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Emendas de Mario Frias: PF aponta repasse a loja de roupas | G1

Comandado pela produtora de "Dark Horse", o Instituto Conhecer Brasil (ICB) recebeu R$ 2 milhões em emendas e contratou o Super Leitores para desenvolver uma plataforma digital. Investigação aponta que o instituto emitiu nota para receber antes de elaborar o orçamento e questiona sua capacidade de executar o projeto de R$ 300 mil, que incluía um kit pedagógico digital.

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Investigação da Polícia Federal (PT) aponta que a produtora do filme "Dark Horse", que recebeu emendas parlamentares do deputado federal Mário Frias (PL-SP), pagou R$ 300 mil a um instituto que funcionava em uma loja de roupas em Guarulhos (SP). Operação deflagrada nesta quinta-feira (10) investiga o suposto desvio de emendas de Frias pagas a entidades de propriedade da produtora Karina Ferreira da Gama. "Dark Horse" é um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo investigação da PF, o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina, recebeu R$ 2 milhões de duas emendas parlamentares. Com parte desses valores, a corporação afirma que o ICB contratou o Instituto Super Poder Educacional (que usa o nome Super Leitores) para criar uma plataforma digital.

Investigadores identificaram que uma loja de roupas funciona no endereço fiscal apontado como sede pelo Super Leitores. Segundo a responsável pela empresa, Pamella Cristiane Dias, ela "utilizava uma sala no estabelecimento" na Grande São Paulo e depois mudou suas atividades para "regime domiciliar".

Para a investigação, essa situação afeta diretamente a potencial capacidade da empresa de executar o serviço contratado, que envolvia o desenvolvimento de um kit pedagógico digital, uma plataforma e licenças de uso no valor de R$ 300 mil.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta , Mário Frias classificou como “cortina de fumaça” a operação da Polícia Federal que realizou buscas em sua residência. O parlamentar negou irregularidades, afirmou que vai colaborar com as investigações e entregar todos os documentos necessários e disse acreditar que o caso será arquivado.

A defesa de Karina Ferreira da Gama informou que apresentou uma reclamação constitucional ao STF após a operação da Polícia Federal desta quinta-feira (10). Segundo o advogado Ricardo Sayeg, a medida não questiona o mérito da investigação e busca garantir o cumprimento de decisões da Presidência do STF e a competência do juiz natural.

A defesa afirma ainda que Karina vinha colaborando espontaneamente com a investigação e entregou à PF, na última sexta-feira, mais de 20 mil páginas de documentos.

O g1 tenta contato com Pamella Cristiane Dias e aguarda posicionamento.

Karina Gama, produtora do filme 'Dark Horse', e o deputado Mario Frias (PL-SP) são alvos de ação da Polícia Federal, que cumpre mandados de busca nesta quinta-feira (10). — Foto: Reprodução e Câmara dos Deputados

A contratação do Super Leitores pelo ICB previa a criação de um projeto digital de nome "Projeto Jovens Empreendedores". O acordo incluía um kit pedagógico e licença de uso por 12 meses para cada usuário.

Em nota técnica, a PF indica que há "evidências de conluio" entre as empresas que concorreram com o Super Leitores nesta disputa, além de ocorrer "incongruência" de declarações da responsável pelo instituto com dados obtidos pela apuração.

A investigação identificou, por meio da Controladoria-Geral da União, que os metadados dos arquivos enviados pelo Super Leitores na concorrência indicam que a nota para pagamento do serviço foi emitida minutos antes de o instituto criar o orçamento que foi enviado para a disputa com outras empresas.

Os investigadores citam que a concorrência digital teve as mesmas empresas de outra disputa aberta pelo ICB, sendo que três delas têm os mesmos números de telefone e contador registrados em seus CNPJs. A PF afirma que "a empresa contratada [Super Leitores] possui ligação com o grupo empresarial identificado nesta apuração".

Responsável pelo Super Leitores, Pamella é apontada como autora de três livros físicos e consta em seu perfil no Instagram que ela é "coordenadora editorial da HD Cultural", uma das outras empresas que disputaram o contrato com seu instituto.

Somadas, dez videoaulas tiveram 7 visualizações

O documento detalha que três empresas enviaram valores inferiores (duas de R$ 200 mil e uma de R$ 230 mil) aos R$ 300 mil cobrados pelo Super Leitores, que foi contratado pelo instituto de Karina.

O ICB alegou que a opção foi feita por conta da "ampliação do escopo do serviço", com inclusão de roteirização, produção e gravação de 24 videoaulas autorais, "não contempladas nos orçamentos originalmente apresentados", de acordo com o instituto de Karina Ferreira da Gama.

Pamella Dias aparece como integrante da HD Cultural em post no Instagram — Foto: Reprodução

Durante a investigação, a PF alega que Pamella Cristiane Dias foi ouvida pela CGU e disse "não ser responsável" pela plataforma relacionada à contratação feita pelo ICB.

"Entretanto, ela consta como titular do registro do domínio vinculado à plataforma", afirma a PF.

Ainda segundo a Polícia Federal, o site do projeto foi criado em março de 2026, 11 meses depois da nota de pagamento ser emitida. As dez videoaulas "acumulavam apenas sete visualizações", conforme o relatório.

"Números que se afiguram incompatíveis com a capacitação de 250 multiplicadores e o atendimento de 2.250 estudantes", afirma a PF, sobre o objetivo previsto em contrato entre os dois institutos.

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Monday, October 12, 2026

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