Estudante de medicina morto em Taubaté: esposa desabafa sobre perda | G1
Em entrevista à TV Vanguarda, mulher de Bruno Hashimura, de 23 anos, relembrou a história do casal, falou sobre a dificuldade de explicar a morte do pai ao filho e pediu justiça.
A esposa de Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, falou sobre a perda do estudante de medicina, morto após ser baleado durante uma briga de trânsito em Taubaté (SP). Em entrevista à Rede Vanguarda , ela relembrou a história do casal, a família que construíram e a dificuldade de explicar ao filho que ele ficou sem o pai.
“Foi terrível. Eu nunca imaginaria que meu marido pudesse morrer de uma forma tão cruel. Foi covardia", disse Lorena Coimbra Coelho, estudante de administração e estética.
Lorena também relembrou a relação de três anos do casal e os planos interrompidos pela morte de Bruno. O casal se conheceu enquanto cursava medicina na Argentina, onde começou a namorar. Eles têm um filho.
“Bruno era tudo para mim. Ele foi o grande amor da minha vida. Ele era amoroso, carinhoso, um pai maravilhoso”, afirmou.
A esposa afirmou ainda que espera que o caso seja esclarecido e que a Justiça seja feita. “Eu só quero que tenha justiça. Eu só quero que a justiça seja feita. Só isso.”
O caso aconteceu na manhã de quarta-feira (30), na Avenida do Povo, em Taubaté. Bruno estava em um carro quando se envolveu em uma discussão de trânsito com o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira. Marcos foi preso em flagrante, mas recebeu liberdade provisória após passar por audiência de custódia.
Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, morto após briga de trânsito em Taubaté. — Foto: Cedida pela família
A dinâmica da ocorrência ainda é investigada pela Polícia Civil e há versões diferentes sobre o que aconteceu antes dos disparos.
Segundo a versão apresentada pelo bombeiro à polícia, ele acreditou estar diante de uma tentativa de assalto e atirou depois que Bruno teria avançado contra ele com um objeto que teria parecido uma arma.
Uma testemunha, porém, apresentou uma versão diferente à investigação. Segundo ela, Marcos teria saído do carro, quebrado o vidro do veículo de Bruno com cotoveladas e efetuado os disparos sem que o estudante tivesse feito uma ameaça. A Polícia Civil busca esclarecer a sequência dos acontecimentos.
Bruno Hashimura, de 23 anos, aparece em imagens após ser baleado; ao lado, o bombeiro Marcos Fujarra. — Foto: Foto 1: Reprodução/Unama Santarém. Foto 2: Reprodução. Foto 3: Reprodução/Rede Vanguarda
A investigação é conduzida pela Delegacia de Taubaté . A polícia ouviu novas testemunhas nesta quinta-feira (1º) e nesta sexta-feira (2).
Segundo apuração da Rede Vanguarda , entre as pessoas ouvidas estão Marcos, a mulher dele, uma testemunha ocular mantida sob sigilo e ao menos um policial militar. Outras duas pessoas ainda devem prestar depoimento.
Durante a investigação, foram apreendidos cartuchos, o celular de Bruno, a pistola usada pelo bombeiro e um canivete que pertencia ao estudante.
O canivete foi recolhido pela perícia e será analisado. Por isso, não há imagem do objeto disponível neste momento. O material produzido pela perícia será posteriormente anexado aos autos.
Marcos foi preso em flagrante após o caso, mas recebeu liberdade provisória durante a audiência de custódia. O Ministério Público recorreu da decisão e pediu a prisão preventiva do bombeiro.
Na noite de quinta-feira (1º), estudantes, amigos e familiares de Bruno fizeram uma manifestação em Taubaté. O grupo pediu justiça pela morte do jovem. As aulas do curso de medicina foram retomadas nesta sexta-feira (2).
Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, era estudante do 4º semestre de Medicina da Universidade de Taubaté (Unitau). — Foto: Reprodução/TV Vanguarda
O advogado Cláudio Rodrigues, que representa Marcos, afirma que o bombeiro teria sido vítima de uma fechada no trânsito e que, em seguida, Bruno teria mostrado um objeto que o militar acreditou ser uma arma.
Segundo a defesa, os dois voltaram a se encontrar em um semáforo. O advogado afirma que Marcos teria descido do veículo, se identificado como militar e ordenado que Bruno saísse do carro.
Ainda segundo a versão apresentada pela defesa, Bruno não teria saído do veículo e teria quebrado o próprio vidro com uma faca. Nesse momento, Marcos teria efetuado o disparo. A defesa sustenta que o bombeiro agiu em legítima defesa.
A defesa de Marcos Paulo também afirmou que as ocorrências anteriores mencionadas na investigação foram arquivadas e não resultaram em denúncia do Ministério Público ou em processo criminal contra o bombeiro.
Sobre um dos episódios de 2021, a defesa afirmou que a versão atualmente apresentada não corresponde, segundo Marcos Paulo, ao que aconteceu. De acordo com o advogado, o bombeiro relatou que houve apenas uma discussão decorrente de uma situação de trânsito e que ele sequer teria descido do veículo.
A defesa também afirmou que Marcos Paulo não tinha conhecimento da existência de um inquérito policial para apurar aquele episódio.
Segundo o advogado Cláudio Rodrigues Moreira, fatos anteriores devem ser tratados com cautela e dentro de seu contexto jurídico, especialmente quando não resultaram em denúncia ou ação penal.
Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, é bombeiro militar e está na corporação há cerca de 10 anos. — Foto: Reprodução/TV Vanguarda
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