Renan Santos: candidato do Missão concede entrevista à Globo | G1
Os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli conduzem nesta semana entrevistas da Globo com os candidatos à Presidência da República, direto dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro.
Renan Santos, do Missão, candidato à Presidência — Foto: Globo/ Manoella Mello
O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos , concede nesta quarta-feira (26) entrevista à Globo. Quem conduz a entrevista são os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.
Veja os principais destaques da entrevista com Renan Santos:
Ao ser questionado sobre declarações anteriores em que afirmou que o país deveria ter uma bomba atômica, o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) defendeu que o Brasil desenvolva armamento nuclear.
“Se o Brasil quiser ser uma das cinco maiores nações do mundo, que se presta a sentar na mesa com Estados Unidos, Índia, Rússia e China, ele vai precisar ter soberania, a soberania sobre o seu próprio território, soberania militar, e vai ter que discutir ter bombas atômicas”, disse o candidato.
Renan reconheceu, porém, que o Brasil não tem condições de desenvolver armas militares nos próximos dez anos.
O candidato acrescentou que não precisa de estudo científico ou técnico para defender que o Brasil desenvolva uma bomba atômica.
“Eu não preciso de um estudo científico para determinar que uma nação tem que ter força política para se proteger de outras nações. Eu posso trazer apenas dados da realidade. A realidade é muito clara: as nações mais poderosas do mundo dispõem de armas nucleares e elas se fazem respeitadas por causa disso”, afirmou.
O candidato também defendeu a saída do Brasil do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, a exemplo da Coreia do Norte, que foi o único país a tomar essa medida.
“[A Coreia do Norte] por mais que seja um regime que eu considero opressivo e que eu não respeite, pelo menos ele é respeitado internacionalmente. É uma forma de defender a sua própria soberania”, afirmou Renan.
“Se a gente quiser ser o eterno Zé Carioca no mundo [...], aceitamos nossa posição submissa. Agora, se a gente quiser ser uma nação séria e respeitada nos próximos 30 anos, nós precisamos ter armas nucleares.”
Renan foi questionado sobre a viabilidade do plano de combate ao crime organizado dele, que promete recuperar todas as áreas dominadas por facções no país em um ano.
Renan afirmou que o Brasil vive uma “guerra declarada unilateralmente” contra o crime organizado.
“Se você mora numa favela, o crime organizado manda em você, pode te desalojar da tua casa, pode eventualmente se interessar de maneira sexual pela tua filha e você não tem como se defender. A vida num país que está em guerra é uma vida triste. Hoje quase 40 milhões de brasileiros vivem direta ou indiretamente sob a influência do crime”, disse.
Ao tratar de segurança pública, o candidato do Missão afirmou que vai construir dez novos presídios federais para prender até 40 mil pessoas em cada um deles, caso eleito presidente.
Atualmente, o sistema penitenciário federal é composto por cinco unidades de segurança máxima que, juntas, somam 1.040 vagas -- destinadas a líderes de facções criminosas.
"Só na parte de presídio, R$ 6 bilhões nós precisamos fazer para abrir vagas e construir dez presídios, cada um de 30 mil a 40 mil vagas. O processo precisa se iniciar desde já", disse Renan Santos.
Renan Santos criticou a política externa adotada pelo governo Lula (PT) ao tratar de conflitos internacionais, como o embate de tarifas com os Estados Unidos. Segundo o candidato, o Brasil é subserviente aos interesses da China.
"O Brasil, hoje, é um vassalo da China, de acordo com a ação política do Lula, no cenário global. Onde há uma briga internacional envolvendo interesse chinês, Lula se pronuncia favoravelmente à China", disse Renan.
O candidato citou ainda o conflito entre Israel e Irã para criticar a política externa do governo Lula. "Lula sai se pronunciando sem o Brasil ter nenhum ganho."
Segundo Renan, o mundo passará por uma nova Ordem Mundial, para a qual o Brasil precisa estar pronto.
"Se os Estados Unidos da América, que são a nação hoje mais poderosa do mundo, não fizeram a lição de casa e deixaram a China ficar com todo o processamento de terra rara do mundo nesse instante e vê de maneira cobiçosa o Brasil, nós vamos ter que olhar para os americanos e entender: se nós não tivermos meios de se defender, o que vamos fazer?"
"O mundo vai mudar muito, o mundo vai se reconfigurar. Se nós não reconstruirmos essa rede e o Brasil se colocar de maneira soberana nesse mundo em conflito, o Brasil vai ser vítima desse mundo que vem aí: a ordem mundial pacífica acabou, e o Brasil vai ter que ser capaz de se defender nas próximas décadas."
