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Saturday, September 12, 2026

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Casa das Pretas lança plataforma sobre violência doméstica em São Luís | G1

Ferramenta reúne orientações sobre direitos e rede de proteção e conta com pesquisa anônima para mapear casos de violência contra mulheres no território.

· 592 words

Casa das Pretas lança plataforma sobre violência doméstica para mulheres do Coroadinho, em São Luís — Foto: Divulgação/Assessoria

A Casa das Pretas disponibilizou uma plataforma digital voltada às mulheres do Coroadinho, em São Luís , com informações sobre violência doméstica, direitos e acesso à rede de proteção. A ferramenta também conta com uma pesquisa anônima para mapear situações de violência vivenciadas por mulheres da comunidade.

A iniciativa da Casa das Pretas, espaço de atuação do Coletivo Mulheres Negras da Periferia, foi lançada nesta semana no Centro Administrativo do Tribunal de Justiça do Maranhão e já está disponível para acesso pela internet.

Um dos principais recursos da plataforma é um questionário que busca levantar informações sobre como a violência doméstica se manifesta no Coroadinho e identificar as principais necessidades das mulheres da região.

A plataforma pode ser acessada em casadaspretas.netlify.app .

Segundo a Casa das Pretas, a participação é totalmente anônima. Não é necessário informar nome, e-mail ou outros dados que permitam identificar as participantes.

“Essa plataforma nasce de uma necessidade que a gente percebe no dia a dia. Muitas mulheres vivem situações de violência, mas nem sempre sabem identificar o que estão vivendo ou onde buscar ajuda. E, ao mesmo tempo, a gente precisa conhecer melhor essa realidade dentro do nosso território. A pesquisa é importante justamente para dar visibilidade a essas histórias e ajudar a pensar ações que façam sentido para as mulheres do Coroadinho”, afirma Jú do Coroadinho, vice-presidente da Casa das Pretas.

A plataforma reúne conteúdos sobre cinco tipos de violência contra a mulher: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

Também apresenta informações sobre a Lei Maria da Penha, o ciclo da violência, direitos das mulheres, medidas protetivas e formas de procurar atendimento. A página conta ainda com uma seção de perguntas e respostas sobre situações de violência.

Outro recurso permite iniciar uma conversa pelo WhatsApp com a Casa das Pretas. Segundo a organização, a plataforma não envia nem armazena a mensagem automaticamente. A mulher pode decidir se deseja encaminhá-la e em qual momento.

Em situações de risco imediato, a orientação é procurar os canais oficiais de emergência e denúncia. A Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190. O Ligue 180 funciona como canal de orientação e recebimento de denúncias de violência contra a mulher.

A plataforma sobre violência doméstica foi desenvolvida por Diego Amaral, estudante do 4º semestre de Segurança da Informação da Uniasselvi, como projeto de extensão acadêmica.

Segundo os responsáveis pelo projeto, a ferramenta foi construída utilizando HTML e recursos de inteligência artificial, com foco em uma navegação simples e acessível.

Dados nacionais ajudam a dimensionar o problema. Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, quase 29 milhões de brasileiras foram vítimas de violência doméstica ou familiar em um período de 12 meses.

Já a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher aponta que 4% das brasileiras declararam espontaneamente ter sofrido esse tipo de violência no ano anterior.

No Maranhão, foram registrados 16 feminicídios entre janeiro e maio de 2026. No mesmo período de 2025, foram 24 casos, o que representa uma redução de 33,3%.

Considerando apenas maio, foram cinco feminicídios registrados em 2026, contra nove no mesmo mês de 2025, uma queda de 44,4%.

Criada em 2019 pela ativista social Kássia Juliana Costa, a Casa das Pretas desenvolve ações no Coroadinho voltadas a mulheres, crianças e jovens da periferia em situação de vulnerabilidade.

Entre as iniciativas desenvolvidas no espaço estão o Tambor de Crioula Filhas de São Benedito, Tambor de Crioula Mirim, Cine Coroadinho, Pretoteca, Cozinha Solidária Ancestral, Inclusão Produtiva e Laboratório Antirracista.

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