Museu da Loucura: conheça a história do espaço em Barbacena | G1
Instalado na estrutura do antigo hospital, o museu preserva a memória de uma das maiores tragédias da saúde mental no país. Visitantes podem conhecer itens e objetos que ajudam a contar a história da instituição.
Prédio do Museu da Loucura, em Barbacena — Foto: Juliana Netto/g1
O Museu da Loucura funciona dentro do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), na área onde funcionou o Hospital Colônia , considerado o maior manicômio do Brasil, que se tornou símbolo de uma das maiores tragédias humanitárias da história do país.
O acervo reúne objetos originais do Hospital Colônia , além de fotografias, documentos, equipamentos médicos e conteúdos audiovisuais sobre a história da assistência psiquiátrica em Minas Gerais.
As exposições mostram as experiências vividas pelos pacientes ao longo das décadas, no que ficou conhecido como 'Holocausto Brasileiro' . O espaço também funciona como local de memória e reflexão sobre a importância do respeito à dignidade humana no atendimento em saúde mental.
Museu da Loucura guarda fotos e objetos de quem viveu no espaço — Foto: Juliana Netto/g1
Recebe visitantes de diferentes partes do país, incluindo turistas, estudantes, pesquisadores e profissionais da saúde.
Completou 30 anos de existência no d ia 16 de agosto de 2026 e foi o primeiro museu brasileiro dedicado à saúde mental no Brasil.
Criado no início em 1903, o Hospital Colônia recebeu pacientes de diferentes regiões de Minas Gerais e do país. Muitos deles não tinham diagnóstico de transtorno mental, e as internações eram compulsórias e pouco fiscalizadas.
Por isso, também eram levadas para lá pessoas indesejadas pela sociedade da época, como alcoólatras, homossexuais, mendigos, prostitutas, órfãos, opositores políticos e mulheres que haviam perdido a virgindade antes do casamento ou sido rejeitadas pelos maridos.
Imagem de arquivo mostra pacientes do Hospital Colônia de Barbacena — Foto: Divulgação
Houve graves violações de direitos humanos e, dentre as práticas adotadas, estava o uso de eletrochoques como forma de punição por comportamentos considerados indesejados, como chorar, tentar fugir ou não seguir ordens.
Painel que fica no Museu da Loucura, em Barbacena — Foto: Juliana Netto/g1
As descargas eram aplicadas sem anestesia e por funcionários sem qualificação para o procedimento, causando dores intensas e até queimaduras nos pacientes, que dormiam em um modelo conhecido como “leito único”, diretamente no chão frio e cobertos apenas por capim seco.
Diante de tantas atrocidades, o Hospital Colônia ficou conhecido como 'Holocausto Brasileiro'.
Em 25 de maio deste ano, os 14 últimos moradores que permaneciam no hospital foram levados para uma residência terapêutica , onde receberão acompanhamento especializado. Todos são muito idosos e nenhum mantém contato com familiares.
Pelo menos 1.800 corpos de pessoas que morreram no hospital foram vendidos para universidades e usados em aulas de anatomia nas faculdades de medicina.
Museu da Loucura, em Barbacena — Foto: Juliana Netto/g1
O Ministério Público Federal (MPF) também ajuizou uma ação civil pública contra a Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), o Estado de Minas Gerais e a União. O órgão pede reparação histórica pela venda de corpos utilizados em aulas de dissecação na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais entre 1971 e 1975.
A ação pede que as instituições sejam condenadas a adotar medidas como o pagamento de R$ 13,7 milhões por danos morais coletivos, a publicação de declarações oficiais e a realização de cerimônias públicas de reconhecimento dos fatos.
O museu fica na avenida 14 de Agosto, no bairro Floresta, dentro do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena. O funcionamento é das 13h às 17h às segundas-feiras e 9h às 17h, entre terça e domingo.
A entrada é gratuita. O espaço recebe turistas, estudantes, pesquisadores e profissionais da saúde de diferentes regiões do Brasil.
Escadaria do Museu da Loucura, em Barbacena — Foto: Juliana Netto/g1
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