Skip to content
Gigantum.net
Politics

Lula 4 aposta em pragmatismo para lidar com Trump, contornar atritos com Milei e ampliar alianças no mundo | G1

Estratégia do quarto mandato passa pela relação com EUA e Argentina após a fuga de Flávio Bolsonaro, retomada das negociações comerciais e ampliação de alianças na Ásia

· 1,452 words

Antes de encerrar o terceiro mandato, na reta final de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda terá compromissos importantes na agenda internacional.

Em novembro, por exemplo, o Brasil deixa a presidência da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a chamada COP, —principal fórum de negociações internacionais sobre o tema. O país assumiu o posto após sediar o encontro em Belém.

A presidência será transferida à Turquia — que sediará, na cidade de Antália, a COP31 —, enquanto a Austrália ficará responsável por conduzir as negociações.

Entre novembro e dezembro, o Brasil também participa de encontros de alguns dos principais fóruns políticos e econômicos internacionais:

a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), que reúne países do Sudeste Asiático;

o G20, grupo das maiores economias do mundo; e

a Cúpula do Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.

No quarto mandato, a política externa do Brasil terá que conduzir as relações com os Estados Unidos e manter o diálogo com países vizinhos governados por lideranças de direita e extrema direita, algumas delas alinhadas ao presidente americano , Donald Trump ( entenda mais abaixo) .

O cenário ganhou um novo elemento surpresa após a eleição: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula no segundo turno, deixou o Brasil, passou pela Argentina e desembarcou nos Estados Unidos.

Já em território americano, agradeceu publicamente a Trump e ao presidente argentino, Javier Milei , ao contestar, sem apresentar provas, o resultado da eleição. O TSE confirmou a vitória de Lula e afirmou que a votação ocorreu com segurança e transparência.

Nesse cenário, o governo brasileiro terá o desafio de dar continuidade à estratégia de ampliar a presença do Brasil no cenário internacional, fortalecer a atuação nos organismos multilaterais e preservar espaços de diálogo em um contexto de divergências políticas e geopolíticas.

A relação com os Estados Unidos é apontada por diplomatas como um dos principais desafios da política externa no quarto mandato do presidente Lula.

As eleições legislativas americanas, previstas para a próxima semana, devem ajudar a definir o cenário político com o qual o governo brasileiro terá de lidar nos próximos anos.

Uma eventual maioria democrata no Congresso poderia alterar a correlação de forças em Washington, mas Donald Trump continuará à frente da Casa Branca. As eleições legislativas estão marcadas para 3 de novembro.

Lula e Trump ainda devem estar juntos em pelo menos dois eventos internacionais neste ano: na cúpula da Asean, nas Filipinas, em novembro, e no G20, na Flórida, em dezembro. Os encontros podem abrir espaço para novos contatos entre os dois presidentes.

A ida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos acrescentou um novo componente a essa relação. O governo Trump autorizou a entrada do senador e de sua família no país.

Segundo o governo americano, Flávio apresentou os passaportes brasileiros comum e diplomático para entrar nos EUA , mesmo depois de os documentos terem sido cancelados pela Polícia Federal.

O governo Trump informou nesta quinta (29) que concedeu visto humanitário a Flávio. Ao mesmo tempo, Trump afirmou que não pretende se envolver nas alegações sem provas feitas pelo senador brasileiro sobre a eleição.

Esse episódio se soma às divergências acumuladas ao longo do terceiro mandato. O governo Lula já havia sinalizado a intenção de retomar as negociações com os Estados Unidos, especialmente em relação às tarifas e barreiras comerciais.

Brasil e Estados Unidos retomaram as conversas sobre o tarifaço depois de uma ligação entre Lula e Trump . Em setembro, os dois países também se reuniram na Organização Mundial do Comércio (OMC) para discutir as tarifas americanas. conversa entre os presidentes ocorreu em 21 de agosto, e a reunião na OMC, em 25 de setembro

A segurança pública também deve permanecer na agenda entre os dois países. O Brasil não foi convidado e, segundo fontes do governo, não pretende integrar o chamado Escudo das Américas, iniciativa de Trump.

A avaliação de integrantes do governo brasileiro é de que a proposta carece de um projeto mais amplo para a região e tem forte caráter ideológico.

Apesar das divergências, o Brasil pretende manter e ampliar os acordos de cooperação com os Estados Unidos e países vizinhos no combate ao crime organizado, especialmente ao tráfico internacional de drogas.

