Polícia encontra punhal que teria sido usado no assassinato da adolescente Bruna Loiola em Água Doce | G1
Segundo a Polícia Civil, arma foi localizada em uma área de matagal próxima à casa do adolescente apreendido.
A Polícia Civil do Maranhão encontrou nesta quinta-feira (3) o punhal que teria sido usado no assassinato da adolescente Bruna da Silva Loiola, ocorrido no dia 31 de agosto, no povoado Canabrava, na zona rural de Água Doce do Maranhão .
Segundo a polícia, a arma foi localizada em uma área de matagal entre a residência do adolescente apreendido e o salão de beleza onde a vítima foi atacada.
De acordo com as investigações, Bruna chegava ao salão de beleza, localizado na Rua dos Carecas, por volta das 13h10, quando foi surpreendida pelo adolescente.
A polícia informou que o suspeito usava chapéu e touca ninja para esconder o rosto e carregava um punhal e uma balestra, também conhecida como besta. Ao perceber a aproximação do adolescente, Bruna correu para dentro do estabelecimento. Segundo a investigação, ela foi perseguida e alcançada em um imóvel anexo ao salão, onde foi atacada.
A Polícia Civil informou que a adolescente sofreu cerca de 20 perfurações provocadas por um instrumento perfurocortante. A maior parte dos ferimentos atingiu a região abdominal e os braços, sendo as lesões nos membros superiores compatíveis com tentativas de defesa.
Ainda segundo a investigação, não houve discussão entre Bruna e o adolescente antes do ataque. Após o crime, o adolescente fugiu correndo e se escondeu na casa dos pais. A motocicleta usada por ele, que pertencia ao pai, foi abandonada porque apresentou problemas mecânicos.
Polícia encontra punhal que teria sido usado no assassinato da adolescente Bruna Loiola em Água Doce — Foto: Divulgação/ Polícia Civil
A vítima estudava em uma escola de tempo integral e tinha autorização dos pais para sair durante o horário do almoço para se alimentar em casa.
De acordo com a polícia, Bruna havia marcado atendimento no salão de beleza naquele horário.
A Justiça determinou a internação provisória do adolescente, que foi encaminhado nesta quinta-feira (3) para uma unidade socioeducativa em São Luís .
Investigação aponta histórico de comportamento violento
A Polícia Civil informou que o adolescente possuía histórico de comportamentos violentos e misóginos no ambiente escolar.
Segundo a investigação, os pais do adolescente já haviam sido comunicados pelo Conselho Tutelar sobre a necessidade de medidas relacionadas ao comportamento dele, incluindo acompanhamento psicológico.
Durante as diligências, foram encontradas no caderno do adolescente anotações com referências à suástica, símbolo associado ao nazismo, além de desenhos de bombas, armas de fogo e outros elementos.
A polícia informou ainda que o adolescente já havia sido flagrado na escola com arma branca e uma tesoura cirúrgica. Ele também teria se envolvido em uma agressão física contra outro aluno e feito ameaças de morte, situação que levou à expulsão da escola.
Até o momento, a Polícia Civil informou que não encontrou indícios de que o adolescente tenha sido vítima de bullying no ambiente escolar. Novas diligências devem ser realizadas para esclarecer as circunstâncias do crime.
O adolescente de 16 anos apreendido por suspeita de matar a facadas a estudante Bruna da Silva Loiola , de 17 anos, era considerado um aluno quieto e pouco sociável por professores da escola onde os dois estudavam, em Água Doce do Maranhão. Ela foi sepultada na manhã desta quarta-feira (2) , no povoado Buriti Redondo, na zona rural do município.
Em entrevista à TV Mirante , o professor Franciel Araújo afirmou que o jovem havia ingressado recentemente no turno noturno e que a equipe escolar tentou ajudá-lo a se integrar aos demais estudantes, mas ele costumava permanecer isolado.
