Renan Santos: Decisões de Moraes não devem ser reconhecidas | G1
Em entrevista, candidato à Presidência pelo Missão defende impeachment de Alexandre de Moraes e de Dias Toffoli logo no início de eventual mandato e associa suspensão de seu registro de candidatura a "vingança".
Renan Santos, do Missão, candidato à Presidência — Foto: Globo/ Manoella Mello
O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos , comentou, em entrevista ao Brado Jornal nesta quinta-feira (3), sobre não acatar decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal ( STF ) Alexandre de Moraes , se eleito. Renan diz que vai atuar para que outros órgãos do Estado também deixem de cumpri-las enquanto ele permanecer no cargo.
"Decisão ilegal não se cumpre. Decisões que saiam do Alexandre de Moraes não devem ser reconhecidas pelo Estado brasileiro."
Segundo o candidato, o próximo presidente terá de assumir o cargo já preparado para indicar seis ministros ao STF, quatro em vagas regulares e dois no lugar de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, e encarar diretamente o conflito com a Corte.
Ele afirmou que, caso eleito, pretende usar o período de transição em novembro e dezembro para pressionar o Senado a dar andamento a pedidos de impeachment contra os dois ministros, condicionando a isso a própria governabilidade do país. "O país vai ficar interditado até derrubar esses dois", disse.
O candidato afirmou ainda que cobrará de órgãos como a Polícia Federal e entidades de fiscalização que deixem de cumprir decisões atribuídas a Moraes, e classificou como uma "farra da impunidade" a atual relação entre STF e Senado, citando o apoio do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, à Corte.
Registro de candidatura suspenso por Toffoli
Parte da entrevista foi dedicada à decisão do ministro Dias Toffoli de suspender temporariamente o registro de candidatura de Renan Santos , sob a justificativa de que ele não havia informado todas as redes sociais da campanha ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o candidato, o processo já tinha três pareceres favoráveis do Ministério Público Eleitoral antes da intervenção do ministro.
Renan Santos relatou que o caso teve desdobramentos rápidos e manobras que, na avaliação do candidato, serviu para prolongar a suspensão.
O candidato disse ter temido não apenas a suspensão temporária, mas a cassação do registro e consequente inelegibilidade por oito anos. A decisão foi revertida na quarta-feira . Renan classificou o episódio como motivado por "vingança" em razão de manifestações e atos anteriores contra o ministro.
Renan Santos afirmou que o desfecho da eleição está sendo condicionado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. "É uma eleição que o Vorcaro está determinando da cadeia", disse, ao comentar que tanto o ministro André Mendonça quanto Alexandre de Moraes teriam em mãos informações sobre Vorcaro capazes de atingir petismo e bolsonarismo, respectivamente.
"A quantidade de informações sobre Vorcaro que o André Mendonça tem pra jogar no colo do petismo ou o Alexandre tem pra jogar no colo do bolsonarismo. Então vai ser um jogo de vazamentos que determina o resto da eleição e em ambos os casos, o Vorcaro vai obter uma proteção para sair da cadeia no próximo mandato. Então é um jogo de cartas marcadas", completou.
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