Crise no STF: Lula diz que 'quem cometeu erro tem que pagar' e cita Moraes | G1
Presidente também disse defender que todos tenham direito à ampla defesa e a um julgamento justo, mas ressaltou que eventuais crimes devem ser punidos, independentemente de quem seja o investigado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16) que não pode ser responsabilizado pelas indicações dos ministros Alexandre de Moraes , Kássio Nunes Marques e André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal ( STF ), já que não estava na Presidência da República quando eles foram nomeados.
Ao comentar críticas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, Lula declarou que a responsabilidade pelas indicações é de quem estava no cargo à época e defendeu que qualquer pessoa que tenha cometido irregularidades seja investigada e julgada.
Essa é a primeira vez que Lula fala nominalmente dos ministros desde o julgamento no Supremo nesta terça (15) sobre a abertura ou não de uma investigação contra Moraes. Um pedido de vista do ministro Flávio Dino suspendeu a análise antes mesmo de o STF entrar no mérito , ou seja, no conteúdo principal do processo.
Desde o início da crise no STF, Lula evitava fazer afirmações contundentes sobre o caso. Segundo interlocutores, a estratégia se deu para tentar descolar sua campanha à reeleição do cenário turbulento entre os ministros da Corte.
"Eu não era presidente quando indicaram Moraes, Kassio e Mendonça. Quem indicou é que tem responsabilidade, não eu", afirmou.
Lula também disse defender que todos tenham direito à ampla defesa e a um julgamento justo, mas ressaltou que eventuais crimes devem ser punidos, independentemente de quem seja o investigado.
"Todo mundo que cometeu erro tem que ser julgado. Eu defendo julgamento justo, direito de defesa, mas, se cometeu delito, tem que pagar. Vale para mim, vale para o Fachin, vale para o Moraes. Essa é a minha tese", declarou.
Lula afirmou que adversários políticos tentam associá-lo à atuação de Alexandre de Moraes e atribuiu as críticas ao ministro às decisões tomadas em investigações conduzidas pelo STF.
"Ontem [terça] meu adversário disse que eu sou responsável pelo Moraes. Mas a raiva dele [Flávio Bolsonaro] é porque o Moraes mandou prender quem matou Marielle. E porque prendeu o pai dele e golpistas. Esse é o pavor dele", afirmou.
Lula também declarou que a Justiça deve apurar os fatos e identificar os responsáveis por eventuais irregularidades. "A Corte vai descobrir quem está metido nisso", disse.
Na mesma entrevista, o presidente elogiou a atuação de Alexandre de Moraes na condução da Justiça Eleitoral durante as eleições de 2022.
Segundo Lula, o ministro teve papel importante na defesa do sistema eleitoral diante dos questionamentos feitos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro às urnas eletrônicas.
"Eu acho que o Moraes prestou um serviço à democracia. Ele foi presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na eleição em que eu ganhei e sabe da tentativa que o Bolsonaro fez de destruir a credibilidade da urna eletrônica", disse.
Lula voltou a defender a segurança do sistema de votação brasileiro e afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras são confiáveis. "A urna é séria. Ela não está subordinada à internet", declarou.
O presidente também afirmou estar tranquilo em relação às críticas e disse considerar importante rebater versões que, segundo ele, distorcem os fatos.
"Temos que mostrar a narrativa correta. E eu estou tranquilo quanto a isso", concluiu.
As declarações foram dadas no canal e podcast "Desce a Letra Show".
Presidente Lula, candidato à reeleição pelo PT, cumpre agenda em Brasília — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
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