Médico mapeia a vida selvagem no próprio bairro e mobiliza vizinhos | G1
Há cinco anos promovendo exposições na praça do San Conrado, o anestesista Ricardo Lima já catalogou mais de 200 espécies de aves e hoje monitora felino ameaçado de extinção na região.
Em 2019, o Terra da Gente contou a história do médico anestesista Ricardo Lima, morador de Campinas (SP), que mostrava como transformou o quintal de casa em um refúgio para a vida silvestre , registrando cerca de 100 espécies de aves e animais como tatus e pacas.
Anos depois, a história ganhou um novo patamar: o catálogo do San Conrado e entorno saltou para mais de 210 espécies de aves, e o monitoramento do médico revelou a presença de um morador nobre e ilustre, o gato-do-mato-pequeno , felino ameaçado de extinção que consta na Lista Vermelha da IUCN.
Flagrado duas vezes através de câmeras trap instaladas por Ricardo, o pequeno predador virou a grande estrela da fauna local e o símbolo de um trabalho que vai além do encanto visual.
“A gente não pode cuidar daquilo que não conhece”, pontua o médico, ressaltando o papel da fotografia no engajamento dos vizinhos com a biodiversidade que divide espaço com o bairro.
Entre os registros de aves, a presença do tiê-sangue também marcou a trajetória do observador no local.
“Apareceu na época mais aguda da pandemia. Além de ser raro por aqui, é um grande representante da nossa Mata Atlântica”.
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Exposição comunitária transforma praça em galeria a céu aberto
Para transformar a contemplação em ação prática, Ricardo promove neste dia 20, das 8h30 às 16h30, a 5ª Exposição de Fotografia na Praça do San Conrado . O evento aposta na simplicidade e na participação comunitária: os moradores e convidados levam seus próprios registros impressos em folha A4 e fixam o material em um varal com dois pregadores de madeira.
“O objetivo foi divulgar a fotografia, o birdwatching, a aproximação entre os moradores e o despertar com a natureza e a fauna”, explica o idealizador. Por ser realizada ao ar livre e em um espaço amplo, a organização não limitou a quantidade de fotos expostas.
Mais do que um encontro cultural, a exposição é um chamado à responsabilidade coletiva diante dos perigos que a fauna silvestre enfrenta no ambiente urbano.
“Temos que trabalhar muito em relação aos animais domésticos, principalmente gatos, que afetam diretamente o equilíbrio da natureza. Temos que trazer a população para esse lado”, alerta o médico.
A urgência desse debate ficou ainda mais evidente após um episódio recente com os macacos-bugio do bairro. Dizimados no estado de São Paulo durante a epidemia de febre amarela, a espécie voltou a dar ar da graça no ano passado, para a surpresa de Ricardo. No entanto, a convivência com a estrutura urbana trouxe tragédias recentes:
“Há poucas semanas, tivemos um acidente grave. Um bugio se perdeu, entrou no condomínio e foi eletrocutado. Levaram de imediato para a clínica veterinária, mas o quadro era grave. Estou tentando na prefeitura uma passagem de fauna e acho que podemos fazer um trabalho melhor”.
Entre a rotina médica e o monitoramento diário na mata, Ricardo segue acompanhando os passos do gato-do-mato-pequeno e da fauna local.
“Esse é um animal que eu tenho acompanhado bastante, e vamos ver por quanto tempo ele vai nos dar o prazer da companhia”, conclui.
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