Empresários suspeitos de vender areia no lugar de minério são alvos de buscas da Polícia Federal no RS | G1
Irmãos Diego e Matheus Posebon são investigados por enviar pó de brita e areia no lugar de cassiterita para empresa britânica. PF também apura extração ilegal na Terra Indígena Yanomami.
PF faz buscas no RS contra empresários suspeitos de fraude na venda de minério — Foto: Ronaldo Bernardi/Agência RBS
A Polícia Federal (PF) de Roraima cumpriu, hoje, oito mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Sul . A ação investiga dois empresários gaúchos suspeitos de envolvimento em uma fraude na venda de minério para uma multinacional britânica.
Os investigados são os irmãos Diego Possebon e Matheus Possebon. Segundo a PF, Diego é o articulador principal e mentor do esquema . Matheus atua como empresário do ramo musical, o que deu origem ao nome da operação, batizada de "Disco de Ouro".
A investigação aponta que os suspeitos vendiam o mineral cassiterita , conhecido como "ouro negro", mas os carregamentos que saíam do Brasil continham pó de brita e areia. Há também a suspeita de que minério tenha sido extraído de forma ilegal da Terra Indígena Yanomami, no Norte do país.
🔍 A cassiterita é o principal minério utilizado na produção de estanho, metal empregado na fabricação de diversos produtos, como latas de alimentos, peças automotivas, vidros e equipamentos eletrônicos, incluindo celulares e computadores. Por ter alto valor de mercado e grande demanda da indústria, a cassiterita é frequentemente alvo de exploração ilegal.
O esquema é citado na investigação como uma fraude de US$ 250 milhões, mas a apuração também aponta o valor de US$ 50 milhões na venda para a empresa britânica.
Em Porto Alegre, um dos mandados foi cumprido em uma casa na Avenida Carlos Gomes, em área nobre da cidade. Policiais federais deixaram a residência com documentos. A operação também apreendeu carros de luxo e cumpriu mandados de sequestro de bens e valores.
O foco desta fase da operação é a lavagem do dinheiro obtido com as ações investigadas na primeira etapa. A PF identificou a existência de um esquema de lavagem de capitais por meio de empresas, movimentações financeiras internacionais, operações conhecidas como "dólar-cabo", utilização de contas de terceiros e repasses a diversos beneficiários.
Os investigados vão responder pelos crimes de usurpação de bens da União, estelionato, falsidade ideológica, lavagem de capitais, organização criminosa e operação irregular de instituição financeira.
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