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Eleitores no exterior: quase 1 milhão aptos a votar no domingo | G1

Quase 1 milhão de brasileiros estão aptos a votar no exterior. Mulheres representam 57% dos eleitores cadastrados fora do Brasil, e a faixa de 40 a 44 anos é a mais numerosa.

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A eleição brasileira começa ainda no sábado (3), pelo horário de Brasília, para quem vota na Nova Zelândia, e só termina na noite de domingo (4), no Canadá.

Por causa dos fusos horários, a votação no exterior se estende por mais de 29 horas: vai das 16h de sábado às 21h de domingo, sempre pelo horário de Brasília. No Brasil, a votação será realizada das 8h às 17h.

No 1º turno das eleições de 2026, quase 1 milhão de brasileiros poderão votar fora do país. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são 918,9 mil eleitores registrados e aptos, número 31,8% maior que o de 2022, quando havia 697,1 mil.

O eleitorado no exterior é uma fração pequena do total nacional (0,58% dos 158,7 milhões de eleitores do Brasil), mas concentrado: um pequeno grupo de cidades reúne boa parte dos votos brasileiros fora do país. E o perfil desse eleitor é diferente do brasileiro médio: mais escolarizado, solteiro e com uma dependência de biometria muito menor.

A faixa de 40 a 44 anos é a mais numerosa, com 124.782 pessoas. O campo de raça ou cor aparece como “não informado” em 556.966 cadastros, o equivalente a 60,6% (leia mais abaixo).

Onde estão os eleitores que votam fora do Brasil?

De acordo com os dados da Justiça Eleitoral, a cidade com maior aumento no número de brasileiros aptos a votar em relação às eleições de 2022 é Lisboa, em Portugal. Passou de 45,3 mil para mais de 78 mil, crescimento de 74,1%.

Isso acontece principalmente por causa da imigração. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE) de Portugal, os brasileiros são a maioria entre os imigrantes regulares do país. Até o fim de 2025, eram pelo menos 574.195, conforme relatório divulgado em junho deste ano.

Ainda assim, considerando todas as cidades, os Estados Unidos continuam sendo o país com o maior número de eleitores brasileiros cadastrados. Eram 182.986 em 2022, e neste ano são 265.437.

Veja as 10 cidades no exterior com maior eleitorado brasileiro:

Lisboa, Portugal: 78.833 eleitores (aumentou 74,1% em relação ao pleito de 2022)

Boston, Estados Unidos: 53.406 (aumentou 43,7%)

Porto, Portugal: 47.676 (aumentou 58,4%)

Miami, Estados Unidos: 40.104 (diminuiu 0,21%)

Nova York, Estados Unidos: 39.026 (aumentou 39,7%)

Londres, Inglaterra: 37.564 (aumentou 8,9%)

Orlando, Estados Unidos: 26.411 (sem informação)

Portugal e Estados Unidos dominam a lista, refletindo os dois principais destinos históricos da emigração brasileira. Mas a presença de Nagóia e Tóquio no top 10 chama atenção: as duas cidades japonesas, somadas a Hamamatsu (13,7 mil eleitores, 25ª colocada), reúnem quase 89 mil eleitores.

Os dez maiores locais de votação concentram 424.714 eleitores, o equivalente a 46,2% de todo o eleitorado brasileiro no exterior. Considerando os 20 maiores, a proporção sobe para 66,7%. Ao todo, os registros do TSE abrangem 186 localidades fora do país.

Veja os países com maiores quantidade de eleitores. Juntos, eles representam 82% do eleitorado no exterior:

Estados Unidos: 265,4 mil eleitores (28,89% do total)

Apoiadores de Lula e de Bolsonaro em Londres demonstram apoio político ao votar na Inglaterra — Foto: Gabriel Araujo von Winckler/Arquivo Pessoal

O crescimento do eleitorado não significa, necessariamente, que o número de brasileiros que vivem no exterior tenha aumentado na mesma proporção. A variação também pode refletir novos alistamentos, transferências de domicílio eleitoral e atualizações cadastrais.

🗳️ Por outro lado, há locais de votação com menos de uma dezena de eleitores. É o caso de Dacca e Pyongyang , cidades asiáticas localizadas em Bangladesh e Coreia do Norte, respectivamente; e as sul-americanas Cobija (Bolívia) e Santa Elena de Uairen (Venezuela). Todas aparecem nos registros do TSE com apenas um eleitor.