"Infelizmente, até quinta e sexta-feira, eu dei aula para esse indivíduo. Muito estranho. Desde o primeiro dia em que ele chegou no nosso horário, a gente, eu como professor e os demais companheiros tentamos nos aproximar dele, tentamos associar ele com os outros alunos e ele sempre, individualmente, era ele, só ele, nunca foi, assim, aquele aluno de compartilhar com os companheiros", relatou.
A motivação do crime ainda não foi esclarecida. A Polícia Civil do Maranhão deve ouvir testemunhas para apurar as circunstâncias da morte da estudante e o que ocorreu antes do ataque.
A jovem Bruna Loiola, de 18 anos, morreu após ser esfaqueada nesta segunda-feira (31), em Água Doce do Maranhão. — Foto: Reprodução/TV Mirante
O professor também contou que o adolescente havia sido transferido do turno vespertino para o noturno após um desentendimento com outro estudante. Segundo Franciel, a informação foi repassada à equipe escolar quando o jovem passou a frequentar as aulas à noite.
No entanto, ele afirma não ter conhecimento sobre os motivos da briga nem sobre eventuais episódios de bullying envolvendo o aluno.
"As informações que nós obtivemos é que ele foi expulso do horário vespertino para o horário noturno, que é no qual eu trabalho. E a gente soube devido ao briga, uma briga com ele e outro aluno. E eu não sei o motivo do qual essa briga, eu não sei o motivo de que ele foi expulso do horário da tarde. Deve ter havido algum problema, mas de bullying eu não tenho conhecimento", explicou.
A jovem Bruna Loiola, de 18 anos, morreu após ser esfaqueada nesta segunda-feira (31), em Água Doce do Maranhão. Ela sofreu cerca de 5 golpes. — Foto: Divulgação/Redes sociais
Bruna estudava no Centro de Ensino Vereadora Neide Costa, escola da rede estadual localizada no povoado Cana Brava. Por volta das 14h30 de segunda-feira, ela saiu da unidade de ensino para almoçar.
A direção da escola informou que a aluna tinha autorização da família para almoçar em casa e que não retornaria à unidade escolar naquele dia, pois tinha um compromisso previamente informado.
Segundo a diretora, a estudante não deixou a escola para ir a um salão, como apontavam informações preliminares. A saída ocorreu dentro da autorização concedida pelos responsáveis, com a previsão de que a adolescente permaneceria fora da escola após o almoço.
A Polícia Militar aponta que Bruna e o adolescente suspeito do crime teriam discutido antes do assassinato. Familiares da vítima, no entanto, negaram que tenha ocorrido uma discussão e afirmam que eles nem se conheciam .
Segundo apurado pela TV Mirante com familiares da vítima, Bruna estava a poucos metros de um salão de beleza, quando a motocicleta usada pelo adolescente apresentou um problema e parou perto dela. Eles afirmam que o adolescente atirou contra a estudante com uma balestra, equipamento semelhante a um arco, e depois a atacou com uma faca.
Essa versão, no entanto, ainda será investigada pela polícia. Bruna chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
O adolescente foi apreendido minutos depois por uma equipe do 2º Batalhão de Polícia Militar de Turismo (BPTur). Com ele, a polícia encontrou uma balestra com dez dardos, uma faca e objetos identificados inicialmente como uma dinamite caseira e quatro coquetéis molotov. O material passará por perícia para identificar a composição e o potencial de risco.
A Polícia Civil deve começar a ouvir testemunhas nesta quarta-feira. Entre elas está o porteiro que teria autorizado a saída antecipada de Bruna da escola. Os depoimentos devem ajudar a polícia a esclarecer a dinâmica do crime, a relação entre os adolescentes e a motivação do assassinato.
Ele foi levado para a Delegacia Regional de Barreirinhas, onde o delegado Tiago Castro tentou ouvi-lo ainda na segunda-feira. O adolescente, no entanto, permaneceu em silêncio.
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