Corrida pela vida: paranaense percorre mais de 600 km de avião e helicóptero para chegar a tempo de transplante de fígado | G1
Cirurgia de Azuil Gomes Teotonio durou menos de três horas e ele recebeu alta seis dias depois. Paciente estava em Foz do Iguaçu, fígado foi captado em Maringá e cirurgia foi feita em Curitiba.
Uma corrida pela vida levou Azuil Gomes Teotonio, de Foz do Iguaçu , a percorrer mais de 600 km de avião e helicóptero para chegar ao Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul , na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a tempo de receber um transplante de fígado.
O paciente, que estava na fila de transplantes desde 2025, foi chamado para o procedimento no dia 24 de agosto, depois que o órgão, captado em Maringá , foi destinado a ele. A cirurgia durou 2 horas e 38 minutos, e Azuil recebeu alta seis dias depois.
A jornada de Azuil começou com uma ligação inesperada. O fígado que seria destinado a outro paciente não pôde ser transplantado e acabou sendo direcionado a ele.
"A equipe entrou em contato comigo avisando que tinha chegado o momento do meu pai fazer o transplante. Mas o transporte não poderia ser feito de carro devido à demora, então ele foi de avião até Curitiba", explicou a filha de Azuli, Juliana Teotonio Keller.
Paciente foi levado de helicóptero do aeroporto ao hospital — Foto: Arquivo pessoal
Azuil embarcou em um voo comercial de Foz do Iguaçu com destino ao Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais .
Ele precisava estar no Hospital Angelina Caron no mesmo horário da chegada do voo, o que tornava inviável o deslocamento de carro — trajeto que levaria cerca de 40 minutos, dependendo do trânsito.
A família então procurou a Diretoria de Urgência e Emergência de Foz do Iguaçu (Diue) para pedir ajuda.
"Entrei em contato com um enfermeiro pedindo ajuda para viabilizar o transporte do meu tio do aeroporto até o hospital. Ele prontamente nos atendeu e conseguiu viabilizar o transporte por helicóptero", relata Michele Luciana Weber Pignataro Teotonio, sobrinha do paciente.
A partir deste ponto, a mobilização passou pela Coordenação de Urgência e Emergência do Paraná e chegou ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Curitiba, que articulou o serviço aeromédico em conjunto com o Núcleo de Operações Aéreas da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Ao desembarcar em Curitiba, Azuil seguiu de helicóptero, em uma aeronave da PRF, até o hospital.
"Quando a rede de urgência é acionada e todos os recursos trabalham em sintonia, cada minuto se transforma em esperança, garantindo que o paciente chegue com segurança ao tratamento cirúrgico", afirma Jayme Carriello, diretor de Urgência e Emergência de Foz do Iguaçu.
Transplante feito em menos de três horas e recuperação de seis dias
Azuli se recuperou em seis dias e teve alta — Foto: Arquivo pessoal
Quando a cirurgia começou, o fígado estava há cerca de sete horas fora do corpo do doador — tempo considerado um dos fatores decisivos para o sucesso do transplante. A equipe médica concluiu o procedimento em 2 horas e 38 minutos.
"Precisávamos realizar o transplante com muita agilidade e segurança. Conseguimos concluir a cirurgia graças à experiência da equipe, à estrutura do hospital e a uma mobilização que começou muito antes do paciente entrar no centro cirúrgico", explica o médico João Eduardo Leal Nicoluzzi, coordenador do Serviço de Transplantes do Hospital Angelina Caron.
Azuil respondeu bem à cirurgia e recebeu alta hospitalar seis dias depois do transplante.
" Ele está bem, está se recuperando e fazendo todo o acompanhamento pós-transplante agora, mas foi a cirurgia mais rápida do mundo, segundo o doutor João Nicoluzzi", disse a filha Juliana Teotonio Keller.
Paciente percorreu cerca de 600 km, de Foz do Iguaçu a Curitiba — Foto: Arquivo pessoal
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