Confira datas de outras entrevistas com presidenciáveis à Globo
A entrevista com Renan é a terceira de uma série com os candidatos à Presidência da República. Na segunda-feira (24), o participante foi Romeu Zema (Novo) e, na terça (25), Ronaldo Caiado (PSD).
Veja como foram as entrevistas de Zema e de Caiado .
A Globo convidou os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto . A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos.
Confira a data das próximas entrevistas:
27 de agosto (quinta-feira): Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
28 de agosto (sexta-feira): Flávio Bolsonaro (PL)
29 de agosto (sábado): Augusto Cury (Avante)
Esta é a primeira vez que as entrevistas da Globo com candidatos ao Palácio do Planalto são após o Jornal Nacional, e não dentro do telejornal. Após a exibição, a entrevista vai ficar disponível na íntegra no g1 e no Globoplay.
O 1º turno das eleições será em 4 de outubro.
Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema: candidatos à Presidência da República — Foto: Divulgação
Renan Santos disputará a primeira eleição dele como candidato à Presidência e levará o partido Missão, criado em 2025, às urnas. Aos 42 anos, é empresário e ativista político, lidera o Movimento Brasil Livre (MBL) , que ajudou a fundar em 2014. Estudou Direito na USP, sem concluir o curso.
O MBL teve origem nas manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em 2015 e 2016, e posteriormente se transformou em partido político.
Renan Santos (Missão) com Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo. — Foto: Globo/ Manoella Mello
A segurança pública e o combate ao crime organizado são os principais temas da candidatura. Inspirado no presidente de El Salvador, Nayib Bukele, Renan defende uma política de endurecimento contra criminosos e chegou a defender, no lançamento da candidatura, "matar quem roubar".
Entre as propostas estão o aumento das penas para crimes violentos, a construção de grandes presídios, medidas para retirar o controle territorial das facções e a adoção do chamado "Direito Penal do Inimigo", que classificaria integrantes de organizações criminosas como "inimigos do Estado" e eliminaria a presunção de inocência em determinadas situações.
Entre outras propostas, Renan defende condicionar a reeleição de prefeitos ao cumprimento de metas, substituir a CLT por um regime de negociação direta entre contratantes e trabalhadores e extinguir a Justiça do Trabalho.
Também propõe a criação de uma reserva nacional em criptomoedas, frentes de trabalho para reduzir a dependência do Bolsa Família e uma PEC para promover um corte radical de gastos públicos.
Veja as principais propostas de Renan , registradas no plano de governo entregue ao TSE:
Segurança pública: O plano propõe declarar “guerra ao crime” no primeiro dia de governo e adotar o chamado “Direito Penal do Inimigo”, com tratamento penal mais rigoroso para integrantes de organizações criminosas.
Combate às facções: Prevê operações de “retomada territorial” em áreas sob comando de facções, amparadas por decretos de Estado de Defesa e por uma Lei Antifacção.
Superpresídios: Propõe a construção de presídios de segurança máxima inspirados em El Salvador, para isolar lideranças criminosas.
Desfavelização: Estabelece a meta de acabar com as favelas em dez anos, com regularização de áreas, financiamento imobiliário subsidiado, monitoramento por satélite e criação do crime de “favelização”.
Fusão de municípios: Propõe reduzir o número de municípios de 5.570 para cerca de 1.600, unindo cidades consideradas “fiscalmente inviáveis”.
Ajuste fiscal: A chamada “PEC do Equilíbrio Fiscal” prevê economia de R$ 1,1 trilhão até 2031, com redução de gastos públicos, mudança nas regras do abono salarial, redução de isenções tributárias e combate aos supersalários.
Previdência e vinculações: O plano propõe desvincular aposentadorias e benefícios previdenciários dos reajustes do salário mínimo, corrigindo-os apenas pela inflação, e acabar com a destinação obrigatória de percentuais da arrecadação para saúde e educação.
Bolsa Família: Prevê substituir o programa por frentes de trabalho remuneradas, voltadas a pessoas em idade economicamente ativa e condicionadas ao desempenho de atividades em benefício da comunidade.
Educação: Defende substituir o sistema de cotas por bolsas baseadas em mérito acadêmico, priorizar a educação básica, criar um Código Nacional de Conduta nas escolas, ampliar escolas militares e acabar com a aprovação automática onde ainda vigora.
Desenvolvimento econômico: O plano prevê reformas para aumentar a produtividade e propõe transformar o Nordeste em um polo de desenvolvimento industrial.
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