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Thursday, August 27, 2026

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Depois de receber críticas no passado, reposição hormonal volta a ganhar defensores | G1

Estudo canadense indica o tratamento para os sintomas da menopausa, como ondas de calor, suores noturnos e distúrbios de sono

· 454 words

Os primeiros sintomas relacionados à diminuição da produção do estrogênio, o principal hormônio feminino, podem surgir dez anos antes da menopausa. Pior: problemas como ondas de calor, suores noturnos e distúrbios de sono, entre outros, com frequência se estendem por mais de uma década após o fim dos ciclos menstruais – com impacto bastante negativo na qualidade de vida de qualquer mulher. Uma nova revisão de estudos , publicada ontem na revista “Canadian Medical Association Journal”, avança no resgate da terapia de reposição hormonal, recomendando o tratamento para quem não apresenta fatores de risco, como explica a médica Iliana Lega, professora da Universidade de Toronto e coautora do trabalho:

Mulheres e menopausa: reposição hormonal volta a ganhar defensores — Foto: Fotorech para Pixabay

“Perimenopausa e pós-menopausa podem levar a um quadro de sofrimento físico e mental. Apesar da existência de diversas formas de intervenção, o medo relacionado ao risco da terapia de reposição hormonal, aliado à falta de conhecimento sobre as alternativas existentes, impediu que muitas pacientes recebessem qualquer tipo de tratamento”.

O Women's Health Initiative, estudo que lançou uma sombra de dúvidas sobre a reposição hormonal, completou 21 anos sendo questionado porque seu encaminhamento continha falhas. No entanto, o estrago foi grande: a informação fez com que um grande número de médicos deixasse de prescrever o tratamento para suas pacientes.

Em coluna publicada em abril, o blog já havia apresentado trabalho realizado por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts, mostrando o mesmo tipo de relação entre a idade da menopausa, a utilização de terapia hormonal e a Doença de Alzheimer: altos níveis da proteína tau, presentes no processo da enfermidade, só haviam sido observados em mulheres que começaram a fazer reposição hormonal tardiamente.

Hoje, há evidências de uma possível redução de risco de doença coronariana através da reposição, no caso de pacientes abaixo dos 60 ou que iniciam o tratamento precocemente.

De acordo com o levantamento, os principais benefícios da reposição são:

Redução das ondas de calor em até 90% em pacientes com sintomas de moderados a severos.

Melhora do perfil lipídico e possível diminuição do risco de diabetes tipo 2.

Embora estudos anteriores tivessem indicado aumento do risco de câncer de mama, ele é baixo para quem está na faixa entre 50 e 59 anos e para quem inicia a reposição nos primeiros dez anos a partir da menopausa.

Outras pesquisas mostram um aumento de chances de acidente vascular cerebral (derrame) em mulheres acima dos 60 anos que iniciaram a reposição dez anos depois da menopausa.

Quem apresenta algum fator de risco (histórico de câncer de mama e subtipos de câncer endometrial, doença coronariana ou mutação pró-trombótica) ou não quer fazer o tratamento pode utilizar terapias não hormonais para aliviar os sintomas.

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