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Monday, August 31, 2026

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Vazamento de amônia em MT termina com acordo de mais de R$ 3 milhões | G1

Processo começou em 2014 após fiscalização apontar falhas de segurança em frigorífico de Alta Floresta (MT). Naquele ano, 17 trabalhadores foram levados ao hospital após vazamento de gás.

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A conciliação foi homologada pela Justiça do Trabalho no dia 12 de agosto de 2026 — Foto: Reprodução

Um processo que se arrastava há mais de 12 anos chegou ao fim com um acordo de R$ 3,9 milhões entre a JBS e o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT). A conciliação foi homologada pela Justiça do Trabalho no dia 12 de agosto de 2026.

O g1 entrou em contato com a defesa da JBS, mas até a última atualização dessa reportagem não obteve retorno.

Os recursos serão destinados a projetos sociais por meio da Comissão Interinstitucional de Ações Afirmativas do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT). A preferência será por iniciativas que beneficiem moradores de Alta Floresta , a cerca de 800 quilômetros de Cuiabá.

A ação civil pública foi apresentada pelo MPT em agosto de 2014, depois que uma série de problemas relacionados à saúde e à segurança dos trabalhadores foi identificada na unidade.

Falhas afetavam setor onde trabalhavam cerca de 270 funcionários

Um dos principais pontos questionados pelo MPT era o setor de desossa, que reunia aproximadamente 270 trabalhadores. Durante o processo, foram identificadas mudanças na linha de produção que, segundo as provas reunidas, não foram acompanhadas da adaptação necessária no espaço físico.

Duas esteiras haviam sido instaladas no setor, reduzindo o espaço de circulação dos funcionários. A situação poderia dificultar a saída dos trabalhadores em uma emergência, como um incêndio ou vazamento de gás. Também foram apontadas falhas nos sistemas de prevenção e combate a incêndios. Na época em que a ação foi ajuizada, o projeto de segurança contra incêndio e pânico ainda estava em elaboração.

O Ministério Público pediu à Justiça que a empresa adotasse medidas para corrigir os problemas, incluindo a retirada das esteiras, a implantação de um plano de resposta a emergências e a adequação das condições de segurança da unidade.

Vazamento de amônia levou 17 trabalhadores ao hospital

Poucas semanas depois do início da ação, um episódio reforçou a preocupação com a segurança no frigorífico. No dia 4 de setembro de 2014, um vazamento de amônia atingiu o setor de desossa . Ao todo, 17 trabalhadores foram levados ao Hospital Regional de Alta Floresta para atendimento médico. O caso ganhou destaque na época e também passou a fazer parte dos documentos analisados no processo.

A amônia é um gás utilizado em sistemas de refrigeração de frigoríficos. Em determinadas concentrações, pode causar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de provocar problemas graves de saúde.

O episódio ocorreu enquanto o Ministério Público já questionava as condições de segurança da unidade. Segundo o processo, o vazamento aumentou a preocupação com a existência de rotas de fuga e procedimentos adequados para situações de emergência.

O vazamento, porém, não foi o único motivo considerado nas decisões judiciais. As condenações também levaram em conta o conjunto de irregularidades encontradas no ambiente de trabalho.

Justiça condenou empresa por dano moral coletivo

Em 2015, a Justiça do Trabalho condenou a JBS ao pagamento de R$ 1 milhão. Desse total, R$ 500 mil foram fixados por dano moral coletivo e outros R$ 500 mil por dumping social, termo usado para definir situações em que o descumprimento de direitos trabalhistas é utilizado como forma de reduzir custos e obter vantagem econômica.

Além do pagamento, a Justiça determinou que a empresa adotasse medidas para melhorar as condições de saúde e segurança dos trabalhadores.

A JBS recorreu da decisão, mas as condenações foram mantidas pelo Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso e, posteriormente, pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Entre os problemas considerados estavam a instalação das esteiras sem a adequação do espaço físico e as falhas relacionadas à prevenção de incêndios e ao atendimento de situações de emergência.

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