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Wednesday, September 9, 2026

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Senha que pode valer bilhões: o mistério da fortuna em criptomoedas do ‘Faraó dos Bitcoins’ trancada em cofre da PF | G1

Um dispositivo do tamanho de um pen drive, guardado em um cofre da Polícia Federal, pode ser a chave para um dos maiores mistérios financeiros envolvendo o empresário Glaidson Acácio dos Santos.

· 875 words

Um dispositivo do tamanho de um pen drive, guardado em um cofre da Polícia Federal, pode ser a chave para um dos maiores mistérios financeiros envolvendo o empresário Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como o ‘Faraó dos Bitcoins’.

Dentro do aparelho estão as chaves digitais de uma fortuna em criptomoedas. O problema é que o acesso depende de uma senha que, segundo o próprio Glaidson, não está disponível para as autoridades.

O dispositivo é uma chamada cold wallet, ou carteira fria: uma forma de armazenar criptomoedas desconectada da internet. Para acessar os ativos, é preciso ter uma senha que permite chegar às chamadas chaves privadas, usadas para movimentar os valores.

Essa é uma das principais perguntas ainda sem resposta no caso.

Durante depoimento, Glaidson foi questionado se havia uma quantia vultosa na carteira de criptomoedas.

Na sequência, ele foi perguntado se seria possível pagar todos os credores com o dinheiro armazenado ali.

O depoimento, porém, não apresenta o valor exato que estaria armazenado na carteira. A existência de uma quantia suficiente para pagar todos os credores é uma afirmação feita pelo próprio Glaidson.

As criptomoedas não ficam armazenadas fisicamente dentro do dispositivo. A carteira digital funciona como uma forma de guardar e proteger as informações necessárias para acessar os ativos.

Segundo a explicação apresentada no depoimento, dentro da cold wallet podem existir diversas senhas, chamadas de chaves privadas. É por meio delas que o proprietário consegue controlar as criptomoedas.

No caso investigado, o problema é justamente descobrir quem tem ou teve acesso a essas informações.

Glaidson afirmou que tinha o poder sobre as criptomoedas por meio dessas senhas. Segundo o depoimento, se alguma coisa acontecesse com ele e as senhas não fossem deixadas com outra pessoa, os ativos poderiam ser perdidos para sempre.

A carteira ganhou importância porque o patrimônio digital ligado à G.A.S. Consultoria ainda é um dos pontos centrais do caso.

A empresa, fundada por Glaidson em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, atraiu milhares de investidores com a promessa de rendimento de 10% ao mês. Segundo a Polícia Federal, a rede informal de investimentos movimentou mais de R$ 38 bilhões.

Após a prisão de Glaidson, em 2021, as investigações apontaram que parte das criptomoedas continuou sendo movimentada.

Segundo o Ministério Público Federal, 4.500 bitcoins deixaram uma conta. Em 2021, quando os bitcoins foram movimentados, o valor correspondia a mais de R$ 1 bilhão.

Mireles Dias Zerpa, mulher e sócia de Glaidson, estava nos Estados Unidos naquele período. O MPF identificou o acesso a um computador em Kissimmee, na Flórida, exatamente onde ela estava. Mireles nega ter administrado os recursos da empresa.

A defesa dela afirma que os bitcoins foram movimentados para devolver valores aos clientes e nega que Mireles tenha ficado com R$ 1 bilhão.

A possível fortuna armazenada na carteira ganha outra dimensão diante do tamanho do prejuízo atribuído à G.A.S.

A lista de credores elaborada pelos administradores judiciais da massa falida da empresa tem mais de 77 mil pessoas e empresas.

Entre os investidores está um homem que preferiu não se identificar. Ele contou que vendeu carro e moto e contratou empréstimos para colocar mais de R$ 500 mil no negócio.

Ele disse que decidiu investir porque tinha amigos que recebiam os pagamentos prometidos e acreditou que a operação funcionava.

Mesmo depois de anos de investigação e do colapso da empresa, o destino de parte do patrimônio digital continua sendo um enigma.

Em depoimento, Glaidson afirmou que a fortuna estaria na carteira fria e reforçou que os valores poderiam ser suficientes para quitar os credores.

“A senha agora de cabeça eu não sei, mas tá lá. Tá tudo lá”, declarou.

A frase resume um dos principais desafios para quem tenta localizar e recuperar o patrimônio digital: não basta encontrar o dispositivo. É necessário ter acesso às informações que permitem movimentar os ativos.

Glaidson está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. Ele responde na Justiça Federal por organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro, incluindo oferta irregular de investimentos, operação de instituição financeira sem autorização e gestão fraudulenta.

O Ministério Público Federal pediu a condenação de Glaidson, Mireles e outras 15 pessoas acusadas de integrar o grupo. Se condenados, eles podem pegar mais de 37 anos de prisão.

A defesa de Glaidson afirma que ele é inocente e sustenta que as atividades da G.A.S. não configuravam crimes contra o sistema financeiro. Os advogados também contestam a lista de credores e afirmam que a interrupção dos pagamentos ocorreu em cumprimento a uma ordem judicial.

A defesa de Mireles afirma que ela não integrava a estrutura administrativa da G.A.S. e que os bitcoins movimentados após a prisão de Glaidson foram usados para devolver valores aos clientes.

Enquanto a Justiça tenta esclarecer o destino dos ativos, o dispositivo permanece sob custódia da Polícia Federal. E a senha que pode dar acesso à fortuna continua sendo uma das peças mais importantes — e misteriosas — do caso.

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