Menino de 4 anos morre em hospital do Paraná, e equipe médica é indiciada por homicídio por erros em avaliação de quadro de influenza | G1
Caso foi registrado em Joaquim Távora. Polícia concluiu que equipe não realizou procedimentos necessários no cuidado da criança. O g1 tenta identificar a defesa da equipe médica.
Um médico, uma enfermeira e duas técnicas de enfermagem foram indiciados pela morte de um menino de quatro anos em um hospital comunitário de Joaquim Távora , no Norte do Paraná. Para a Polícia Civil (PC-PR), eles cometeram homicídio culposo durante o atendimento.
A morte da criança aconteceu no dia 10 de junho, e o inquérito sobre o caso foi concluído e encaminhado ao Ministério Público (MP-PR) em 24 de agosto. Na quarta-feira (2), o MP informou ao g1 que solicitou a realização de apurações complementares para avaliar se irá ou não oferecer denúncia à Justiça.
O g1 tenta identificar a defesa do médico Evandro Felix Morais, da enfermeira Francieli Pereira Córdoba e das técnicas de enfermagem Vera Lúcia Messias Basília e Marly Aparecida Gonçalves.
O caso tramita sob sigilo na Justiça. O g1 apurou que, segundo a investigação da polícia, o menino estava internado no Hospital Comunitário Dr. Lincoln Graça com um quadro clínico de febre e vômitos. Conforme a investigação, o caso exigia um teste para identificar influenza, mas o procedimento não foi feito. Veja mais detalhes no vídeo acima .
A vítima chegou ao hospital em 9 de junho e morreu um dia depois por complicações de infecção por influenza tipo B, uma doença viral respiratória contagiosa.
Para a polícia, a equipe não seguiu todas as medidas de avaliação, comunicação e monitoramento da criança.
"O laudo pericial elaborado pela Polícia Científica do Paraná apontou que o quadro apresentado pela criança demandava acompanhamento e intervenção compatíveis com sua gravidade e identificou inobservância de regras técnicas profissionais durante o atendimento", diz a nota enviada pela corporação.
O g1 também entrou em contato com a Prefeitura de Joaquim Távora e com a administração do hospital, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.
Criança apresentou piora, mas não houve reavaliação médica
Hospital Comunitário Dr. Lincoln Graça, em Joaquim Távora. — Foto: Reprodução/Google Street View
A investigação da polícia identificou que houve falha na comunicação entre a equipe e também no cumprimento de procedimentos.
Conforme a apuração, o médico afirmou ter feito todos os procedimentos legais quando a criança deu entrada no hospital. Porém, a família relatou que houve apenas uma conversa, sem que o médico tocasse no paciente.
Depois, o médico solicitou um exame para detectar influenza no paciente e registrou o pedido no sistema. A equipe de enfermagem, contudo, disse em depoimento que o procedimento do dia a dia do hospital é que essas demandas sejam comunicadas verbalmente — o que não foi feito, de acordo com a polícia. Desta forma, o exame não foi feito.
Por volta da meia-noite do dia 10 de junho, o delegado identificou que as enfermeiras avisaram o médico que o menino havia vomitado. Na ocasião, Evandro prescreveu medicação por ligação telefônica.
A investigação também identificou que a equipe não informou ao médico que a criança também estava com redução na quantidade de oxigênio que chegava aos órgãos, com uma saturação de 84% — que demanda atenção.
O delegado Jean Paulo da Silva Brunhari explicou que a criança permaneceu no hospital sem a realização de exames, sem reavaliação médica do quadro e sem encaminhamento a uma unidade de tratamento intensivo.
"A família relatou que percebeu uma piora progressiva durante a madrugada, com agitação, dor, extremidade fria, coloração dos lábios, e solicitou que fosse trazido o médico para poder reavaliar. Mas essas solicitações da família não foram atendidas", Brunhari explicou.
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