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Moraes acusa Mendonça de 'escolha seletiva' no caso Banco Master | G1

Ministro também solicitou ao presidente do STF julgamento da sua situação no caso Master em conjunto com o relatório que trata da atuação de André Mendonça. Em ofício a Fachin, ministro disse que Mendonça omitiu 180 peças em procedimentos liberados.

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O ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal ( STF ), encaminhou nesta sexta-feira (11) um ofício ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin , no qual cita uma "escolha seletiva" na retirada do sigilo, por André Mendonça, dos inquéritos e procedimentos ligados ao Banco Master.

Moraes pediu a derrubada imediata de todo e qualquer sigilo dos documentos. O ministro também solicitou o julgamento conjunto de duas petições em curso no tribunal sobre o caso:

e a que reúne relatórios que apontam suposta quebra de imparcialidade e suspeitas de improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade por parte de Mendonça na condução das operações "Sem Desconto" e "Compliance Zero" .

A análise da situação de Moraes está prevista para a próxima terça-feira (15). Fachin ainda está definindo qual será o rito do julgamento relacionado ao colega.

No documento enviado a Fachin nesta sexta, Moraes afirma que, ao cumprir solicitação da presidência do STF, Mendonça — a quem classificou como "diretamente interessado no julgamento" — liberou apenas 15 procedimentos de forma parcial, excluindo 180 peças e documentos digitais.

"O julgamento fracionado das PETs 16.704 e 16.662 (...) somado à escolha seletiva do levantamento somente de parte dos procedimentos e o direcionamento subjetivo de um dos interessados de quais documentos de cada PET deverão ser entregues aos Ministros julgadores, com a supressão de 180 (cento e oitenta) documentos, obstaculiza gravemente a análise probatória", escreveu Moraes.

No ofício a Fachin, Moraes anexou uma tabela comparativa detalhando a diferença entre as peças disponibilizadas e as registradas no sistema eletrônico do tribunal .

Inquérito 5026: 61 peças pendentes (1.025 disponibilizadas de 1.086);

PET 15556: 54 peças pendentes (504 disponibilizadas de 558);

Reclamação (RCL) 88121: 35 peças pendentes (413 disponibilizadas de 448);

PET 15198: 23 peças pendentes (1.049 disponibilizadas de 1.072);

PET 15978: 7 peças pendentes (392 disponibilizadas de 399).

Segundo o ministro, das 4.514 peças constantes no sistema para os 15 procedimentos listados , apenas 4.334 foram disponibilizadas.

Ele pediu ainda que a Diretoria de Tecnologia da Informação do STF certifique a quantidade exata de procedimentos existentes relacionados à investigação.

André Mendonça durante sessão no STF — Foto: Luiz Silveira/STF

Moraes criticou o fato de ter sido pautada apenas a análise da petição relacionada a ele, sobre relação com Vorcaro, deixando de fora a que trata da conduta de André Mendonça.

Esta última é a que reúne relatórios de inteligência da Polícia Federal, sem valor probatório, sobre a atuação de Mendonça na condução das operações "Sem Desconto" e "Compliance Zero".

Entre os pontos citados por Moraes contra Mendonça na comunicação original de 3 de setembro estão:

usurpação da direção das investigações policiais com quebra da cadeia de armazenamento de provas;

condução supostamente irregular de tratativas de colaboração premiada;

suposto direcionamento de apurações contra alvos, incluindo o próprio Moraes e o senador Davi Alcolumbre ( União Brasil -AP), presidente do Senado , por motivações pessoais e políticas.

Moraes ressaltou que o próprio presidente Edson Fachin havia reconhecido conexão entre os dois temas para evitar decisões contraditórias. Por isso, formalizou três pedidos a Fachin:

levantamento total e irrestrito do sigilo de todos os procedimentos;

intimação de todos os ministros do STF citados nos autos, para que possam prestar esclarecimentos e assegurar a defesa de suas prerrogativas;

O embate ocorre após André Mendonça retirar, na quinta-feira (10), o sigilo das principais apurações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pedido de Fachin.

Contudo, a liberação manteve em segredo outras frentes, como apurações ligadas ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e ao financiamento do filme "Dark Horse" — cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro que colocou sob apuração da Polícia Federal conversas entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A disputa expôs divergências públicas entre integrantes da Corte , a Procuradoria-Geral da República e a direção-geral da PF.

Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal — Foto: REUTERS/Adriano Machado

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Tuesday, October 13, 2026

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