MP denuncia pai, esposa e filhas por esquema milionário de tráfico | G1
Acusação do MPMG detalha estrutura com cinco núcleos, movimentações de mais de R$ 79 milhões e suposto esvaziamento patrimonial antes da operação.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou 31 pessoas por envolvimento em crimes de tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro . Entre os denunciados na Operação Mens Occulta estão Mario Sergio Nunes, conhecido como "Serjão do PCC", a esposa e as duas filhas dele .
O MPMG também pede que seja fixado o valor de R$ 10 milhões como reparação mínima pelos danos causados pelas infrações penais e pelo dano moral coletivo decorrente da atuação da organização criminosa. Além disso, requer a perda, em favor da União, dos bens e valores apreendidos e sequestrados durante a operação.
Caso a Justiça aceite a acusação do MPMG , os denunciados passarão à condição de réus no processo.
Em nota, José Carlos de Oliveira Campos, advogado de defesa de Mário Sérgio Nunes e da família , informou que tomou conhecimento da denúncia e fará a análise técnica do documento . Por se tratar de autos sigilosos, o advogado afirmou que não comentará provas específicas, mas disse "estar confiante de que a Justiça prevalecerá".
Em julho deste ano, a Polícia Federal concluiu o inquérito da Operação Mens Occulta e indiciou Mario Sergio, as duas filhas e mais 25 investigados . O relatório final reforçou a suspeita de que a organização utilizava familiares, empresas e terceiros para ocultar patrimônio e movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas.
Dos 25 mandados de prisão expedidos no âmbito da Operação Mens Occulta, 22 foram cumpridos , segundo as informações da investigação. Três pessoas continuam foragidas e são procuradas pelas autoridades.
Organização criminosa dividida em cinco núcleos
Segundo a denúncia, as investigações da Polícia Federal tiveram início após a apreensão de 312,1 quilos de cocaína na região do Triângulo Mineiro, em setembro de 2024. A partir desse flagrante, os investigadores identificaram uma organização criminosa que atuava de forma estruturada e permanente no tráfico interestadual de drogas e na lavagem de dinheiro.
Mario Sergio Nunes preso operação "Mens Occulta" Uberlândia — Foto: Redes Sociais/Reprodução
De acordo com o MPMG, o grupo foi ligado a dez grandes apreensões de drogas realizadas entre 2024 e 2026, que resultaram na interceptação de mais de 2,2 toneladas de cocaína, além de armas de fogo e grandes quantias em dinheiro.
A denúncia descreve uma organização criminosa dividida em cinco núcleos: liderança, logística, transporte, armazenamento e distribuição de drogas, além do núcleo responsável pela ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.
Conforme o documento, Mario Sergio exercia o comando da organização, sendo responsável pela contratação de carregamentos de drogas em regiões de fronteira, coordenação de rotas, aquisição de veículos e gerenciamento das operações financeiras do grupo.
Entendo como funcionava o esquema da família investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Uberlândia — Foto: g1
Operação apreendeu cavalos, ranchos e bens de luxo
Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu imóveis urbanos e rurais, embarcações, veículos de luxo, cavalos de raça, motor home, motos aquáticas e outros bens que, segundo a investigação, teriam sido adquiridos com recursos provenientes do tráfico de drogas e ocultados por meio de terceiros.
A operação ganhou repercussão pela quantidade e pelo valor dos bens apreendidos, que incluíam propriedades de lazer e patrimônio de alto padrão atribuídos aos investigados.
Brenda Nunes foi indiciada junto ao pai, a irmã e o ex-namorado — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Segundo a denúncia, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram movimentações consideradas incompatíveis com a renda formal dos investigados.
O documento aponta operações financeiras superiores a R$ 79 milhões, realizadas por meio de empresas de fachada, utilização de terceiros e sucessivas transferências patrimoniais destinadas a ocultar a origem dos recursos.
Os investigadores também identificaram imóveis urbanos e rurais, veículos de luxo, empresas e outros bens registrados em nome de familiares e pessoas ligadas ao grupo.
Apreensões durante a operação Mens Occulta da PF Uberlândia
Esvaziamento patrimonial antes da operação
Outro ponto destacado na denúncia é o que o MPMG classificou como um processo de esvaziamento patrimonial promovido por Mario Sergio nos dias que antecederam a deflagração da Operação Mens Occulta.
Segundo o documento, ele negociou imóveis rurais, ranchos, terrenos e veículos, além de adotar medidas para retirar seu nome de registros públicos relacionados aos bens.
Entre os casos citados está a venda de uma chácara no Condomínio Praia de Miranda. A denúncia afirma que o imóvel foi negociado por R$ 230 mil, valor considerado abaixo do mercado pelos investigadores, e que havia urgência na transferência da propriedade antes da operação policial.
O documento também aponta que duas BMW X2 registradas em nome das filhas teriam sido devolvidas a uma concessionária de Uberlândia poucos dias antes da operação. Segundo a denúncia, a justificativa apresentada foi a falta de pagamento das parcelas, mas o MPMG sustenta que a medida teve como objetivo ocultar patrimônio.
A denúncia ainda relata que, após uma apreensão de 440,8 quilos de cocaína em Goiás, em abril de 2026, Mario Sergio teria trocado o aparelho celular e o número de telefone que utilizava.
Conforme o documento, também foram encontradas pesquisas realizadas por ele na internet com termos como "saber se um telefone está grampeado" e "ver operação na data de hoje na cidade de Uberlândia Minas Gerais". Para o MPMG, os registros indicam preocupação com ações de investigação e repressão policial.
PF pediu sequestro de imóvel ligado à família Nunes, investigada na operação Mens Occulta — Foto: PF/Reprodução
"A defesa tomou conhecimento, por meio da imprensa da conclusão do inquérito policial. Contudo, até o presente momento, não teve acesso ao relatório final nem aos elementos produzidos na investigação. Em respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, qualquer manifestação sobre o mérito seria precipitada e irresponsável antes da análise integral dos autos.
Assim que for franqueado o acesso à defesa, será realizada a devida avaliação técnica, oportunidade em que eventuais esclarecimentos poderão ser prestados.
A defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e seguirá adotando todas as medidas legais necessárias para assegurar o pleno exercício do direito de defesa de seus constituintes."
frota família tráfico uberlândia mens occulta — Foto: PF/Divulgação
VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas
Topics in this story
Gathered from external sources. Rights to this text belong to whoever originally published it.