Dentro do Brasil, uma das promessas de Lula para o quarto mandato é criar o Ministério da Segurança Pública , após a aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso.

A proposta busca fortalecer a atuação das forças de segurança e ampliar a articulação com os estados.

Vitória de Lula criaria "dor de cabeça no curto prazo" para Trump, segundo analistas. — Foto: Elizabeth Frantz/ Reuters via BBC

O presidente Lula embarca em novembro para participar da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). É a segunda vez que o Brasil recebe convite para participar do encontro.

A aproximação com os países asiáticos foi uma das apostas da política externa do terceiro mandato de Lula e deve continuar no quarto governo.

A estratégia é ampliar a presença brasileira na região, conquistar novos mercados para produtos nacionais e diversificar as relações comerciais.

Na avaliação do governo, a abertura de novos mercados também é uma forma de reduzir a dependência comercial do Brasil em relação à China e a outras grandes potências, ampliando as alternativas do Brasil.

Apesar desse movimento, a China continua sendo uma das prioridades da política externa brasileira, que é um dos principais destinos das exportações do país.

A intenção do governo não é diminuir a parceria com os chineses, mas ampliar as relações com outros países asiáticos.

O governo brasileiro pretende retomar o diálogo político com o país vizinho , mas avalia que uma reaproximação depende de uma mudança de postura do presidente argentino, Javier Milei.

A relação entre os dois presidentes é marcada por uma série de atritos. Além dos ataques públicos a Lula, Milei manifestou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições e chegou a vir ao Brasil para participar da convenção que oficializou a candidatura do senador à Presidência. Na ocasião, disse confiar "plenamente" em Flávio.

A passagem de Flávio pela Argentina após deixar o Brasil acrescentou um novo foco de tensão. O senador e sua família cruzaram a fronteira terrestre e embarcaram em Puerto Iguazú em um jatinho particular com destino aos Estados Unidos, com escala no Equador.

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, os quatro apresentaram documentação válida e não tinham impedimento legal para entrar no país.

A passagem também provocou reação política dentro da Argentina. Deputados argentinos acusaram Milei de facilitar a fuga e cobraram explicações de integrantes de seu governo, além do reconhecimento formal da vitória de Lula.

Na carta divulgada já nos Estados Unidos, Flávio agradeceu tanto a Milei quanto a Trump. Na primeira versão do texto, chamou a si próprio de "presidente eleito" . Depois, apagou a publicação e substituiu essa expressão por "líder do Brasil".

Apesar das divergências políticas e da ausência de um embaixador brasileiro em Buenos Aires, os canais diplomáticos seguem funcionando. As relações comerciais e a cooperação bilateral também continuam, inclusive no Mercosul.

A avaliação no governo brasileiro é de que a relação com a Argentina precisa ser preservada. No entanto, para que haja uma retomada do diálogo em nível presidencial, interlocutores de Lula consideram necessário que Milei abandone os ataques pessoais.

Apesar das diferenças políticas entre os governos da região, a avaliação da diplomacia brasileira é de ótima relação com a região e de que há espaço para ampliar a cooperação, especialmente na área de segurança pública.

Segundo interlocutores do governo Lula, é que apesar do alinhamento com Trump, países como Peru, Bolívia e Chile tem dúvidas sobre o que Trump pode, efetivamente, oferecer à região e demonstram interesse em manter uma relação pragmática com o Brasil, que é o maior país da América do Sul.

A avaliação é de que existem interesses comuns que vão além das divergências ideológicas. Além da cooperação no combate ao narcotráfico, tem a importância estratégica do Brasil que é rota de acesso ao Oceano Atlântico.

Na segurança pública, a intenção do governo brasileiro é ampliar e fortalecer cooperações já existentes.

A avaliação que segundo interlocutores do governo, é compartilhada por outros países da região, é de que as divergências ideológicas não devem comprometer os esforços de combate ao crime.

O Brasil pretende ampliar essa atuação com base na estrutura de inteligência e na capacidade operacional da Polícia Federal. Entre os instrumentos de cooperação estão:

presença de um delegado brasileiro na Interpol

os centros de inteligência e cooperação na Amazônia e no Rio de Janeiro

Possível criação de uma nova estrutura em Buenos Aires, que deverá reunir delegados de países da região para fortalecer o combate ao crime organizado transnacional.

Gathered from external sources. Rights to this text belong to whoever originally published it.

Friday, October 30, 2026

© 2026 Gigantum.net. Content gathered automatically from external sources; rights to each text belong to whoever originally published it.