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Nomes conhecidos na política chegam ao Congresso após 1ª eleição | G1

Levantamento do g1 identificou 33 eleitos na primeira candidatura. Grupo reúne ex-ministros, ex-primeiras-damas, dirigentes partidários e familiares de políticos.

· 1,446 words

A eleição de 2026 vai levar ao Congresso alguns nomes que já eram conhecidos dos brasileiros antes de aparecerem na urna pela primeira vez. Entre eles estão a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), as ex-ministras Nísia Trindade (PT) e Anielle Franco (PT) e o ex-ministro Jader Filho (MDB).

Um levantamento do g1 com base nos dados de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou 33 eleitos em sua primeira disputa eleitoral: quatro senadores e 29 deputados federais.

Embora tenham feito sua estreia na urna, são pessoas com trajetórias na política, com cargos em ministérios, governos estaduais, prefeituras e partidos, além de participação em organizações e movimentos sociais. Há também membros de famílias com presença consolidada na política.

Infográfico mostra os 33 eleitos em sua primeira disputa eleitoral em 2026: 29 deputados federais e quatro senadores — Foto: Equipe de Arte/g1

Michelle Bolsonaro (PL), Gracinha Caiado (União) e Marina JHC (PSDB) eleitas senadoras em 2026 — Foto: Montagem/g1

Michelle Bolsonaro (PL) conquistou 938.496 votos em sua primeira eleição e garantiu uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. Mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro, ela foi primeira-dama entre 2019 e 2022 e, depois, assumiu o comando do PL Mulher. Sua atuação partidária e participação em campanhas de aliadas e aliados antecederam a candidatura parlamentar.

Em Goiás, Gracinha Caiado (União Brasil) se elegeu senadora ao receber 1.458.522 votos. Mulher de Ronaldo Caiado , ela já havia participado da articulação política do marido e ocupado funções na área social do governo goiano. Foi presidente de honra da Organização das Voluntárias de Goiás, coordenou o Gabinete de Políticas Sociais e participou da criação do Goiás Social.

Marina JHC (PSDB), eleita senadora em Alagoas com 926.860 votos, foi primeira-dama de Maceió durante a gestão do marido, João Henrique Caldas, o JHC, eleito governador de Alagoas neste ano. A conexão familiar também aparece na chapa: sua primeira suplente é a senadora Eudócia Caldas, mãe de JHC.

Bruno Scheid (PL) fez 474.226 votos para se eleger senador por Rondônia. Embora tenha concorrido pela primeira vez, já mantinha proximidade com Jair Bolsonaro e usou o nome Bruno Bolsonaro Scheid na campanha.

Ex-ministros estreiam na disputa eleitoral

Anielle Franco, Nísia Trindade e Jader Filho, ex-ministros da gestão Lula III, eleitos à Câmara dos Deputados — Foto: Montagem/g1

Nísia Trindade (PT-RJ) chega à Câmara dos Deputados com uma carreira construída na ciência e na gestão pública. Socióloga, foi a primeira mulher a presidir a Fundação Oswaldo Cruz e a comandar o Ministério da Saúde. Sua passagem pela Fiocruz incluiu o enfrentamento da pandemia de Covid-19. Ela deixou o ministério em 2025 e recebeu 67.350 votos na eleição deste ano.

Também eleita pelo Rio, Anielle Franco (PT) obteve 149.726 votos. Professora, jornalista e ex-ministra da Igualdade Racial, ela dirigiu o Instituto Marielle Franco e ganhou projeção na luta por justiça após o assassinato da irmã, vereadora do Rio, em 2018. Sua trajetória reúne atuação na educação, no movimento negro e no governo federal.

Jader Filho (MDB-PA), eleito com 326.617 votos, combina experiência ministerial, direção partidária e vínculos familiares. Ex-ministro das Cidades, é filho do ex-deputado, ex-senador e ex-governador Jader Barbalho e de Elcione Barbalho e irmão de Helder Barbalho, também ex-governador e eleito senador. Antes de assumir o ministério no governo Lula, presidiu o MDB paraense, coordenou campanhas do partido e administrou o grupo RBA de Comunicação.

Famílias políticas ganham novos representantes

Em Alagoas, Alvinho Lira (PP) foi eleito deputado federal com 172.628 votos, aos 20 anos. É filho de Arthur Lira , ex-presidente da Câmara, que conquistou uma vaga no Senado nesta eleição. Pai e filho ocuparão, portanto, cadeiras nas duas Casas do Congresso.

Alvinho Lira e Arthur Lira — Foto: Divulgação/PP

Na Bahia, Daniel Alencar (PSD) é filho do senador Otto Alencar e irmão de Otto Alencar Filho, que deixou a Câmara para integrar o Tribunal de Contas do Estado. Médico, Daniel foi eleito deputado federal com 192.492 votos. Outro estreante baiano, Carlos Muniz (PSDB), é filho do vereador de mesmo nome que preside a Câmara Municipal de Salvador. Ele recebeu 141.762 votos.

Os senadores Otto e Daniel Alencar (PSD) — Foto: Reprodução

No Ceará, a deputada federal eleita Luisa Cela (PT) é filha da ex-governadora Izolda Cela e já havia ocupado a Secretaria da Cultura do estado. Em Minas Gerais, Vinicius Diniz (PL), eleito deputado federal, é filho do deputado federal Hercílio Diniz e integra a família proprietária da rede de supermercados Coelho Diniz.

