Lula defende filho e Wagner e ataca lobista; PT vê risco | G1
Maior preocupação recai sobre Roberta Luchsinger, chamada de "pilantra" pelo presidente durante entrevista. No PT, ninguém sabe o que ela pode fazer a partir de agora nem qual será sua reação.
A estratégia adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista à Globo para responder às investigações que rondam seu entorno provocou preocupação dentro do próprio PT e na campanha.
A avaliação de dirigentes ouvidos é de que, ao rifar Marcola e a lobista Roberta Luchsinger, enquanto protege Jaques Wagner e sai em defesa do filho, Lulinha, o presidente criou tratamentos diferentes para personagens de casos que tendem a ser explorados pela oposição na eleição.
O ponto considerado mais delicado hoje é Roberta, que Lula chamou de “pilantra”. Dentro do PT, ela é descrita como um “fio desencapado”: ninguém sabe exatamente o que ela pode fazer a partir de agora nem qual será sua reação depois de ter sido publicamente e em rede nacional atacada pelo presidente. Segundo o blog apurou, Roberta se irritou com a fala do presidente.
Há uma avaliação de que Lula errou na calibragem da resposta ao dizer inicialmente que não conhecia Roberta. Depois, começaram a circular diversas fotografias dos dois juntos.
Roberta Luchsinger e Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Reprodução/ Instagram
No partido, ninguém ignora que foto, por si só, não comprova relação de proximidade — ainda mais envolvendo o presidente da República, que é fotografado com milhares de pessoas. O problema, dizem petistas, é político: era previsível que as imagens fossem usadas pela oposição para confrontar a declaração de Lula, e esse risco deveria ter sido medido antes.
A situação se agravou quando Lula chamou Roberta de “pilantra”. Pessoas que conhecem a lobista relatam que ela ficou extremamente irritada e se sente abandonada. E é justamente aí que mora a preocupação: o entorno do presidente não tem controle sobre o que Roberta pode dizer ou fazer daqui para frente.
A comparação feita internamente é com Marcola, visto por interlocutores como alguém de perfil leal, que também acabou rifado pelo governo. O tratamento contrasta, na avaliação de petistas, com o dispensado a Jaques Wagner, citado no caso Master e publicamente defendido pelo presidente. Wagner, inclusive, transformou a declaração de Lula em ativo político: publicou nas redes sociais a fala do presidente, numa espécie de aval público em meio ao episódio.
Lula também saiu em defesa do filho, atribuindo as suspeitas envolvendo Lulinha a versões e movimentos da investigação policial.
É esse conjunto que acendeu o alerta: Lulinha, Roberta, Marcola, Wagner e as investigações deixaram de ser episódios isolados e começaram a formar uma mesma narrativa política. Dentro do PT e da campanha, a preocupação agora é com o potencial de desgaste eleitoral — e, principalmente, com aquilo que ainda não se sabe sobre personagens que o governo decidiu abandonar pelo caminho.
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