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Saturday, August 29, 2026

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Caso Yasmin: mãe critica advogada após júri que absolveu réu | G1

Mãe alega, em uma publicação nas redes sociais, que a defesa tentou culpabilizar a jovem pela própria morte. Advogada de defesa se manifestou sobre o caso.

· 1,076 words

Yasmin Macêdo e a mãe Eliene Fontes — Foto: Redes Sociais

A mãe da influenciadora Yasmin Macêdo publicou uma carta aberta nas redes sociais após o julgamento que absolveu Lucas Magalhães dos crimes de homicídio e fraude processual pela morte da filha.

Na publicação, ela criticou a atuação da advogada de defesa e afirmou que se sentiu profundamente ofendida com a forma como Yasmin foi retratada durante o júri. A jovem morreu em 2021, durante um passeio de lancha pelo rio Maguari, em Belém (leia mais abaixo a carta aberta na íntegra).

"Nada do que foi dito sobre Yasmin por aquela mulher muda a verdade sobre quem ela era. Nós sabemos quem era nossa Yasmin. E continuaremos contando a história dela com amor, verdade e dignidade", afirmou.

Ela também disse que faltaram "empatia, humanidade e respeito" com a família durante o julgamento. Segundo a mãe, as declarações feitas durante a defesa ultrapassaram os limites da atuação da advogada.

"Ouvir uma mulher, tentar culpabilizar Yasmin de uma forma tão baixa e cruel foi algo que jamais imaginei presenciar. Chamá-la de “bêbada”, reduzi-la a alguém “da noite” e insinuar que sua vida era feita de farras não foi apenas uma estratégia de defesa. Para nós, foi uma violência desnecessária contra a memória de uma jovem que não está mais aqui para se defender", disse.

Em nota ao g1 , a advogada de Lucas Magalhães, Julianne Macêdo, disse que sua atuação no julgamento do Tribunal do Júri ocorreu no estrito exercício da defesa técnica, dentro das prerrogativas da advocacia (veja mais abaixo a nota na íntegra).

"As manifestações feitas em plenário estiveram diretamente relacionadas à tese defensiva e à análise dos elementos constantes dos autos, entre eles o laudo pericial e os depoimentos testemunhais colhidos ao longo da instrução, que constituem a base técnica sobre a qual a defesa se debruçou. Em nenhum momento houve intenção de ofender, desqualificar ou atacar pessoalmente a vítima ou seus familiares", afirma.

Lucas Magalhães foi absolvido nesta terça-feira (25) pelos crimes de homicídio e fraude processual no caso da morte de Yasmin. Ele foi condenado pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e disparo de arma de fogo durante o passeio de lancha.

A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri, no Fórum Criminal de Belém . A pena aplicada foi de 4 anos e 10 meses de prisão, em regime semiaberto. Lucas poderá recorrer em liberdade.

Ele foi submetido a júri popular para responder por homicídio com dolo eventual, fraude processual e porte e disparo ilegal de arma de fogo. A soma das penas mínimas previstas para os crimes poderia chegar a 15 anos de prisão. O acusado já estava em liberdade provisória desde 2023.

A data do julgamento foi definida após o esgotamento dos recursos apresentados pela defesa do réu em instâncias superiores, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF). Nove testemunhas foram convocadas para prestar depoimentos.

Lucas Magalhães, dono da lancha envolvida no caso Yasmin Fontes Cavaleiro de Macêdo, na época da prisão. — Foto: Felipe Bispo/Redes Sociais

Yasmin Cavaleiro de Macêdo tinha 21 anos, era estudante de medicina veterinária e também atuava como influenciadora digital. Ela desapareceu em 12 de dezembro de 2021, durante um passeio de lancha pelo rio Maguari, em Belém .

O corpo da jovem foi encontrado no dia seguinte. Segundo as investigações, a causa da morte foi afogamento.

Ao todo, 19 pessoas estavam na embarcação. Lucas Magalhães, proprietário da lancha, era apontado como principal suspeito.

De acordo com as investigações, Lucas teria efetuado disparos de arma de fogo durante o passeio e alterado a estrutura da embarcação antes da realização da perícia técnica.

O despacho da Justiça também citava outras condutas atribuídas a Lucas, descritas no inquérito policial e em procedimento administrativo instaurado pela Capitania dos Portos.

Hoje, escrevo não apenas como mãe, mas como alguém que passou anos lutando para que a história de Yasmin fosse ouvida e sua memória respeitada.

No tribunal, ouvir uma mulher, tentar culpabilizar Yasmin de uma forma tão baixa e cruel foi algo que jamais imaginei presenciar. Chamá-la de “bêbada”, reduzi-la a alguém “da noite” e insinuar que sua vida era feita de farras não foi apenas uma estratégia de defesa. Para nós, foi uma violência desnecessária contra a memória de uma jovem que não está mais aqui para se defender.

E é impossível não destacar algo que nos marcou profundamente:. Faltou empatia, humanidade, respeito pela família que estava ali diante de uma das situações mais difíceis de sua vida. Era realmente necessário chegar a esse ponto?

A família de Yasmin sabe exatamente quem ela era. Nós conhecemos a filha, amiga, estudante, menina doce, amorosa e cheia de sonhos que ela foi. Sabemos de sua história, seus valores, sua essência. E nada do que foi dito naquele tribunal é capaz de apagar quem Yasmin realmente foi.

O que aconteceu ali ultrapassou os limites da defesa para muitas pessoas que acompanhou tudo. E a repercussão que se seguiu demonstra o quanto aquela postura foi considerada cruel e desnecessária por tanta gente. Hoje, esta página deixa de ser Justiça por Yasmin.

A partir de agora, ela será um memorial da pessoa mais doce e linda que eu já conheci na vida. Porque Yasmin merece ser lembrada pelo que foi, pelo amor que deixou, sonhos que tinha e pessoa maravilhosa que conhecemos.

E que fique registrado: nada do que foi dito sobre Yasmin por aquela mulher muda a verdade sobre quem ela era. Nós sabemos quem era nossa Yasmin. E continuaremos contando a história dela com amor, verdade e dignidade."

" A defesa esclarece que sua atuação no julgamento do Tribunal do Júri ocorreu no estrito exercício da defesa técnica, dentro das prerrogativas da advocacia.

As manifestações feitas em plenário estiveram diretamente relacionadas à tese defensiva e à análise dos elementos constantes dos autos, entre eles o laudo pericial e os depoimentos testemunhais colhidos ao longo da instrução, que constituem a base técnica sobre a qual a defesa se debruçou. Em nenhum momento houve intenção de ofender, desqualificar ou atacar pessoalmente a vítima ou seus familiares.

A atuação da defesa em um julgamento criminal exige o enfrentamento dos fatos, das provas e das versões apresentadas no processo, inclusive daqueles aspectos que possam ser dolorosos para as partes envolvidas. Isso não significa desrespeito à vítima, tampouco à sua família.

A defesa lamenta a dor da família e reafirma que atuou com técnica, responsabilidade e dentro dos limites éticos e legais da profissão."

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