Entenda jogo de perguntas feito por policial para resgatar mulher | G1
Estratégia permitiu confirmar que a vítima era mantida presa sem levantar suspeitas do companheiro. Toda a ação, da denúncia ao flagrante, durou menos de 12 horas e foi registrada na segunda-feira (5).
Para resgatar uma mulher de Santa Vitória , no Triângulo Mineiro, mantida em cárcere privado pelo namorado em Quirinópolis (GO), uma escrivã da Polícia Civil de Minas Gerais conversou com a vítima por meio de um jogo de perguntas. A estratégia permitiu obter informações sobre a situação da mulher sem levantar suspeitas do homem.
Inicialmente, a escrivã se passou por vendedora de semijoias . Enquanto apresentava os produtos, porém, fazia perguntas que poderiam ser respondidas apenas com “sim” ou “não”. Assim, conseguiu obter informações sobre a situação da vítima sem que ela precisasse dizer abertamente que estava em perigo.
Entre o primeiro contato, feito após uma denúncia anônima, e o resgate da mulher em um supermercado, se passaram menos de 12 horas.
A estratégia permitiu que a escrivã confirmasse, de forma discreta, que a mulher era mantida contra a vontade e que o companheiro estava próximo.
Para não levantar suspeitas, a conversa foi apresentada como uma negociação de semijoias. Imagens dos produtos foram enviadas à vítima para dar veracidade à abordagem. Veja abaixo.
Conversa entre escrivã da PC e vítima de violência doméstica — Foto: Polícia Civil/Divulgação
Enquanto fingia apresentar os produtos, a escrivã fazia perguntas que podiam ser respondidas apenas com “sim” ou “não”. Assim, descobriu de forma discreta se a mulher estava em perigo, se o companheiro estava próximo e se havia alguma possibilidade de ela falar com segurança.
Sem precisar dizer abertamente que estava sendo mantida em cárcere, a vítima confirmou a situação à policial. A partir das respostas, a escrivã percebeu que precisava criar uma oportunidade para conversar com ela com mais segurança.
A vítima fingiu que estava com dor de barriga e disse que precisava ir ao banheiro. Já afastada do companheiro, ela trocou mensagens com a escrivã pelo celular.
A mulher contou que estava com medo de que o homem percebesse a situação e informou que estava em uma propriedade rural. Ela também disse que pretendia ir até a cidade e avisaria a policial assim que pudesse.
A escrivã, então, combinou que uma equipe da Polícia Militar seria enviada assim que a vítima compartilhasse a localização.
Vítima convenceu companheiro a ir ao supermercado
Com o plano traçado, a mulher conseguiu convencer o namorado a levá-la até um supermercado em Quirinópolis. Ela estava acompanhada da filha, de 2 anos.
No estabelecimento, conseguiu se esconder no banheiro com a criança e enviar a localização para a polícia.
A Polícia Militar foi até o local e abordou o homem. Segundo a PM, ele negou as acusações.
A mulher, porém, confirmou aos policiais que estava sendo mantida em cárcere e manifestou interesse em prosseguir com a denúncia. Ela também pediu medidas protetivas de urgência.
O homem foi preso em flagrante por violência doméstica e levado, junto com a vítima, para a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher. Segundo a PM, ele já tinha passagem por homicídio.
De acordo com a Polícia Civil, a mulher está na companhia de familiares.
Durante o atendimento policial, a mulher contou que conheceu o suspeito há dois meses pelas redes sociais. Depois de algumas visitas, passaram a morar juntos em uma propriedade rural de Quirinópolis.
Segundo o relato dela, o relacionamento era marcado por brigas constantes. A mulher manifestou o desejo de voltar para Santa Vitória, em Minas Gerais, e o companheiro concordou em levá-la de volta.
No dia combinado para a viagem, porém, houve uma nova discussão. Conforme o depoimento, ela foi trancada em um quarto junto com a filha de 2 anos.
Ainda segundo a Polícia Civil, a mulher afirmou que foi agredida, ameaçada de morte e teve os pertences espalhados pelo chão.
O caso foi registrado pela Polícia Militar de Goiás e encaminhado à Delegacia da Mulher.
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