Extradição de Carla Zambelli: Itália marca novo julgamento | G1
Justiça da Itália vai reavaliar, em 29 de outubro, um pedido de extradição feito pelo Brasil após condenação de Zambelli por perseguir, com arma, um homem nas ruas de SP em 2022.
A justiça italiana marcou para o fim de outubro uma nova audiência para reavaliar o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli ( PL -SP) para cumprir a pena pela condenação no caso da perseguição armada contra um homem pelas ruas de São Paulo.
Em julho, a Justiça da Itália anulou a extradição e determinou que o pedido apresentado pelo Brasil seja submetido a um novo julgamento, voltando à fase inicial.
A Justiça da Itália descartou a tese de perseguição política, que foi alegada pela defesa de Zambelli. Mas entendeu ser necessária a apresentação de mais garantias do governo brasileiro e do Supremo Tribunal Federal ( STF ) sobre as condições de saúde da ex-deputada (como quadros de fibromialgia e desmaios) e o tratamento que ela receberia no sistema prisional no Brasil.
Esses novos dados já foram fornecidos, o que permite a reavaliação do caso.
A nova audiência na Itália foi marcada para 29 de outubro , após o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. A decisão não trata da culpa ou da inocência de Zambelli nem reavalia a condenação imposta pela Justiça brasileira.
No procedimento de extradição, cabe à Corte italiana apenas verificar se o pedido cumpre os requisitos previstos na legislação e nos tratados internacionais para que a entrega da acusada seja autorizada.
A defesa de Carla Zambelli afirmou que avalia que o segundo processo de extradição da ex-parlamentar também deve ser negado em razão da "falta de garantias processuais e a âmbito de direitos humanos e princípios fundamentais" ( leia a íntegra da nota aqui ).
Segundo o advogado Eduardo Mauricio, a defesa de Zambelli deve apresentar ao STF duas revisões criminais e dois pedidos de exclusão da lista da Interpol.
O advogado afirmou que "as duas condenações no Brasil são abusivas e ilegais baseadas em perseguição política e parcialidade do julgador".
Luan Araújo foi perseguido por Carla Zambelli — Foto: Reprodução
O episódio ocorreu na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Na ocasião, a então deputada perseguiu, armada, um homem pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo (SP), após uma discussão política.
Em maio, a Corte Suprema de Cassação da Itália rejeitou a extradição de Zambelli em outro caso, a condenação dela a 10 anos de prisão pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A Corte de Cassação afirmou que identificou "diversos elementos" capazes de gerar dúvidas sobre a imparcialidade objetiva do Supremo Tribunal Federal, que condenou Carla Zambelli.
Segundo os magistrados, Alexandre de Moraes acumulou diferentes funções ao longo do processo e atuou simultaneamente como integrante do colegiado julgador e como pessoa considerada prejudicada por um dos crimes atribuídos à deputada.
A deputada licenciada Carla Zambelli em imagem de 27 de agosto de 2025. — Foto: TV Globo
Leia a íntegra da nota divulgada pela defesa de Carla Zambelli:
Eduardo Mauricio, advogado de defesa de Carla Zambelli, afirma que a defesa da extradição é conduzida pelos advogados italianos Pieremilio Sammarco e Alessandro Samarco, em conjunto com o escritório Eduardo Maurício advocacia. Mauricio afirma que o segundo processo de extradição da ex-parlamentar também deve ser negado como foi o primeiro processo de extradição, sobretudo pela falta de garantias processuais e a âmbito de direitos humanos e princípios fundamentais.
Maurício afirma ainda que está preparando duas revisões criminais e dois pedidos de exclusão de Interpol, pois as duas condenações no Brasil são abusivas e ilegais baseadas em perseguição política e parcialidade do julgador, o Ministro do STF Alexandre de Moraes e o Ministro do STF Gilmar Mendes, cujos não analisaram as provas do processo, que demonstram a imperiosa necessidade de anulação dos 2 casos e absolvição da ex-deputada.
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