Fraude no taxímetro do Galeão: dispositivo aumentava valor da corrida | G1
Equipamento era instalado atrás do botão do porta-malas e podia ser acionado pelo motorista. Polícia investiga esquema que cobrava valores acima do devido de passageiros.
Uma investigação da Polícia civil descobriu que uma pequena peça, escondida dentro do carro, era capaz de alterar o funcionamento do taxímetro e aumentar o valor da corrida. A polícia afirma que o dispositivo era instalado em táxis que atuavam no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio.
O equipamento ficava atrás do botão de abertura do porta-malas. De lá, uma ligação era feita até um acionador escondido sob o carpete ou no forro do veículo.
Em um vídeo gravado durante a investigação, um policial demonstra como o mecanismo funcionava. Com o taxímetro parado, ele aciona o dispositivo e, imediatamente, o aparelho começa a registrar a corrida.
A ideia, segundo os investigadores, era permitir que o motorista acionasse o equipamento de forma discreta depois que o passageiro entrasse no carro.
O mecanismo foi identificado durante uma investigação iniciada em janeiro, após uma denúncia. Em um dos casos analisados, um passageiro pagou quase R$ 900 por uma corrida entre o Galeão e a Barra da Tijuca.
Segundo o delegado Victor Tutmann, um dos motoristas foi identificado e abordado enquanto circulava pelo Rio. Na ocasião, de acordo com o policial, o taxista tentou se desfazer do equipamento instalado no veículo.
“Nessa abordagem, ele tentou se livrar desse equipamento que estava instalado, que impulsionava o taxímetro para que houvesse um sobrepreço ali”, afirmou o delegado.
Itens encontrados em táxis vistoriados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na manhã desta quinta-feira (8) — Foto: Reprodução/ TV Globo
O equipamento era conectado ao sistema do taxímetro e tinha um acionador escondido no interior do carro.
A instalação permitia que o motorista mantivesse o dispositivo fora do campo de visão do passageiro. Quando acionado, o mecanismo fazia o taxímetro começar a registrar a corrida ou, segundo a investigação, interferia no valor cobrado.
A polícia também apreendeu outros equipamentos eletrônicos que são investigados como possíveis instrumentos usados para alterar o preço das corridas.
Além dos dispositivos instalados nos carros, a investigação identificou a participação dos chamados “jockeis”.
Segundo a polícia, eles ficavam na área de desembarque do Galeão e abordavam passageiros, principalmente turistas, encaminhando-os para os táxis que fariam parte do esquema.
Um vídeo obtido pelos investigadores mostra, segundo a polícia, a atuação de um desses homens. Nas imagens, um homem de camisa azul aparece falando ao celular na saída do aeroporto. Para os investigadores, ele seria um dos responsáveis por abordar passageiros e direcioná-los aos veículos.
A polícia afirma ainda que os motoristas investigados não faziam parte das cooperativas que atendem oficialmente ao aeroporto.
Os veículos usados pelos suspeitos eram alugados de uma única empresa, segundo a investigação. Os carros eram retirados em um pátio no Rocha, na Zona Norte, e levados até uma oficina em Piedade, também na Zona Norte, onde os equipamentos eram instalados.
A investigação é conduzida por agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes de Propriedade Imaterial, da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo e da Delegacia do Aeroporto Internacional.
A reportagem ainda não teve acesso ao depoimento do homem de camisa azul, mostrado na reportagem e apontado pela polícia como “jóquei”.
O grupo Império Táxis, onde os motoristas alugavam os carros, afirmou que tem compromisso com a legalidade e a transparência e se colocou à disposição das autoridades e dos órgãos competentes para colaborar com as investigações.
A reportagem procurou a Oficina Capelinha, mas não recebeu resposta até a última atualização desta nota.
A AeroCoop, cooperativa que atua no Aeroporto do Galeão, esclareceu que não tem vínculo com os grupos que atuam de maneira ilícita.
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