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Friday, September 4, 2026

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Entenda o que é objetificação sexual e como ela aparece na internet | G1

O termo ganhou repercussão após um caso em que imagens de estudantes retiradas de redes sociais foram utilizadas como ‘ranking’ de termos de teor sexual e depreciativo em Presidente Prudente (SP). 16 vítimas já foram identificadas até o momento.

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Conceitos como red pill e misoginia crescem nos debates da internet e em discursos de ódio contra as mulheres. Outro termo ganhou repercussão recentemente em Presidente Prudente (SP), após estudantes de uma universidade privada serem vítimas de " objetificação sexual".

Isso porque i magens de estudantes retiradas de redes sociais , sem autorização, e distribuídas em um grupo fechado de aplicativo de mensagens, foram utilizadas em um “ranking” de termos de teor sexual e depreciativo. O caso foi divulgado em 21 de agosto deste ano.

Entre os comentários ofensivos e classificações, havia termos como "deliciosíssima", "comível" e "arrebentaria". No grupo de mensagens, diversos alunos faziam comentários a respeito da lista. "Tirei as lésbicas e as gordas", disse um deles.

Ao g1 , a Polícia Civil informou na quarta-feira (2) que, até o momento, 12 boletins de ocorrência foram registrados, envolvendo 16 vítimas , cujos relatos estão sendo analisados pela equipe responsável pela apuração dos fatos.

Polícia Civil investiga suposto ranking sexual com fotos de estudantes de universidade em Presidente Prudente (SP) — Foto: Redes Sociais/Reprodução

Elaine Rampazo, presidente da Comissão sobre Crimes Sexuais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), descreve que a objetificação sexual ocorre quando alguém trata uma pessoa apenas como “ um mero objeto de desejo, e não como um ser humano com todas as suas capacidades e sentimentos ”.

“O ranking sexual é o maior exemplo de objetificação sexual, pois os agentes utilizaram fotos das mulheres, desconsiderando toda a humanidade delas, agindo como se elas fossem apenas objeto de desejo deles”, aponta a especialista.

Diferentemente do assédio sexual , em que o crime ocorre a partir de uma posição de hierarquia do agente causador sobre a vítima, e da sexualização , quando uma pessoa tem atributos ou atitudes ampliadas com o intuito de dar um caráter sexual àquilo que originalmente não é sexual, a objetificação desumaniza a pessoa.

“O ser humano é totalmente desconsiderado, sendo apenas um instrumento de utilidade sexual”, alerta Elaine Rampazo.

A psicóloga Isadora Zambrano reforça como a internet pode facilitar a produção e o compartilhamento de conteúdos misóginos, mesmo que tais ideias já estejam presentes na sociedade há muito tempo.

“Em grupo, esse comportamento é reforçado por um efeito de validação mútua. Além disso, o distanciamento oferecido pela tela dá a ilusão de anonimato e impunidade”, explica.

Situações assim podem ser acompanhadas por justificativas como “era só uma brincadeira” ou “todo mundo fez” pelo autor ou autores da objetificação.

“A frase ‘era só uma brincadeira’ coloca a vítima em uma posição de invalidação, pois desqualifica os sentimentos dela em relação ao desrespeito sentido e vivenciado, como se a situação não devesse ser levada a sério”, afirma a psicóloga.

Já no caso da justificativa de que “todo mundo fez”, Isadora afirma que o termo se aproveita da herança histórica e da presença estrutural da misoginia: “Pois a própria normalização desse comportamento acaba funcionando como justificativa em si mesma.”

Isadora se formou em psicologia na mesma universidade em que a situação constrangedora ocorreu. “Como ex-aluna, sei que a faculdade aborda o tema em palestras e matérias, mas isso não tem sido suficiente para minimizar esses comportamentos. É necessário ter protocolos claros que garantam punições efetivas para esse tipo de conduta.”

No entanto, até o momento, a objetificação sexual, por si só, não é considerada crime, segundo a advogada especialista Elaine Rampazo. “Porém, o que é feito com isso pode, sim, ser considerado crime.”

A presidente da Comissão sobre Crimes Sexuais da OAB afirma que, se o agente compartilha imagens não consentidas dessa pessoa e essas imagens contêm sexo, nudez, pornografia ou até caráter libidinoso, tratando-a como objeto de desejo:

➡️ O autor pode responder por crime de divulgação de sexo, nudez, pornografia, descrito no Código Penal, artigo 218-C, e ser condenado a penas que variam de um a cinco anos.

Se não houver nudez, sexo e pornografia, e as imagens da vítima forem utilizadas pelo agente com conotação sexual, para satisfazer desejos sexuais seus e/ou de terceiros sem consentimento:

➡️️ Pode configurar o crime do artigo 215-A do Código Penal, que é a importunação sexual, com penas que variam de um a cinco anos, a depender da gravidade.

“A diferença é o consentimento. Não é porque uma pessoa manda voluntariamente um 'nude' para alguém que essa pessoa pode compartilhar com terceiros”, reforça a especialista.

Além disso, Elaine Rampazo aponta que o fato de uma pessoa ter fotos na internet, para um determinado contexto, não autoriza outras a utilizá-las de modo diverso: “Principalmente, no intuito de satisfazer desejo sexual.”

Já para quem presenciar esse tipo de situação, a orientação é, em vez de compartilhar ou simplesmente ignorar, como no caso do ranking sexual sofrido pelas alunas, denunciar o fato .

“Ele deve informar a vítima e as autoridades policiais para que o crime seja adequadamente apurado. Lembrando que quem compartilha também pode sofrer as consequências”, completa.

‘Ranking’ sexual contra alunas é investigado

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Presidente Prudente. Segundo a Polícia Civil, as diligências investigativas prosseguem com a finalidade de reunir elementos que contribuam para o completo esclarecimento do caso.

Até a última atualização desta reportagem, não havia previsão para o início das oitivas e depoimentos. As autoridades reforçaram que, por se tratar de investigação em curso, demais informações não poderão ser divulgadas neste momento, a fim de não prejudicar os trabalhos policiais.

Em nota oficial, a Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) informou que abriu uma apuração interna prioritária para identificar os autores da lista e aplicar as punições disciplinares previstas no regimento da instituição.

“A Unoeste repudia qualquer forma de exposição, assédio, constrangimento ou desrespeito à dignidade. A instituição está acolhendo as acadêmicas envolvidas e reforça a importância de não compartilhar o conteúdo para não ampliar os danos às vítimas”, informou a universidade em nota.

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