Venda de sangue de gatos: MP denuncia veterinários em Monte Alto | G1
Eles são acusados de maus-tratos a animais e associação criminosa em Monte Alto (SP). Segundo a Polícia Civil, grupo coletava sangue de forma clandestina e vendia o material.
O Ministério Público (MP) denunciou cinco pessoas, entre elas dois médicos veterinários, por maus-tratos a animais e associação criminosa na segunda fase da investigação sobre a venda clandestina de sangue de gatos em Monte Alto (SP).
A denúncia foi confirmada ao g1 pelo delegado Marcelo Lourenço dos Santos, responsável pelas duas fases. Segundo a Polícia Civil, o grupo captava animais, fazia coletas clandestinas de sangue e depois vendia o material de forma irregular. A investigação aponta atuação em Monte Alto, São José do Rio Preto (SP), Mirassol (SP), Catanduva (SP) e região.
De acordo com o delegado, os cinco foram indiciados em um segundo inquérito, concluído na semana passada. A acusação de maus-tratos é por seis vezes, uma para cada animal envolvido.
Como a Polícia Civil não divulgou os nomes dos denunciados, o g1 não localizou as defesas até a última atualização desta reportagem. Segundo o delegado, o caso agora segue na Justiça, onde os acusados poderão se defender.
Gatos foram encontrados desacordados em clínica clandestina de coleta de sangue em Monte Alto, SP — Foto: Polícia Civil
Segundo a Polícia Civil, entre os denunciados estão uma médica veterinária de São José do Rio Preto, um médico veterinário ligado a um banco de sangue animal e um lavrador de Monte Alto. A polícia não informou o perfil dos outros dois.
Ainda de acordo com a corporação, a investigação identificou pessoas com funções diferentes no grupo, do financiamento e da coordenação até a captação dos animais e a execução das coletas. Não foi informado qual papel é atribuído a cada um.
Segundo o delegado, não houve mandados de busca e apreensão nesta fase. As provas incluem, de acordo com a Polícia Civil, laudos periciais, análise de celulares, documentos financeiros e depoimentos.
"A gente analisou extração de dados, movimentação financeira, enfim, fizemos várias conexões e descobrimos quem eram as pessoas de São José do Rio Preto, alguns veterinários envolvidos", disse o delegado.
Ainda segundo ele, a investigação concluiu que o grupo atuava de forma estável e permanente, o que, para a polícia, caracteriza a associação criminosa.
Conforme a Polícia Civil, o MP afirmou na denúncia que a atividade não era um fato isolado, mas uma prática permanente e organizada. Segundo a corporação, a promotoria considerou que isso é incompatível com benefícios previstos para infrações de menor gravidade.
Coleta clandestina de sangue de animais era feita em casa com condições insalubres em Monte Alto, SP — Foto: Polícia Civil
O caso veio à tona no início de outubro de 2025, a partir de um anúncio publicado em status de WhatsApp. O anúncio oferecia R$ 50 por gato a tutores dispostos a permitir a retirada de sangue dos animais .
A partir do anúncio, a Guarda Civil Municipal chegou a uma casa em Monte Alto. No local, os guardas encontraram um grupo de pessoas, algumas manuseando equipamentos de uso veterinário, e seis gatos desacordados. Seringas e frascos de sangue foram apreendidos, e os animais foram resgatados.
Na ocasião, três pessoas foram presas em flagrante, entre elas um estudante de veterinária. Só ele foi mantido preso após a audiência de custódia. Segundo o delegado, ele foi solto durante o processo.
Em outubro de 2025, a defesa do estudante afirmou que ele é inocente. Também disse que não há lei que proíba bancos de sangue para animais nem que criminalize, por si só, a coleta de sangue de cães e gatos com finalidade terapêutica. Segundo a defesa, até aquele momento não havia laudo técnico apontando lesão, morte ou sofrimento dos animais.
A primeira investigação já virou ação penal. Os denunciados nessa etapa viraram réus em 31 de outubro de 2025, quando a Justiça recebeu a denúncia do MP, segundo o sistema do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O processo tramita na 2ª Vara de Monte Alto. De acordo com o delegado, as acusações nesse caso também são de maus-tratos, por seis vezes, e associação criminosa.
Anúncio oferecia R$ 50 a tutores por coleta clandestina de sangue de gato em Monte Alto, SP — Foto: Reprodução/Redes sociais
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