Assembleia do RS mais à direita, com estreantes e mais mulheres | G1
Nova legislatura contará com 16 mulheres, incluindo Natasha Ferreira (PT), a primeira travesti eleita. PL forma a maior bancada da Casa, e temas climáticos devem dominar os debates.
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul terá 22 novos ocupantes dentre as 55 cadeiras a partir de 2027, uma taxa de renovação de 40% . A nova composição do Parlamento gaúcho apresentará um perfil mais à direita, terá deputados estreantes e maior presença feminina .
A coligação de sete partidos que elegeu Luciano Zucco (PL) em 1º turno terá pelo menos 27 deputados, o que representa cerca de metade do total de assentos na Casa. O PL formou a maior bancada de forma isolada, com 12 cadeiras .
Guilherme Pasin, deputado mais votado do PP, partido que conta com o maior número de prefeituras no estado, afirma que a nova composição pode facilitar a aprovação de projetos do governo, inclusive com o apoio de deputados que inicialmente não integram a base.
Ele foi um dos parlamentares de direita reeleitos que aumentou sua votação em relação ao pleito de 2022. Pasin quase dobrou sua votação, passando de de 56.922 votos para 99.470 neste ano.
Para o cientista político Alexander Chiodo, o cenário reflete uma mudança no perfil conservador do estado.
"Houve uma concentração da direita. Aqueles personagens que ficavam na centro-direita, numa posição mais moderada, ou até que construíram seu capital político na redemocratização, acabaram perdendo espaço para os candidatos mais ligados ao PL, à agenda nacional", afirma.
Um dos exemplos desse crescimento é o professor e economista Claudio Branchieri (PL), de Caxias do Sul . Ele foi reeleito com 123 mil votos, três vezes mais do que o conquistado na eleição anterior.
"Acho que a população gaúcha, pelo menos a parte da direita, que gosta de posicionamentos muito claros em relação a assuntos que são importantes , principalmente na questão da economia, que é a minha formação, enxergou em mim alguém que a representasse", diz Branchieri.
"A gente acha que precisa resolver o problema do desenvolvimento do estado do Rio Grande do Sul dentro dos seus gargalos."
A próxima legislatura também terá 16 mulheres entre os 55 deputados, um aumento de 45% . Das cinco candidaturas com maior votação, três são femininas: Adri Cherini (PL), a mais votada , com 129.492 votos, Luciana Genro (PSOL), 127.601 votos, e Comandante Nádia (PL), 111.341 votos.
Entre as estreantes está Natasha Ferreira (PT), a primeira travesti a chegar ao Legislativo gaúcho , eleita com 54 mil votos. Natural de Sapiranga e atual vereadora em Porto Alegre , começou a carreira política aos 13 anos no movimento estudantil.
"Está sendo ainda uma experiência que a ficha, digamos que não cai. Eu me tornei vereadora não faz dois anos, em Porto Alegre. Acho que é um mandato que faz uma disputa e que é da comunidade LGBT. É uma representação importante para o Parlamento", relata Natasha.
A deputada eleita também comentou sobre o cenário político da Casa: "A gente vai para uma disputa, onde tem uma onda conservadora, e eu sou a mulher mais votada do meu partido. São esses números, esses dados que a gente ainda vai entendendo o que de fato aconteceu, mas só com uma expectativa muito boa de fazer uma oposição qualificada aqui dentro da Assembleia."
O deputado mais jovem da nova legislatura será Matheus Gomes (PSOL), de 35 anos . Reeleito com quase 100 mil votos — 16 mil a mais do que em 2022 —, ele integra a Bancada Negra , que manteve três cadeiras para 2027.
"Fui eleito como parte da primeira bancada negra da história da Assembleia Legislativa, mas não falei apenas sobre a questão racial, o que já seria muito importante em um estado com mais de 2 milhões de pessoas que são negras", afirma Gomes.
O parlamentar destaca a prevenção a desastres naturais como prioridade do mandato: "Vou lutar para que a Assembleia Legislativa se debruce sobre os temas que são essenciais para o povo gaúcho, como a crise climática. O estado está convivendo cada vez mais com enchentes, estiagens muito severas, deslizamentos de terra. A população está com medo. Para mim, esse deveria ter sido o tema principal da eleição".
Temas como segurança pública, ajuste fiscal e mudanças climáticas devem dominar a pauta para os próximos quatro anos.
"Como essa eleição foi muito nacionalizada, vai ser interessante perceber se as pautas do Rio Grande do Sul vão prevalecer ou se as pautas ligadas ao cenário nacional vão prevalecer aqui na Assembleia", conclui o cientista político Alexander Chiodo.
Plenário 20 de Setembro, da Assembleia Legislativa do RS — Foto: Fernando Gomes/ALRS
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