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Friday, September 18, 2026

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Quais são as suspeitas sobre Milton Leite na investigação que apura atuação do PCC no transporte da cidade de SP | G1

Operação Vectura Corrupta foi deflagrada na quinta-feira (17). Ex-vereador não foi encontrado e passou a ser considerado foragido pela polícia; ele nega, diz estar viajando e que vai se apresentar às autoridades.

· 1,022 words

O ex-vereador de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é investigado pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) por suspeitas relacionadas à atuação da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público da capital.

Segundo os investigadores, ele seria responsável diretamente pela operação de algumas empresas que estariam sob controle do PCC e seria o dono de fato da Transwolff.

Leite não foi encontrado pelos policiais que foram à sua casa para cumprir o mandado, e a polícia passou a considerá-lo foragido. Em nota, ele afirmou que está viajando .

“Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações”, declarou o ex-vereador.

As suspeitas foram apontadas pela Operação Vectura Corrupta, que apura a atuação do crime organizado no setor de transportes na cidade de São Paulo e suas relações com empresários, políticos e advogados.

Segundo a investigação, Milton Leite é “citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas” pelo PCC. A afirmação consta de um relatório da Polícia Civil anexado ao processo.

O documento também aponta que há declarações de policiais militares prestadas em um procedimento no Tribunal de Justiça Militar indicando que Milton seria o “dono de fato” da Transwolff. A empresa foi uma das companhias investigadas na Operação Fim da Linha.

Relação com a Transwolff e a Operação Fim da Linha

O nome de Milton aparece ainda em uma análise feita pela polícia sobre conversas de José Daniel Satilite, apontado como integrante do PCC e um dos principais investigados no caso.

Em um dos diálogos, ocorrido depois da Operação Fim da Linha , José Daniel afirma que havia conversado com o advogado Milton Milreu sobre a possibilidade de substituir a empresa UPBus pela Translider. Segundo a investigação, Daniel disse que, caso a mudança fosse feita, seria necessário avisar Milton Leite.

O documento afirma ainda que uma empreiteira ligada a Leite teria contratos sob investigação com empresas de transporte ligadas ao PCC. A investigação não identifica, nesse trecho, qual seria a empreiteira nem detalha quais contratos seriam esses.

Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara de SP — Foto: Paulo Gomes/TV Globo

Em outro trecho, Milton é descrito pela polícia como uma pessoa de “forte influência no ramo dos transportes”, em referência ao que teria sido relatado por José Daniel.

O nome do ex-vereador também aparece em uma relação de pessoas que, segundo os investigadores, estariam ligadas ao esquema investigado.

Nessa lista, a polícia volta a afirmar que ele seria responsável pela operação de empresas controladas pelo PCC e que policiais militares teriam apontado Milton como dono de fato da Transwolff.

A defesa da Tranwolff afirma que Milton Leite nunca teve nenhuma participação societária na empresa, nunca participou da gestão ou “deu ordens” e se reputa que tal afirmação está completamente equivocada e dissociada da realidade.

Buscas na casa de Milton Leite — Foto: TV Globo

Entre os presos pela operação está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Segundo os investigadores, apesar de Levi não aparecer como interlocutor direto de José Daniel Satilite, apontado como um dos personagens centrais do esquema, os dois teriam mantido encontros periódicos.

A investigação afirma que essas reuniões tinham como finalidade tratar de interesses da facção relacionados a empresas de transporte, especialmente após a deflagração da Operação Fim da Linha pelo Ministério Público de São Paulo, em 2024.

A defesa de Levi dos Santos Oliveira diz que ele não tem antecedentes, construiu ao longo de décadas, uma trajetória de relevantes serviços públicos prestados à cidade de São Paulo, atuando na SPTrans, onde se consolidou como referência técnica em sua área.

Outra frente da operação chegou a Danilo Marco Morgado Silva, que disputou a Prefeitura de Praia Grande em 2024 e era candidato a deputado estadual, mas teve o registro cassado . Ele também foi preso nesta quinta.

Danilo já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Decurio. Segundo a Polícia Civil, a nova etapa da investigação identificou um "forte vínculo" dele com integrantes do PCC e indícios de que sua campanha à prefeitura teria sido financiada pela organização criminosa.

O avanço é um desdobramento direto de duas operações anteriores. Em abril de 2026, a Polícia Civil e o Ministério Público realizaram a Operação Contaminatio , focada na estrutura de uma fintech gerida pela facção.

O objetivo do grupo era usar a empresa de tecnologia financeira para se infiltrar em prefeituras e assumir o gerenciamento do recebimento de tributos, taxas e o contato direto com os munícipes. Naquela etapa, a investigação desarticulou a rede de doleiros e de operadores de criptoativos usada na lavagem do dinheiro e prendeu um ex-vereador de Santo André.

Toda a apuração teve início em agosto de 2024, com a Operação Decurio . Após a apreensão de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba, os investigadores extraíram dados do celular da mulher de um dos líderes da facção. As informações do aparelho levaram à identificação e prisão de chefes da chamada "Sintonia Final" e à descoberta da fintech, que chegou a movimentar cerca de R$ 8 bilhões.

Foi também na primeira fase que surgiram as evidências iniciais do braço político da organização, com a identificação de campanhas de vereadores patrocinadas pela facção e o envolvimento de servidores comissionados em prefeituras do estado.

"Milton Leite nunca teve qualquer participação societária na Transwolff, nunca participou da gestão ou “deu ordens” na empresa e se reputa que tal afirmação está completamente equivocada e dissociada da realidade.

O empresário Luiz Carlos Efigenio Pacheco nunca havia sido denunciado em nenhuma outra situação em sua vida até as indevidas imputações da "Operação Fim de Linha”, que estão sendo combatidas na Justiça, com a defesa alegando sua total inocência.

O processo administrativo de intervenção ilegal e arbitrário na Transwolff está sendo questionado na Justiça.

Ressalta-se que o decreto de intervenção da Prefeitura se apoia exclusivamente em questões financeiras, comuns a todas as empresas do setor e plenamente sanáveis, não havendo qualquer fundamento criminal, diferentemente do que havia sido inicialmente aventado na intervenção."

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