Reprovado no ensino médio apresenta documento falso à federal | G1
Denúncia foi divulgada pelo Ministério Público Federal (MPF) e afirma que o estudante adulterou notas e períodos letivos em históricos escolares para tentar se matricular no curso de Enfermagem da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no Triângulo Mineiro.
Candidato tentou ingressar no curso de Enfermagem, que fica no Campus Umuarama — Foto: Divulgação
Um estudante reprovado no ensino médio foi denunciado por apresentar históricos escolares falsificados para tentar ingressar no curso de Enfermagem da Universidade Federal de Uberlândia ( UFU ), no Triângulo Mineiro, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Segundo a denúncia, divulgada pelo Ministério Público Federal na segunda-feira (26), o caso ocorreu em janeiro de 2022, quando o estudante foi convocado pela lista de espera.
De acordo com o MPF, a fraude foi descoberta após a equipe da UFU identificar inconsistências nos documentos enviados pelo candidato.
O estudante, que não teve a identidade revelada, encaminhou inicialmente um histórico escolar que indicava aprovação no ensino médio. No entanto, o documento apresentava notas insuficientes em disciplinas como Língua Portuguesa e Sociologia, além de divergências relacionadas aos períodos letivos.
Após ser notificado pela universidade para regularizar a documentação, ele enviou uma nova versão do histórico, desta vez com notas alteradas para valores acima do mínimo necessário para aprovação e com mudanças em anos escolares.
Ainda segundo o MPF, os servidores da UFU identificaram que os documentos mantinham os mesmos códigos de barras e a mesma posição gráfica das assinaturas do arquivo anterior, apesar das alterações realizadas.
A universidade abriu um novo prazo para correção documental, mas o candidato apresentou um terceiro histórico considerado falso.
Escola informou que aluno havia sido reprovado
Diante das divergências encontradas, a UFU entrou em contato com a instituição de ensino responsável pela emissão dos documentos, que também não teve o nome informado.
Em resposta, a escola informou que o estudante foi reprovado no terceiro ano do ensino médio e que nunca emitiu históricos escolares com as alterações apresentadas durante o processo de matrícula.
Com a confirmação da irregularidade, a universidade indeferiu o pedido de matrícula.
Segundo o MPF, durante as investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF), o próprio candidato confessou ter editado digitalmente os documentos para tentar obter a vaga no ensino superior.
O g1 entrou em contato com a UFU para saber se iria comentar o caso, mas não havia obtido retorno até a última atualização desta reportagem.
Antes de apresentar a denúncia à Justiça Federal, o Ministério Público Federal firmou com o investigado um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), mecanismo que permite encerrar a investigação sem a abertura de ação penal mediante o cumprimento de determinadas condições .
Pelo acordo, o estudante deveria prestar serviços à comunidade por seis meses, com carga semanal de sete horas, além de concluir formalmente o ensino médio e comprovar essa regularização no processo judicial dentro do prazo estipulado.
No entanto, o acordo foi posteriormente cancelado, segundo o MPF, porque o investigado não cumpriu as condições estabelecidas e deixou de se manifestar mesmo após notificação. Com o descumprimento, o órgão decidiu prosseguir com a denúncia.
O MPF enquadrou a conduta no crime de uso de documento público falso.
Segundo o órgão, como os documentos falsificados teriam sido apresentados mais de uma vez durante o mesmo processo de matrícula, a acusação também considera a continuidade delitiva.
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