1 eleitor: Dacca (Bangladesh), Saint Johns, Cobija (Bolívia), Santa Elena de Uairen (Venezuela), Pyongyang (Coreia do Norte);

3 eleitores: Abuja (Nigéria) e Adis Beba (Etiópia);

5 eleitores: Conacri (Guiná), Baku (Azerbaijão), Malabo (Guiné Equatorial), Bamako (Mali);

6 eleitores: Uagadugu (Burkina Faso), Lilongue (Malauí), Yangon (Myanmar);

7 eleitores: Harare (Zimbábue), Lome (Togo), Castries (Ilha de Santa Lúcia);

8 eleitores: Cotonou (Benim), Puerto Quijarro (Bolívia);

10 eleitores: Gaborone (Botsuana), Bagdá (Iraque), St. Georges de Loyapock (Guiana Francesa)

Geralmente, as seções eleitorais (locais de votação) no exterior são montadas em embaixadas ou escritórios consulares. Mas nem sempre os espaços dão conta de toda a movimentação.

Por isso, o TSE aprovou em abril deste ano uma verba de R$ 13,2 milhões para a locação de imóveis em outros países , a pedido do Ministério das Relações Exteriores.

Um documento obtido pelo g1 mostra que o Itamaraty trabalha com 66 endereços a mais no pleito deste ano: 14 deles são nos Estados Unidos, e, destes, 3 deles estão na cidade de Boston.

O Japão é o segundo país com mais seções alugadas, com 8 locais previstos. Destes, 5 são em Nagóia, quarta cidade com mais eleitores brasileiros em 2026.

As regras no exterior são as mesmas do Brasil. O voto é obrigatório para pessoas alfabetizadas e maiores de 18 anos, e opcional para analfabetos, maiores de 70 anos e pessoas entre 16 e 17 anos.

A diferença é que, fora do país, os brasileiros votam apenas para presidente, e não para governador, senador e deputado.

Mulheres são maioria, mas eleitorado masculino cresce mais

As mulheres continuam sendo maioria entre os eleitores cadastrados fora do país. O número passou de 408.055, em 2022, para 527.734, em 2026 — um crescimento de 29,3%.

Entre os homens, o total subiu de 289.023 para 391.142 no mesmo período, uma alta de 35,3%.

Mulheres continuam como maioria no eleitorado no exterior e no eleitorado total de 2026 — Foto: Kayan Albertin - Arte/g1

Em 2022, elas representavam 58,5% dos eleitores no exterior. Em 2026, essa participação passou para 57,4%. A parcela masculina aumentou de 41,5% para 42,6%.

Os eleitores de 40 a 44 anos formam o maior grupo etário no exterior, com 124.782 pessoas. Em 2022, eram 100.481 — uma alta de 24,2%.

A segunda faixa mais numerosa passou a ser a de 45 a 49 anos, com 116.267 eleitores. Esse grupo cresceu 44,6% na comparação com 2022, quando reunia 80.419 pessoas.

Faixa etária do eleitorado brasileiro no exterior — Foto: Kayan Albertin - Arte/g1

Na sequência aparecem os eleitores de 35 a 39 anos, com 115.044; de 30 a 34 anos, com 97.966; e de 50 a 54 anos, com 88.917.

Entre as faixas mais jovens, o grupo de 21 a 24 anos registrou crescimento de 66,6%, passando de 39.131 para 65.195 eleitores.

Raça ou cor não foi informada em 61% dos cadastros

A raça ou cor aparece como “não informada” no cadastro de 556.966 eleitores no exterior, o equivalente a 60,6% do total.

Entre os registros com essa informação, a categoria "branca" é a mais frequente, com 233.202 eleitores. Em seguida aparecem "parda", com 89.277; "amarela", com 21.170; "preta", com 17.661; e "indígena", com 600.

Na base de comparação de 2022, todos os 697.078 registros apareciam sem raça ou cor informada. Por isso, não é possível medir a evolução de cada grupo racial entre as duas eleições.

Grande maioria brasileiro do eleitorado no exterior não informou sua raça ao TSE — Foto: Kayan Albertin - Arte/g1

Número de eleitores com deficiência aumenta 86%

O número de eleitores no exterior que declararam alguma deficiência passou de 3.561, em 2022, para 6.614, em 2026. O crescimento foi de 85,7%.

Esses registros representam 0,72% do eleitorado no exterior. Os números correspondem às informações declaradas no cadastro eleitoral e podem não representar a quantidade total de brasileiros com deficiência que vivem fora do país.

A base também contabiliza 369 pessoas que utilizam nome social — usado por pessoas trans para se identificarem e serem reconhecidas socialmente. Em 2022, eram nove registros.

Variações nessas categorias podem refletir não apenas o crescimento do eleitorado, mas também atualizações e novos preenchimentos do cadastro.

Naquele ano, Jair Bolsonaro foi o mais votado nos Estados Unidos e no Japão, e Lula venceu em Portugal e na Alemanha. Veja os números em cada país.

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Friday, October 2, 2026

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