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Saturday, August 29, 2026

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Vice-prefeito de Itaúna recebe R$ 11,2 mil sem trabalhar há um ano | G1

Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto foi reconduzido ao cargo por decisão liminar do TJMG após a Câmara declarar vacância do mandato. O político é alvo de investigações da Polícia Federal.

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Vice-prefeito de Itaúna Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto é investigado em esquema bilionário de corrupção no setor de mineração em MG — Foto: Reprodução/Instagram

O vice-prefeito de Itaúna , no Centro-Oeste de Minas Gerais, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto , continua recebendo salário pelo cargo, mesmo sem exercer atividades presenciais na Prefeitura desde 15 de setembro de 2025. Atualmente, ele recebe R$ 11.258,21 por mês, segundo a folha de pagamento disponível no Portal da Transparência.

O g1 tenta localizar a defesa de Hidelbrando.

A situação ocorre após uma série de decisões administrativas e judiciais envolvendo o mandato do político. Hidelbrando deixou de comparecer à Prefeitura em setembro de 2025, período em que se tornou alvo da operação Rejeito, da Polícia Federal , que investiga um esquema de corrupção no setor de mineração em Minas Gerais.

Em outubro de 2025, diante da ausência, a Prefeitura de Itaúna anunciou a suspensão do pagamento do subsídio do vice-prefeito. Segundo o Executivo, Hidelbrando estava ausente desde 15 de setembro e não havia comunicado oficialmente uma previsão de retorno. A suspensão passou a valer em 1º de outubro.

À época, a Prefeitura informou que a medida tinha caráter preventivo e cautelar. Segundo o Executivo, o pagamento de agentes políticos pressupunha o efetivo exercício das funções públicas.

A situação se agravou nos meses seguintes. Em janeiro de 2026, a Câmara de Itaúna declarou a vacância do cargo de vice-prefeito. A decisão levou em consideração, entre outros pontos, a ausência de Hidelbrando do país por período superior a 15 dias sem autorização legislativa.

A defesa do político recorreu à Justiça e, inicialmente, teve um pedido de liminar negado pela 2ª Vara Cível de Itaúna.

Em abril, porém, a 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou, em decisão liminar, a recondução de Hidelbrando ao cargo.

A desembargadora Maria Cristina Cunha Carvalhais entendeu que a declaração de vacância ocorreu sem a abertura de um processo administrativo que garantisse ao político o direito ao contraditório e à ampla defesa.

A decisão também considerou que a ausência de Hidelbrando não poderia ser caracterizada, naquele momento, como abandono voluntário do cargo, já que ele estava submetido a uma determinação judicial. Com a liminar, foram restabelecidos os direitos relacionados ao mandato. A decisão é provisória e ainda depende de julgamento definitivo.

Após a recondução ao cargo, Hidelbrando voltou a figurar na estrutura administrativa como vice-prefeito e passou a receber novamente os vencimentos referentes à função.

O valor atualmente registrado é de R$ 11.258,21.

Apesar de manter o mandato e receber a remuneração, Hidelbrando não exerce atividades presenciais na Prefeitura desde setembro de 2025.

A Prefeitura havia informado anteriormente que a ausência prolongada inviabilizava o exercício regular das funções e que, por isso, o pagamento havia sido suspenso.

Hidelbrando passou a ser investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Rejeito, deflagrada em setembro de 2025.

Na época da operação, a PF pediu a prisão preventiva do então vice-prefeito. Ele estava fora do Brasil e havia viajado para os Estados Unidos pouco antes da deflagração da operação.

Segundo a Prefeitura, os fatos investigados não tinham relação com o exercício das funções municipais de Hidelbrando.

Na ocasião, ele também foi exonerado do cargo de secretário municipal de Meio Ambiente. O Executivo ressaltou que se tratava de uma investigação e que não havia condenação definitiva.

Hidelbrando retornou ao Brasil em fevereiro de 2026 e passou a cumprir prisão domiciliar com monitoramento eletrônico , conforme decisões judiciais relacionadas ao caso. Posteriormente, uma decisão judicial permitiu sua recondução ao cargo de vice-prefeito.

Em manifestação divulgada à época, a defesa de Hidelbrando afirmou que ele retornou espontaneamente ao Brasil e se colocou à disposição da Justiça. Os advogados também disseram que a viagem ao exterior havia sido programada antes da deflagração da operação e que não havia relação com uma tentativa de fuga.

A defesa sustentou ainda que os fatos investigados não estavam relacionados à atuação política de Hidelbrando e que a inocência dele será demonstrada no decorrer do processo.

O nome de Hidelbrando voltou a aparecer nas investigações da Polícia Federal. Ele foi indiciado por organização criminosa e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Intrafortis, investigação que é um desdobramento da Operação Rejeito.

Ao todo, 10 pessoas foram indiciadas nessa etapa, entre elas dois delegados da Polícia Federal, empresários, um ex-deputado estadual e Hidelbrando.

Segundo a investigação, o grupo teria atuado em negociações envolvendo direitos minerários, além de supostas práticas de corrupção e lavagem de dinheiro. Os direitos minerários envolvidos nas negociações seriam avaliados em mais de R$ 200 milhões.

A PF reuniu informações obtidas por meio de dados telemáticos, bancários, fiscais, telefônicos e documentos. A investigação aponta ainda que empresas registradas formalmente em nome de terceiros teriam sido utilizadas em negócios relacionados aos direitos minerários.

O indiciamento, no entanto, não significa condenação. Trata-se de uma conclusão da autoridade policial durante a fase de investigação. O caso deverá seguir para análise do Ministério Público Federal, que poderá decidir se oferece ou não denúncia à Justiça.

A Prefeitura de Itaúna informou, em outubro de 2025, que suspendeu o pagamento de Hidelbrando por causa da ausência prolongada e não comunicada oficialmente à administração. A decisão foi apresentada como uma medida administrativa preventiva.

Após a decisão do TJMG que determinou a recondução, a Prefeitura informou que aguardaria a comunicação formal da Justiça para adotar as providências cabíveis.

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