Alexsandro Ichisato: condenado por morte em 2013 busca semiaberto | G1
Condenado pela morte de Marcos Delefrate em 2013, Alexsandro Ichisato pediu para concluir pena no regime semiaberto, mas teve parecer desfavorável do MP. Exames realizados após 11 meses de espera apontaram bom comportamento recente na prisão.
O empresário Alexsandro Ichisato de Azevedo, condenado pelo atropelamento e morte do estudante Marcos Delefrate durante as manifestações de 2013 em Ribeirão Preto (SP) , afirmou a avaliadores técnicos que pretende abrir uma loja de compra e venda de veículos ou atuar na construção civil quando deixar a prisão.
"Pretende retornar ao convívio dos familiares em Ribeirão Preto , recomeçar com loja de compra e venda de veículos ou na construção civil", afirmou a assistente social no documento.
A declaração consta no relatório de uma assistente social que integrou a equipe responsável pela avaliação do condenado, realizada após quase um ano de espera do réu.
Os exames foram feitos na Penitenciária Compacta de Tupi Paulista (SP), onde Ichisato cumpre pena de prisão por homicídio duplamente qualificado e por quatro tentativas de homicídio qualificado - por ferir outros manifestantes.
Os laudos são obrigatórios para sustentar a progressão para o regime semiaberto solicitada pelo réu, que já cumpriu 13 anos de prisão, mais de dois terços da pena total de 18 anos, e tem direito ao benefício, caso apresente bom comportamento.
Em meio à discussões jurídicas sobre a necessidade dos exames e devido à demanda de avaliações pendentes no sistema prisional, os exames foram solicitados em setembro de 2025 pela defesa de Ichisato e apenas foram autorizados em abril deste ano , com realização efetiva apenas em 24 de agosto.
Alexsandro Ichisato de Azevedo é acusado de atropelar e matar o estudante Marcos Delefrate durante protesto em junho de 2013 em Ribeirão Preto — Foto: Reprodução/EPTV
Apesar de os laudos apontarem boa conduta de Ichisato na prisão, o promotor Lincoln Gakiya se baseou na gravidade do crime cometido em 2013, faltas disciplinares em 2022 e um eventual risco de fuga diante da pena restante até 2031.
A defesa de Ichisato, por sua vez, considerou o parecer da Promotoria desmedido e defendeu que o pedido preenche todos os requisitos legais.
"A progressão depende de requisitos simples: a pessoa ter cumprido a pena necessária e ter uma boa avaliação da penitenciária. Ele cumpriu esses requisitos, então o Ministério Público não poderia ter se oposto a isso", disse o advogado Wagner Simões.
Comportamento e declarações sobre o crime
O relatório social indicou que o Ichisato apresentou postura colaborativa e reflexão sobre a sua situação processual.
"O sentenciado demonstrou reflexão crítica sobre seus atos, tem consciência de sua condição atual, entende como consequência de erros cometidos no passado", comentou a assistente social no parecer.
No relatório psicológico, uma psicóloga registrou que o condenado demonstrou comunicação acelerada, humor eufórico e elevado nível de ansiedade durante o atendimento.
A profissional analisou que o interno apresenta funções psíquicas e memória preservadas, mas apresenta traços de personalidade impulsiva .
Prestes a concluir o Ensino Médio, Marcos Delefrate sonhava cursar engenharia mecânica — Foto: Igor Savenhago/G1
Em relação ao delito cometido em 2013, a avaliação psicológica anotou que o empresário assume a responsabilidade apenas de forma parcial.
"Sobre o delito do qual está em cumprimento de pena, o sentenciado assume parcialmente, referindo não ter muita noção do que estava ocorrendo naquele momento, alegando estar sob efeito de benzodiazepínicos e hipnóticos", disse a psicóloga no laudo.
Ao serviço social, o interno justificou a conduta como um evento atípico decorrente de descontrole emocional.
Na dinâmica do presídio, os laudos apontam que o interno registra bom comportamento carcerário recente, sem anotações de infrações nos últimos 12 meses.
Embora não estivesse desempenhando atividades de trabalho ou estudo no momento do exame, a Comissão Técnica de Classificação da unidade emitiu parecer favorável ao abrandamento do regime.
O atropelamento ocorreu em 20 de junho de 2013 , durante manifestações populares registradas no cruzamento das avenidas Professor João Fiúsa e Adolfo Bianco Molina, em Ribeirão Preto.
Após desentendimento com manifestantes que bloqueavam a via pública, Ichisato acelerou o veículo SUV contra a multidão, provocando a morte do estudante Marcos Delefrate, de 18 anos, e ferindo outros pedestres.
O motorista fugiu do local sem prestar assistência e foi localizado e preso pela polícia em 18 de julho de 2013, em Bragança Paulista (SP).
Busto em homenagem ao jovem Marcos Delefrate foi inaugurado com grafia de sobrenome errada. — Foto: Fernanda Testa/G1
Em fevereiro de 2020, o 2º Tribunal do Júri de Ribeirão Preto fixou a pena do réu em 64 anos de reclusão em regime fechado.
Em setembro de 2021, a 4ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo acolheu recurso defensivo e reduziu a pena para 18 anos e 8 meses de reclusão.
Em fevereiro de 2022, o réu obteve a progressão para o regime semiaberto. Mas o benefício foi revogado após o empresário cometer duas faltas disciplinares graves em abril e setembro de 2022, nas penitenciárias de Itirapina (SP) e Guareí (SP).
Em 25 de abril de 2023, Ichisato foi transferido para a Penitenciária de Tupi Paulista, onde permanece preso enquanto aguarda a análise do novo pedido.
Alexsandro Ichisato de Azevedo é acusado de atropelar e matar o estudante Marcos Delefrate durante protesto em junho de 2013 em Ribeirão Preto — Foto: Reprodução / EPTV
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