontado como segundo chefe de grupo investigado pelo transporte de cerca de 6 toneladas de maconha do Mato Grosso do Sul para o Triângulo Mineiro. Ele era procurado pela Ficco de Uberlândia e foi preso em Campos do Jordão (SP).
Yago Araujo Silva Santos — Foto: Divulgação
Foragido da Justiça e apontado como segundo chefe de uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, Yago Araujo Silva Santos, de 27 anos, foi preso na noite de sexta-feira (28), em Campos do Jordão (SP). Ele estava acompanhado da namorada, a influenciadora de Uberlândia Lara Canut, que também é investigada pela Operação Luxury .
Segundo a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), Yago estava foragido desde a deflagração da operação, em março de 2026. Após fugir, ele e a namorada deixaram Uberlândia e passaram a viver em São Paulo usando identidades falsas para tentar esconder a localização.
Os dois foram encontrados na região central de Campos do Jordão, quando saíam de um restaurante de alto padrão. No momento da abordagem, estavam em um veículo avaliado em R$ 234 mil.
A prisão foi realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Uberlândia, em conjunto com as forças de segurança de São Paulo e do Rio de Janeiro, com apoio da Polícia Militar de São Paulo.
O g1 tenta localizar a defesa de Yago e de Lara.
Carro usado pelo casal — Foto: Divulgação
De acordo com as investigações, Yago e Lara mantinham um padrão de vida considerado incompatível com a capacidade financeira formalmente declarada.
Antes de fugirem, os dois moravam em um condomínio de alto padrão em Uberlândia e utilizavam veículos de elevado valor. A influenciadora também publicava nas redes sociais registros de viagens, inclusive internacionais, além de roupas, passeios e outros itens que indicavam um estilo de vida luxuoso.
Entre as viagens identificadas pelos investigadores está uma passagem recente pela Europa, incluindo um período em Ibiza, na Espanha.
A polícia suspeita que o padrão de vida do casal estivesse relacionado ao dinheiro obtido com as atividades criminosas atribuídas à organização.
Neste sábado (29), equipes também cumpriram buscas na residência utilizada por Yago em São Paulo. Foram apreendidos relógios, joias, roupas, acessórios e documentos, principalmente bancários. Segundo a Ficco, o material pode indicar a continuidade das atividades criminosas.
Itens de luxo apreendidos na casa do casal — Foto: Divulgação
Lara Canut também foi alvo das investigações da Operação Luxury. Ela chegou a ser detida durante a operação, mas foi liberada posteriormente.
Segundo a Ficco, a influenciadora ainda não foi indiciada. A investigação sobre a participação dela continua, entre outros motivos, porque os policiais não conseguiram acessar os celulares do casal após a fuga.
Os investigadores apuram se ela teria se beneficiado dos recursos obtidos pelo namorado por meio do tráfico de drogas e se participou da ocultação ou movimentação do dinheiro.
lara canut operação luxury uberlândia sp yago namorada influenciadora — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Conforme a Ficco, Yago ocupava uma posição de chefia na organização criminosa e exercia funções estratégicas relacionadas à logística e à movimentação financeira.
Ele é apontado como responsável por atuar na coordenação da estrutura usada para transportar grandes quantidades de drogas entre estados, além da circulação, dissimulação e ocultação de valores provenientes do tráfico.
Yago foi indiciado pela Ficco pelos crimes de tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e organização criminosa . Posteriormente, foi denunciado pelo Ministério Público pelos mesmos crimes.
Considerando as penas máximas previstas para os delitos atribuídos a ele, a soma pode chegar a 53 anos de reclusão.
Após a prisão, Yago foi levado para a Delegacia da Polícia Civil de Campos do Jordão e permanece à disposição da Justiça.
A Operação Luxury teve origem em uma investigação iniciada após a apreensão de aproximadamente 1,1 tonelada de maconha em 1º de abril de 2025, em Frutal, no Triângulo Mineiro.
A partir desse caso, os investigadores identificaram outros transportes de drogas e uma estrutura organizada para levar grandes carregamentos de maconha do Mato Grosso do Sul para outras regiões do país.
Segundo a Ficco, o grupo utilizava veículos de apoio, conhecidos como "batedores", além de propriedades rurais para descarregar e fazer o transbordo das cargas.
Ao longo da investigação, foram identificados pelo menos oito episódios relacionados a apreensões de drogas atribuídas ao grupo, que totalizaram aproximadamente 6 toneladas de maconha.
A Operação Luxury também levou à investigação de dezenas de pessoas suspeitas de integrar a organização criminosa. A Miss Uberlândia 2025, Sara Monteiro , havia sido denunciada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por suposto envolvimento no esquema.
Ao todo, a denúncia apresentada pelo MPMG envolve 38 pessoas. Segundo o órgão, o grupo atuava principalmente em Uberlândia e utilizava empresas, imóveis, veículos e contas bancárias de terceiros para ocultar recursos supostamente obtidos com o tráfico de drogas.
A investigação apontou ainda uma divisão de funções dentro da organização e mecanismos para esconder patrimônio e movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos suspeitos.
Entre os elementos reunidos estão interceptações telefônicas, análises bancárias, quebras de sigilo, documentos apreendidos, vínculos patrimoniais, registros de empresas e estudos financeiros.
Segundo a investigação, Sara integrava o núcleo financeiro da organização e seria beneficiária dos recursos movimentados pelo grupo. Ela também teria participado de atividades relacionadas à logística, comunicação e movimentação de recursos.
Com o oferecimento da denúncia, cabe à Justiça decidir se as acusações serão recebidas. Caso isso aconteça, os denunciados passam à condição de réus e responderão à ação penal.
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