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Deputado é suspeito de venda de influência sobre tribunais; entenda o papel de cada alvo, segundo a PF | G1

Ministro do STF retirou o sigilo da decisão que autorizou uma operação da PF contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), nesta segunda-feira (14).

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A Polícia Federal (PF) afirmou, em investigação enviada ao ao Supremo Tribunal Federal ( STF ), que o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) é peça central de um suposto esquema de venda de influência sobre ministros de tribunais superiores.

O parlamentar foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (14), durante a 3ª fase da Operação Transparência, autorizada pelo ministro Flávio Dino .

Em nota, a defesa do deputado afirmou que ele está seguro de que "os fatos serão devidamente esclarecidos no devido processo legal, com a demonstração de que nenhuma irregularidade foi cometida" (veja na íntegra mais abaixo).

Segundo investigadores, Cezinha de Madureira teria usado a posição ocupada no Congresso para transmitir a "clientes" a percepção de que poderia influenciar decisões de magistrados.

Tanto a representação da PF quanto a decisão de Dino deixam explícito que os ministros e juízes citados nos diálogos não são alvos da investigação nem suspeitos de irregularidades.

A PF aponta que o suposto esquema envolvia uma estrutura com divisão de tarefas entre o deputado e duas advogadas:

Mariângela Fialek, conhecida como "Tuka", então servidora da Câmara dos Deputados — investigada pela PF por suspeitas de desvios de emendas parlamentares; e

Entre as atribuições dos envolvidos estariam, segundo a PF, captar causas, preparar documentos jurídicos, formalizar contratos e fazer supostos contatos com ministros.

O deputado federal Antonio Cezar Correia Freire, o Cezinha de Madureira (PL-SP) é um influente parlamentar evangélico de São Paulo. Ele é pastor da Assembleia de Deus – Ministério de Madureira. — Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

Entenda o papel de cada um dos investigados da operação, segundo a PF:

Cezinha de Madureira: contatos com ministros

Segundo a PF, o deputado seria responsável por fazer contatos diretos com ministros de tribunais superiores e realizar os chamados "despachos" — reuniões ou conversas para tratar de processos.

Para os investigadores, Cezinha usaria o trânsito institucional proporcionado pelo mandato parlamentar para passar a terceiros a percepção de que tinha acesso ou influência sobre magistrados.

Na decisão, Flávio Dino afirma que o deputado utilizaria a "ascendência da função parlamentar" para negociar essa suposta influência.

Valéria Rodrigues Linhares: contratos e cessões de créditos

A advogada Valéria Rodrigues Linhares, apontada na investigação como mulher do deputado, teria uma função ligada à formalização dos negócios.

Segundo a PF, ela seria responsável por redigir, revisar e assinar contratos de prestação de serviços e documentos relacionados a cessões de créditos de valores milionários.

Esses contratos fariam parte da estrutura usada para formalizar os pagamentos relacionados às causas judiciais investigadas.

Mariângela Fialek, 'Tuca': captação das causas e produção de documentos

A advogada Mariângela Fialek, a "Tuca", que atuava na Câmara dos Deputados, teria outra função dentro da estrutura apontada pela PF.

Segundo os investigadores, ela seria responsável por captar causas e preparar memoriais e outras peças jurídicas relacionadas aos processos.

O celular da advogada foi periciado na primeira fase da operação. A análise do material é citada pela PF entre os elementos que embasaram as novas medidas.

Mensagens obtidas pelos investigadores mostram tratativas sobre casos específicos em tramitação no STF. Em um deles, relacionado à defesa da prefeita de Beberibe (CE), contratos estipulavam R$ 500 mil em caso de decisão favorável.

Em outro episódio, relativo à defesa de um ex-secretário de Belford Roxo (RJ), termos previam repasses de R$ 1 milhão e aditivos que chegavam a R$ 2 milhões condicionados à revogação de prisão preventiva.

Nas conversas, o parlamentar prestava contas sobre encontros e audiências com magistrados, usando expressões como "já falei", "despachei sim", "assunto reforçado agora" e menções a contatos com ministros da Corte.

Entre os fatos que subsidiaram a decisão, Flávio Dino determinou a avocação (transferência para o STF) de apurações sobre a apreensão de R$ 510 mil em dinheiro vivo com Valéria Rodrigues Linhares no Aeroporto de Congonhas (SP), ocorrida em 25 de agosto de 2026.

Para os investigadores, a movimentação expressiva de recursos em espécie sugere o pagamento de honorários à margem do sistema bancário tradicional para dificultar o rastreamento financeiro.

No despacho, Dino autorizou buscas nos endereços residenciais e profissionais do parlamentar e da advogada em Brasília e em São Paulo, além do recolhimento de bens de valor, veículos e quantias em espécie acima de R$ 10 mil.

O ministro, porém, indeferiu o pedido da PF para realizar buscas no gabinete do parlamentar na Câmara dos Deputados, avaliando não haver elementos concretos que justificassem a medida no local de trabalho legislativo.

"Com a tranquilidade de quem confia plenamente na Justiça e certo de sua conduta sempre ilibada, o deputado federal Cezinha de Madureira está à disposição das autoridades e prestará todos os esclarecimentos necessários.

O deputado está certo de que, assegurados o contraditório e o amplo acesso da defesa aos elementos da investigação e à integra do processo, os fatos serão devidamente esclarecidos no devido processo legal, com a demonstração de que nenhuma irregularidade foi cometida.

Importante ressaltar que, conforme a jurisprudência do STF estabelece, medidas de tamanha repercussão deveriam ter sido conduzidas com a devida distância de qualquer circunstância política ou eleitoral".

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Tuesday, October 13, 2026

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