Polícia culpa motoristas de caminhão e micro-ônibus da Saúde por acidente com 23 mortos no PR: 'Velocidade alta, uso de celular, falta de manutenção' | G1
Caminhão invadiu pista contrária e bateu de frente com micro-ônibus que levava pacientes para a capital. Das 28 pessoas envolvidas, apenas 5 sobreviveram.
A Polícia Civil do Paraná divulgou nesta quarta-feira (7) que concluiu as investigações sobre o acidente entre um caminhão e um micro-ônibus que matou 23 pessoas na madrugada de 19 de agosto na BR-373 entre Imbituva e Ipiranga , nos Campos Gerais do Paraná, e culpou os dois motoristas pelo acidente.
Segundo a delegada Ingrid Priotto, responsável pelo inquérito, as provas produzidas apontam que a colisão frontal foi provocada "por uma combinação de fatores envolvendo os dois veículos".
Ela cita que ambos os motoristas estavam acima da velocidade máxima permitida na rodovia e que o caminhão estava sem a manutenção necessária e com desgastes nos freios . A delegada também acredita que, quando invadiu a contramão e bateu de frente com o micro-ônibus, o caminhoneiro estava distraído com o celular , devido ao histórico encontrado no aparelho. Veja detalhes mais abaixo.
Acidente entre ônibus e carreta deixa 23 mortos e quatro feridos no Paraná — Foto: PRF
Os problemas foram atribuídos exclusivamente aos motoristas e, como ambos morreram, ninguém será responsabilizado criminalmente .
No entanto, as famílias das vítimas podem usar as informações contidas no inquérito para subsidiar processos na área cível , explica ela.
"Como ambos os motoristas que poderiam ser responsabilizados criminalmente faleceram no acidente, não há que se falar em responsabilidade na esfera penal. Contudo, todo o vasto acervo de provas periciais e conclusões coligidas no inquérito servirá para subsidiar e instruir eventuais processos na esfera cível, garantindo amparo legal para ações de reparação e indenização às vítimas e seus familiares".
Carros para transportar corpos das vítimas mortas fizeram fila na rodovia — Foto: Valdecir Galvan/RPC
O acidente aconteceu por volta das 3h30 da madrugada da quarta-feira de 19 de agosto em um trecho de pistas simples da BR-373, no km 209 da rodovia.
O micro-ônibus estava no início da viagem quando, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), uma carreta que seguia sem carga no sentido oposto invadiu a pista contrária e bateu de frente com o veículo de transporte coletivo.
23 pessoas morreram e outras 5 ficaram feridas . A maior parte estava no micro-ônibus, que era da Secretaria Municipal de Saúde e levava pacientes de Imbituva para atendimento médico na capital e na região metropolitana de Curitiba .
Das 27 pessoas que estavam no micro-ônibus, apenas cinco sobreviveram : um menino de 6 anos , uma mulher de 26 e três homens, de 22, 49 e 50 anos. Todos ficaram feridos, passaram por atendimento médico e receberam alta.
O acidente matou 22 ocupantes do micro-ônibus, incluindo o motorista, e também o motorista do caminhão, que era de Castro (PR). Entre as vítimas, estão duas crianças e 21 adultos (13 mulheres e 8 homens).
Infográfico - Acidente entre micro-ônibus e carreta deixa mais de 20 mortos no PR — Foto: Arte/g1
Cabine do caminhão ficou completamente destruída na batida — Foto: RPC
De acordo com a delegada Ingrid Priotto, as perícias revelaram "falhas graves" na condução e manutenção do caminhão. Ela afirma que dados de telemetria apontaram que o veículo trafegava a 80 km/h instantes antes da batida, em um trecho onde a velocidade máxima permitida era de 60 km/h, e que o veículo apresentava desgaste que reduzia a eficiência da frenagem .
"A investigação também trouxe à tona um dado relevante: o motorista do caminhão conectou-se ao aplicativo WhatsApp cerca de 17 minutos antes da colisão. Para a Polícia Civil, é plausível que o condutor estivesse distraído com o uso do aparelho celular no exato momento em que invadiu a contramão", afirma.
Micro-ônibus ficou completamente destruído no acidente — Foto: RPC
Para a delegada, o micro-ônibus "também teve participação decisiva para a gravidade da tragédia". Ela explica que o laudo extraído do cronotacógrafo digital do coletivo cravou que o veículo transitava a 101 km/h no momento do impacto, excedendo em 41 km/h o limite regulamentar da rodovia.
"O depoimento de um dos passageiros sobreviventes corroborou os dados técnicos, relatando que o ônibus havia saído de Imbituva com 20 minutos de atraso e que o motorista dirigia de forma 'apressada'", conta.
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