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Monday, September 28, 2026

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Avaliação de Lula não melhora na campanha; o que mostram as pesquisas | G1

FHC, o próprio Lula (em 2006) e Dilma viram aumentar os índices de avaliação positiva durante a campanha. Com Bolsonaro em 2022, isso aconteceu no 2º turno.

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Avaliação do governo Lula durante o período da campanha eleitoral. — Foto: Arte/g1

Pesquisas divulgadas desde o início da campanha eleitoral , em 16 de agosto, indicam que o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, não conseguiu melhorar a avaliação de seu governo. A situação contrasta, até agora, com o que aconteceu com outros presidentes que buscavam se reeleger em disputas anteriores.

Nesta sexta-feira (25), a nove dias do 1º turno, Lula assinou uma medida provisória para proibir bets e jogos online como "Tigrinho" . No dia 18, anunciou um reajuste do Bolsa Família . As duas decisões foram tomadas já com a campanha em curso. Flávio Bolsonaro (PL) criticou e chamou o banimento das apostas esportivas de "estelionato eleitoral" .

Fernando Henrique Cardoso, em 1998, o próprio Lula, em 2006, e Dilma Rousseff, em 2014, viram aumentar durante a campanha a parcela de eleitores que consideravam o governo ótimo ou bom, segundo dados do Datafolha analisados pelo g1 .

Em 2022, Jair Bolsonaro chegou ao 1º turno praticamente no mesmo patamar em que iniciara a campanha, mas os números melhoraram durante o 2º turno, após o reajuste de benefícios sociais e medidas para baixar o preço dos combustíveis.

➡️ Há uma diferença importante. Até 2014, o período de campanha era mais longo e começava em julho. A partir de 2016, a legislação reduziu a duração de 90 para 45 dias. Por isso, os períodos analisados não têm exatamente a mesma duração.

📋 Na pesquisa Datafolha mais recente, divulgada na quinta-feira (24) , o governo Lula tinha 34% de avaliação positiva (ótimo/bom) e 40% de avaliação negativa (ruim/péssimo). Para 24%, é regular.

Quando a campanha começou, em agosto, o índice de ótimo/bom estava em 33%. Depois, oscilou para 31% e 32% nas primeiras semanas de setembro, e agora está em 34%. Mexeu pouco.

Para Felipe Nunes, cientista político e diretor da Quaest, a dificuldade em melhorar sua avaliação é o "principal calcanhar de Aquiles da campanha de Lula".

"Existe um efeito de campanha, mas ele não é automático. Durante a eleição, o presidente ganha mais oportunidades de mostrar entregas, defender seu governo e contrastá-lo com a alternativa. Isso pode levar parte de quem o avaliava como regular a passar a considerá-lo bom. Mas a campanha também expõe problemas e amplia a cobrança", afirma.

Segundo Nunes, a série histórica mostra que governos tendem a melhorar a avaliação nesse período, mas isso depende de uma mensagem que dialogue com o sentimento do eleitor naquele momento.

"Lula precisa convencer eleitores que já conhecem seu governo, mas ainda não sentem que sua vida melhorou o suficiente", diz.

Lula discursa na Assembleia Geral da ONU — Foto: Reuters/Kylie Cooper

Para comparar o cenário atual com eleições anteriores, o g1 analisou a série histórica do Datafolha iniciada em 1987 e considerou os quatro presidentes que disputaram a reeleição.

FHC (1998) : a avaliação positiva foi de 38% para 43% entre o começo da campanha e a votação do 1º turno, quando FHC se reelegeu. No período, a avaliação negativa passou de 19% para 17%.

Lula (2006) : a avaliação positiva passou de 38% para 47% até o 1º turno e chegou a 53% antes do segundo. A negativa caiu de 21% para 15%.

Dilma (2014) : a avaliação positiva passou de 32% para 39% até o 1º turno e chegou a 42% antes do segundo. A negativa caiu de 29% para 20%.

Bolsonaro (2022) : a avaliação positiva variou de 30% para 31% no 1º turno e cresceu para 38% antes do segundo. A negativa passou de 43% para 44% na primeira parte da eleição, e depois recuou para 39%.

Bolsonaro foi o único a chegar ao 1º turno da eleição com avaliação negativa superior à positiva. Também foi o único que não conseguiu se reeleger.

Por que a avaliação costuma melhorar na campanha

O cientista político Antônio Lavareda afirma que a campanha oferece aos presidentes que tentam a reeleição uma oportunidade de apresentar o que fizeram durante o mandato.