Luisa Cela (PT) e ex-governadora Izolda Cela — Foto: Reprodução

Em Pernambuco, Gabriel Porto (PSB), eleito deputado federal, é filho de Álvaro Porto, presidente da Assembleia Legislativa do estado. Em Roraima, o futuro deputado Rodrigo Mesquita (Podemos) é filho de Disney Mesquita, empresário e ex-chefe da Casa Civil do governo estadual.

Gabriel Porto (PSB) e o pai, Álvaro Porto, presidente da Assembleia Legislativa, reeleito para o terceiro mandato — Foto: Reprodução

No Rio de Janeiro, Márcio Rezende (PSD) é irmão do prefeito de Macaé, Welberth Rezende. Em Sergipe, o médico Cláudio Mitidieri (PSB) é primo do governador Fábio Mitidieri e foi secretário estadual da Saúde, além de ter presidido o instituto de assistência à saúde dos servidores estaduais.

Márcio Rezende (PSD) é irmão do prefeito de Macaé, Welberth Rezende. — Foto: Reprodução

Mato Grosso tem dois exemplos de trajetórias ligadas à atuação de cônjuges. Virginia Mendes (União Brasil), mulher do ex-governador Mauro Mendes, eleito senador, desenvolveu atividades na área social como primeira-dama de Cuiabá e do estado. Thiago Boava, conhecido como Hey Roy (PL), é produtor rural, influenciador e viúvo da deputada federal Amália Barros . Ele afirmou ter recebido incentivo de Jair e Michelle Bolsonaro para disputar a eleição.

Virginia Mendes é mulher do governador Mauro Mendes (DEM) — Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT

Em São Paulo, Natália Boulos (PSOL), mulher de Guilherme Boulos, também chega à Câmara com atuação política própria anterior à candidatura. Advogada, integrou a direção nacional do PSOL e construiu sua trajetória no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

Guilherme Boulos (PSOL) e advogada Natália Szermeta: juntos há quase 20 anos. — Foto: Montagem/g1/Acervo Pessoal

Direção partidária e gestão pública antes do mandato

Eleito pelo Rio de Janeiro, o pernambucano Antonio Rueda (União Brasil) já comandava nacionalmente o partido antes de disputar uma cadeira na Câmara. Advogado e dirigente partidário, recebeu 155.836 votos. Seu caso mostra como alguém pode estrear nas urnas depois de exercer influência sobre candidaturas e alianças.

Thiago Ganem (PL-MG), cujo nome completo é Thiago Martins Milhim, também tinha experiência em governos e partidos. Foi secretário de Esportes na Prefeitura de São Paulo e ocupou uma secretaria no Ministério do Esporte no governo Lula em 2023. O nome de urna o associa ao grupo político Ganem, sem que isso represente parentesco com a família.

Secretário-geral do Podemos e ex-secretário nacional do Ministério dos Esportes, Thiago Ganem recebeu a medalha da Inconfidência Mineira em novembro de 2025 — Foto: Reprodução

Outros eleitos passaram por cargos de gestão antes de disputar votos:

Dra. Erica (Podemos-AP): médica pediatra e neonatologista, ocupou a Secretaria Municipal de Saúde de Macapá.

Vinicius Ferro (MDB-MA): comandou a Secretaria de Planejamento e Orçamento do Maranhão.

Rodrigo Tavares (PL-MG): dirigiu o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais.

Coronel Roveri (Podemos-MT): foi secretário de Segurança Pública de Mato Grosso.

Delegado Felipe Curi (PP-RJ): comandou a Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Delegado Charles (PV-PI): ganhou projeção à frente do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, o Draco, da Polícia Civil do Piauí.

Elias Jabbour (PCdoB-RJ): professor da Uerj, foi consultor do banco dos Brics e presidiu o Instituto Pereira Passos, da Prefeitura do Rio.

Redes sociais, militância e atividade empresarial

Ana Elisa de Divinópolis, é a deputada mais jovem da Câmara de Deputados — Foto: Ana Elisa/Reprodução Redes Sociais

Ana Elisa (PT-MG), eleita aos 21 anos, recebeu 524.219 votos. Estudante de Direito de Divinópolis, ganhou espaço nas redes sociais com debates sobre direitos, educação, feminismo e combate ao racismo.

No Paraná, Jeffrey Chiquini (Novo) conquistou 425.399 votos. Advogado, ficou conhecido pela defesa de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro, e levou para a campanha críticas ao Supremo Tribunal Federal.

Julia de Castro (PL-RJ), historiadora e vice-presidente nacional do PL Jovem. — Foto: Reprodução

Julia de Castro (PL-RJ), historiadora, já atuava como vice-presidente nacional do PL Jovem. Sua primeira candidatura ocorreu, portanto, depois da participação na organização partidária.

A lista inclui ainda empresários que levaram suas trajetórias profissionais à campanha. Felipe Show (União Brasil-AP) construiu sua atuação no comércio amapaense. Ditinho Avivip (União Brasil-BA), nome de urna de Benedito de Souza Lemos Filho, tem trajetória empresarial em Santo Antônio de Jesus e região.

Estreantes no Congresso, conhecidos na política. 33 eleitos em 2026 são ex-ministros, ex-primeiras-damas e familiares de políticos. — Foto: Montagem/g1

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Sunday, October 11, 2026

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