Paciente com leucemia recebe remédio importado e polícia apura fraude | G1
Homem tomou a medicação por cerca de 20 dias e percebeu que não apresentava resposta ao tratamento. Investigação aponta que cartelas podem ter relação com um doce comercializado na China.
Paciente com leucemia recebe remédio importado por decisão judicial e polícia investiga falsificação — Foto: Divulgação/ Polícia Civil
Uma investigação da Polícia Civil do RS apura a autenticidade de um medicamento importado entregue a um paciente com leucemia . O caso veio à tona após o homem perceber que o tratamento não apresentava os resultados esperados .
A suspeita levou o paciente e a Secretaria Municipal de Saúde a procurarem a Delegacia de Polícia de Proteção ao Consumidor, Saúde Pública e da Propriedade Intelectual (Decon).
Segundo a apuração da reportagem, o homem havia mudado de tratamento e recebeu prescrição de um medicamento que não é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) . Por determinação judicial, a prefeitura do município onde ele mora encomendou o produto de uma empresa localizada em Itajaí , em Santa Catarina.
Após cerca de 20 dias utilizando a medicação, o paciente começou a desconfiar da eficácia do tratamento . Ele procurou o médico responsável, que observou uma incompatibilidade entre as cartelas recebidas e as características do medicamento que deveria ter sido fornecido .
De acordo com o delegado João Paulo de Abreu, o paciente não conhecia anteriormente a apresentação do remédio, já que nunca havia utilizado aquela medicação específica. A suspeita surgiu somente após a avaliação médica.
A partir do registro, a Polícia Civil deu início às diligências para verificar a origem e a autenticidade do produto. Durante a investigação, os policiais identificaram inscrições e características nas cartelas que chamaram atenção.
Conforme a polícia, pesquisas realizadas em bancos de dados e em fontes comerciais no exterior indicaram semelhanças entre o material apreendido e um produto alimentício comercializado na China , descrito como uma "bala macia com sabor taro" . Comparações fotográficas também apontaram coincidências entre os itens.
"A gente percebe, não na embalagem, mas sim na cartela do medicamento, que havia dizeres e anotações que remetiam a um produto de origem chinesa", diz o delegado.
Apesar dos indícios, a Polícia Civil ressalta que ainda não há confirmação sobre a composição do material . Os produtos serão submetidos à perícia do Instituto-Geral de Perícias (IGP), que deverá determinar se o conteúdo corresponde ou não ao medicamento prescrito.
Nesta quarta-feira (7), os investigadores cumpriram um mandado de busca e apreensão na empresa que realizou a importação do produto , em Santa Catarina. O objetivo era verificar a atuação da empresa e buscar elementos que ajudassem a esclarecer o caso.
Durante a operação, não foram encontradas novas unidades do medicamento investigado .
"Documentos foram apreendidos para que a gente possa também entender o papel dessa empresa, se ela tem participação eventualmente numa importação, não digo fraudulenta, mas de medicações falsificadas, ou se ela também é vítima", ressalta o delegado.
A investigação também busca identificar a cadeia de importação e distribuição do material e verificar se outros pacientes podem ter recebido produtos semelhantes .
Caso seja confirmada a falsificação, o fato poderá ser enquadrado como crime contra a saúde pública , previsto no Código Penal.
"Em princípio não temos suspeitos, não temos relatos de outros pacientes", comenta o delegado.
A investigação segue em andamento e sob sigilo.
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