“No período eleitoral, em geral, os candidatos têm oportunidade de publicizar o que realizaram no seu governo. E é isso, basicamente, que faz com que melhore o desempenho deles."

Lavareda diz que, à medida que a eleição se aproxima, avaliação do governo e intenção de voto tendem a se aproximar. O eleitor que decide votar no presidente pode passar também a avaliar melhor sua administração — movimento que, segundo o cientista político, pode ajudar a explicar a alta de Bolsonaro entre os dois turnos de 2022.

O que cada presidente destacou na campanha

FHC (1998): Na campanha de 1998, a propaganda de FHC destacou os resultados dos quatro anos anteriores, sobretudo na área econômica. “Derrubou a inflação, fez reformas para modernizar o país, fez grandes obras de infraestrutura e atraiu investimentos”, dizia uma das peças. O real, criado quando FHC era ministro da Fazenda e implantado antes de sua chegada à Presidência, em 1994, aparecia com frequência nas imagens. Para o segundo mandato, uma das principais promessas era a geração de empregos.

Lula (2006): Na campanha pela reeleição, em 2006, Lula usou a propaganda eleitoral para destacar os resultados do primeiro mandato, principalmente na área social e econômica. Entre os feitos apresentados estavam o Bolsa Família (descrito pela campanha como “o maior programa de transferência de renda do mundo”, com 45 milhões de pessoas atendidas), a inflação mais baixa dos últimos dez anos, o fim dos apagões e a valorização do salário-mínimo. A propaganda também ressaltava a redução da pobreza, a ascensão social e a melhora na distribuição de renda. Para o segundo mandato, Lula prometeu criar mais 300 mil vagas no ProUni e ampliar as políticas de emprego, renda e educação.

Dilma (2014): Na campanha pela reeleição, em 2014, Dilma Rousseff destacou o legado dos 12 anos de administrações do PT. Na propaganda eleitoral, afirmou que, nesse período, a pobreza havia caído pela metade e destacou o crescimento da chamada nova classe média, que reuniria quase 120 milhões de brasileiros. A campanha também apresentava como realizações programas como o Pronatec e as políticas de incentivo aos microempreendedores. Dilma também se apresentou como a presidente que ajudou a criar o Marco Civil da Internet e prometeu, se reeleita, ampliar o acesso à rede com o programa Banda Larga para Todos.

Bolsonaro (2022): Na campanha pela reeleição, em 2022, Jair Bolsonaro destacou na propaganda eleitoral a atuação de seu governo durante a pandemia e a recuperação da economia. A campanha também afirmava que os preços estavam caindo e ressaltava, entre outros pontos, a redução dos preços dos combustíveis. Para um eventual segundo mandato, Bolsonaro prometeu isentar do Imposto de Renda quem ganhasse até R$ 6 mil por mês, criar medidas para ajudar brasileiros a quitar dívidas e manter o Auxílio Brasil, com aumento do benefício. Também prometeu reajustar o salário-mínimo acima da inflação e aplicar a mesma política de ganho real a aposentadorias e pensões.

Ao mesmo tempo, algumas medidas com impacto direto sobre a renda entraram em vigor durante o período eleitoral. O Auxílio Brasil passou de R$ 400 para R$ 600, o auxílio-gás foi ampliado e foram criados benefícios para caminhoneiros autônomos e taxistas. A campanha também explorou a queda no preço dos combustíveis, ocorrida após mudanças tributárias e reduções de preços promovidas pela Petrobras naquele período.

"A melhora ainda pode acontecer no segundo turno", diz Felipe Nunes sobre a situação de Lula. Mas ele lembra que Bolsonaro não conseguiu transformar isso em vitória nas urnas.

"É preciso separar as duas coisas: o eleitor pode decidir votar no presidente por comparação com o adversário sem passar a avaliar bem seu governo. E a experiência de Bolsonaro mostra o limite desse movimento: sua avaliação melhorou, mas ele perdeu a eleição. Portanto, eu não trataria uma recuperação de Lula entre os turnos como impossível nem como inevitável. Embora seja este o padrão que temos visto até aqui."

Para Lavareda, o caso Master "desvia a atenção" e é um dos fatores que ajudam a explicar por que essa eleição é diferente e a avaliação do governo Lula não reagiu até o momento.

“Talvez o principal seja o escândalo do Master, que está tomando conta da campanha, tomando conta do quadro de referência do eleitor”, afirma.

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